Cristãos sionistas oram pela ofensiva israelense. A Palestina é esquecida

Mísseis de defesa iranianos | Foto: Fatemeh Bahrami/Agência Anadolu

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06 Março 2026

David Parsons, vice-presidente da Embaixada Internacional Cristã em Jerusalém (ICEJ), está exultante. Em sua opinião, a vitória total de Israel sobre o Irã, com a ajuda dos EUA, aproxima o cumprimento das profecias bíblicas pelas quais oram milhões de cristãos sionistas em todo o mundo. "Uma vitória definitiva poderia mudar radicalmente as dinâmicas na região", escreveu ele no boletim informativo enviado ontem pela ICEJ. Mas, alertou ele, "Israel, para vencer, precisa saber que os cristãos estão ao seu lado com a oração."

A reportagem é de Michele Giorgio, publicada por Il Manifesto, 05-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Parsons também observou que a guerra contra o Irã está ocorrendo precisamente durante os dias do Purin, a festividade que "celebra o triunfo do povo judeu sobre os inimigos do antigo império persa". Frases, repletas de fervor messiânico, que são ecoadas por aquelas dos soldados estadunidenses, aos quais oficiais disseram que a guerra desencadeada por Israel e os EUA é "parte do plano de Deus" e que Donald Trump foi escolhido por Jesus Cristo para desencadear o Armagedom e favorecer seu retorno à Terra.

 A "astrologia política" também está dando uma mãozinha ao radicalismo religioso. O mapa astronumerológico de Rami Shekalim prevê que Ali Larijani, um dos poucos líderes iranianos que não foram mortos por Israel e pelos EUA em 28 de fevereiro, "enfrentará um período particularmente difícil a partir de 25 de abril".

Grande parte dos israelenses, de líderes políticos e militares ao cidadão comum, compartilha a visão da convulsão total desencadeada pelo ataque ao Irã, que colocará Israel na frente de um novo Oriente Médio, com Teerã, O Hezbollah e o Hamas fora de jogo para sempre. Os sucessos repetidamente listados pelos comandantes militares são reiterados com grande alarde pela mídia: ondas de ataques com centenas de alvos atingidos no Irã, a batalha aérea em que um F-35 israelense abateu um caça iraniano, os caças-bombardeiros retornando de Teerã disparando munição e bombas não utilizadas contra o Líbano.

Essas notícias somam-se àquelas do sul do Líbano, onde Israel está reconstituindo a "zona de segurança" (controlada de 1978 a 2000). Uma faixa de 10 quilômetros de profundidade que alcança o rio Litani, conecta-se de fato à "zona tampão" que Israel mantém no sul da Síria há mais de um ano. Uma ocupação ampla de territórios árabes descrita como uma "defesa avançada" contra o Hezbollah. Desde ontem, além da força aérea que bombardeou o Líbano, matando mais de 70 pessoas em três dias, duas divisões do exército operam em profundidade no país. No entanto, o Hezbollah está longe de ser domado, como afirma o governo israelense. Pelo contrário, parece em condições de coordenar ataques com mísseis e drones em direção a Haifa, Tel Aviv e à Galileia, juntamente com os do Irã, colocando sob pressão a defesa aérea adversária. Líderes políticos e militares israelenses se preparavam ontem à noite para ouvir atentamente o discurso anunciado pelo líder do Hezbollah, Naim Qassem, precipitadamente rotulado como perdedor.

Com o ataque em curso ao Irã, a Cisjordânia palestina está completamente obscurecida, enquanto enfrenta uma fase ainda mais rigorosa de bloqueios e restrições por parte de Israel, com prisões contínuas: 165 desde 28 de fevereiro, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos.

Mustafa Barghouti, proeminente político e figura da sociedade palestina, nos contava ontem que "a fragmentação dos territórios palestinos por meio dos bloqueios impostos por Israel constitui um toque de recolher de fato, com repercussões que afetam as necessidades mais básicas da população".

Ele se referiu a barreiras e portões fechados, postos de controle militar erguidos nas entradas das aldeias e estradas bloqueadas. "As comunidades palestinas estão numa prisão", explicou. Após o assassinato de dois irmãos em Qariyut (Nablus) no início desta semana, os colonos israelenses voltaram a atacar. Em Sair (Hebron), teriam atirado contra casas e moradores, ferindo vários. Em Gaza, Israel reabriu ontem a passagem de Kerem Shalom, permitindo a entrada de cerca de cem caminhões com ajuda humanitária do Egito. Outras passagens permanecem fechadas, incluindo Kissufim e Zikim, e o terminal de Rafah, na fronteira com o Egito, que foi reaberto apenas no mês passado e fundamental para a circulação de civis.

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