Padre Poquillon sobre o bloqueio de Pizzaballa: "Eles querem nos atacar, católicos, por criticarmos a guerra"

Pierbattista Pizzaballa | Foto: Vatican Media

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30 Março 2026

"No Patriarcado, que fica a algumas dezenas de metros de distância, o perigo é o mesmo".

O diretor da École biblique et archéologique française em Jerusalém: "É possível que tenha sido uma forma de pressionar a igreja, assim como alguns grupos nos EUA estão questionando o conflito."

“Seria como impedir o Papa de acessar a Basílica de São João de Latrão.” O padre dominicano Olivier Poquillon é o diretor da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. “Impedir o Patriarca Latino de acessar sua catedral e impedir o Custódio da Terra Santa, a quem o Papa confiou a responsabilidade pelos lugares santos dos latinos, de acessá-la é uma completa violação de todos os costumes, sem qualquer razão objetiva em termos de perigo.”

A entrevista é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 30-03-2026

Eis a entrevista. 

O que aconteceu ontem de manhã?

O acordo estipulava que o Patriarca, o Custódio e um de seus assistentes poderiam acessar o Santo Sepulcro para celebrar a missa, que seria transmitida pela televisão. A regra atual em Jerusalém permite reuniões de menos de 50 pessoas, com a possibilidade de abrigo. Essa regra vale para todos — judeus, cristãos, muçulmanos — e para qualquer tipo de atividade.

Então por que a proibição?

Pode-se questionar se essa restrição ao exercício do direito à liberdade religiosa também foi uma forma de pressionar a Igreja Católica, especialmente em um momento em que certos grupos católicos nos Estados Unidos questionam a legitimidade desse conflito.

A proibição imposta ao Patriarca e ao Custódio é inédita?

Mesmo durante a Guerra do Golfo ou durante a Covid, conseguimos celebrar. É inédito impedir o bispo local de entrar em sua catedral e celebrar um rito, exigido pelo status quo, que é um dos principais ritos do calendário litúrgico. É como se o Papa fosse impedido de entrar na Basílica de São João de Latrão por motivos de segurança. Por isso, as pessoas acharam isso escandaloso. As primeiras críticas que ouvi vieram da própria comunidade israelense.

Trata-se de um caso isolado?

Neste momento, vemos correntes políticas se desenvolvendo de forma muito sistemática nas aldeias cristãs da Cisjordânia, particularmente em Taybeh, que é atacada quase diariamente por colonos, com o apoio das forças de segurança. Os patriarcas se manifestaram unanimemente sobre esta questão.

O que você achou das reações do mundo todo?

As reações internacionais foram muito significativas, especialmente por virem de países e governos que não são hostis a Israel. Por fim, o presidente israelense Herzog telefonou para o Patriarca para expressar seu pesar, e o primeiro-ministro Netanyahu considerou o ocorrido injustificável, prometendo uma reunião para resolver a questão. Uma árvore é julgada pelos seus frutos, então vamos aguardar os fatos.

Que tipo de Páscoa será em Jerusalém?

De qualquer forma, será triste. A Páscoa judaica e a Páscoa cristã estão muito próximas, mas a situação é deprimente. A Páscoa cristã é celebrada à noite. Para nós, cristãos, Jesus traz a luz e Deus nos salva. E aqui, hoje, realmente precisamos ser salvos.

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