Cardeal Pizzaballa afirma que o conflito em curso no Oriente Médio está impedindo a celebração regular da Semana Santa em Jerusalém

Foto: Vatican Media

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25 Março 2026

Com a aproximação da Páscoa, o Patriarca Latino de Jerusalém afirma que a "dureza deste tempo de guerra" impede que a celebração desta época seja realizada "com dignidade".

A informação é publicada por Crux, 23-03-2026. 

Os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém, incluindo a Igreja do Santo Sepulcro, permaneceram fechados devido às restrições de segurança israelenses, enquanto a guerra contra o Irã, iniciada pelos Estados Unidos e Israel, entra em sua quarta semana.

Um ataque aéreo vindo do Irã atingiu as proximidades da igreja mais sagrada de Jerusalém na sexta-feira, danificando áreas pertencentes a cristãos.

“Devido à guerra, este ano não pudemos vivenciar a tradicional peregrinação da Quaresma em Jerusalém, com as solenes celebrações no Santo Sepulcro e nos Lugares Santos da Paixão”, disse o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, em comunicado divulgado no domingo.

“Embora tenhamos podido rezar e nos preparar individualmente, sentimos a falta da jornada comunitária rumo à Páscoa. Agora, nos questionamos sobre as celebrações da Semana Santa, o coração pulsante da nossa fé, em Jerusalém e no Santo Sepulcro”, disse ele.

Existem pouco mais de 160 mil católicos no patriarcado, que inclui Israel, Palestina, Jordânia e Chipre. No entanto, ele também cuida dos milhares de peregrinos que visitam a Terra Santa todos os anos.

Pizzaballa afirmou que as restrições impostas pelo conflito entre Israel e os EUA contra o Irã "não são um bom presságio para qualquer melhoria iminente".

Após o ataque ao seu país, o Irã vem retaliando contra países em todo o Oriente Médio, e milhares de pessoas foram mortas em toda a região.

O cardeal afirma estar em constante diálogo com as autoridades competentes, juntamente com as outras Igrejas cristãs, e que estão avaliando como, de acordo com os métodos a serem acordados, “podemos celebrar o Mistério central da nossa salvação no coração das nossas Igrejas”.

“A situação está em constante evolução e não é possível dar indicações definitivas para os próximos dias; seremos, portanto, obrigados a coordenar as ações diariamente”, explicou, mas confirmou que já está claro que as celebrações comuns abertas a todos não poderão ocorrer.

Pizzaballa também comentou sobre como isso afeta a celebração da Semana Santa em Jerusalém.

A tradicional procissão do Domingo de Ramos, que sobe do Monte das Oliveiras até Jerusalém, foi cancelada. Ela será substituída por um momento de oração pela cidade de Jerusalém, em local a ser definido.

A Missa Crismal foi adiada para uma data a ser definida, assim que a situação o permitir, possivelmente dentro do Tempo Pascal. O Dicastério para o Culto Divino já concedeu a aprovação necessária.

O cardeal também afirmou que as igrejas da diocese permanecem abertas e que os sacerdotes, nas formas e maneiras possíveis, “deverão fazer tudo o que puderem para incentivar a oração e a participação dos fiéis nas celebrações do Mistério Pascal”.

“A dureza deste período de guerra, que afeta a todos nós, carrega hoje o fardo adicional de não podermos celebrar a Páscoa juntos e com dignidade”, disse Pizzaballa.

“Esta é uma ferida que se soma às muitas outras infligidas pelo conflito. Mas não devemos nos deixar desanimar. Embora não possamos nos reunir como gostaríamos, não abandonemos a oração”, acrescentou o cardeal.

“Desejamos, portanto, compensar essas limitações com momentos de oração em família e em nossas comunidades religiosas”, continuou ele.

“Sei que a oração já está sendo praticada em todos os lugares, e me conforta o compromisso de manter viva a tensão espiritual. No entanto, sinto a necessidade de propor um dia especial em que, embora cada um de nós permaneça em seu próprio lugar, nos sintamos espiritualmente unidos em oração para encontrar conforto”, disse ele, convocando uma celebração especial com a recitação do rosário nas igrejas no dia 28 de março.

“Desejamos paz, antes de tudo, para nossos corações aflitos. Só a oração pode nos dar isso”, disse Pizzaballa.

“A Páscoa, que celebramos em nome da paixão, morte e ressurreição de Cristo, nos lembra que nenhuma escuridão, nem mesmo a da guerra, pode ter a última palavra. O túmulo vazio é o selo da vitória da vida sobre o ódio, da misericórdia sobre o pecado”, disse ele.

“Que essa certeza ilumine nossos passos e sustente nossa esperança”, acrescentou o cardeal.

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