Pizzaballa: "A trégua não é paz: ainda vejo morte"

Foto: Anadolu Ajansi

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20 Fevereiro 2026

"A situação a curto e médio prazo não deverá mudar muito na Terra Santa: não serão Abu Mazen ou Netanyahu que construirão a paz; são necessárias novas figuras capazes de trazer novas visões. É inútil iludirmo-nos sobre possíveis mudanças." O cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, afirmou isso no último sábado em Arezzo, durante o evento "Justiça e Paz na Terra Santa", promovido pela Diocese de Arezzo-Cortona-Sansepolcro, Rondine-Cittadella della Pace e pela Cáritas diocesana: "Não haverá nenhum resort em Gaza. Independentemente do que queiram fazer, não podemos ignorar os dois milhões de pessoas que vivem lá, que perderam tudo, exceto a dignidade", acrescentou, pressionado pelas perguntas do correspondente do Avvenire no Vaticano, Giacomo Gambassi.

Muitas pessoas participaram do encontro realizado na Basílica de São Francisco, na véspera da festa de Nossa Senhora do Conforto, a mais importante celebração religiosa de Arezzo. "A trégua não é paz. Em Gaza, pessoas continuam morrendo todos os dias, vítimas de execuções e ataques direcionados. Noventa por cento da Faixa foi arrasada, falta água, eletricidade, saneamento básico. As escolas estão fechadas há três anos, todos os hospitais foram atingidos e as pessoas estão morrendo por causa do frio ou de infecções."

Ao analisar a situação na Cisjordânia, o cardeal também afirmou estar “muito preocupado. Recebo constantemente pedidos de ajuda dos nossos 23 párocos, pois pessoas foram sequestradas, oliveiras confiscadas e foram causados danos. Há confrontos constantes entre colonos e palestinos. Decisões são tomadas continuamente que levarão a uma eliminação progressiva dos direitos palestinos”. E, quando questionado sobre sua opinião a respeito da opção “Dois povos, dois Estados”, Pizzaballa respondeu: “Existem dois povos; se haverá dois Estados, eu não sei. Os palestinos são um só povo e têm direito a um Estado”.

A reportagem é de Luca Primavera, publicada por Avvenire, 17-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

O encontro foi aberto pelo Bispo Andrea Migliavacca: “Daqui parte um grande abraço para todos aqueles que sofrem com as guerras no mundo. É belo lembrar as palavras do padre Tonino Bello: ‘Levantem-se, construtores da paz’”. A noite contou com um discurso do padre Marco Pagniello, diretor da Caritas Italiana, que explicou que “a guerra nunca é justa”, “as armas não só não devem ser vendidas, como também não devem ser fabricadas”, e que a não violência ativa é uma prática cristã que precisa ser redescoberta. Ele depois fez um apelo a todas as organizações da Caritas para que “se tornem artesãos da paz”.

O encontro foi selado com a assinatura do documento que confirma a gemelagem entre a Diocese de Arezzo-Cortona-Sansepolcro e o Patriarcado Latino de Jerusalém, estabelecido em 2010, ao qual agora se junta Rondine-Cittadella della Pace. Foi entregue a Pizzaballa um cheque de € 30.000, fruto da arrecadação realizada pela diocese, para a compra de medicamentos a serem levados a Gaza. O evento foi precedido, pela manhã, por uma visita privada do Patriarca a Rondine, durante a qual o Cardeal, acompanhado pelo fundador Franco Vaccari, ouviu os testemunhos de jovens vindos de países em conflito que optam por conviver juntos. No domingo, na Catedral de Arezzo, lotada para a solenidade de Nossa Senhora do Conforto, o Patriarca celebrou a missa solene da festa. Durante sua homilia, enfatizando que "o poder do mal às vezes parece invencível", ele evocou a imagem do dragão do Apocalipse derrotado pela Mulher Vestida de Sol que dá à luz uma Criança, ícone da Igreja que gera vida. Esta é a sua vocação: "Ser o lugar que gera vida, ser capaz de curar relações", afirmou.

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