O desafio espiritual na era da Inteligência Artificial

Fonte: Unsplash

Mais Lidos

  • “Permitir a instalação de um empreendimento com essa magnitude de demanda sem uma avaliação climática rigorosa significa aprofundar a vulnerabilidade territorial já existente”, afirma a advogada popular

    Data centers no RS e as consequências de sua implementação. Entrevista especial com Marina Dermmam

    LER MAIS
  • A ideologia da Palantir explicada por Varoufakis

    LER MAIS
  • Inteligência Artificial e o empobrecimento da Igreja como centro de dados. Artigo de Massimo Faggioli

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Março 2026

“A chamada Inteligência Artificial não apenas distorce a linguagem, como também usa a imagem como um meio de penetrar no sistema nervoso e produzir seres insensíveis a qualquer realidade mais elevada, eliminando a dimensão simbólica. Essa morte do coração implica uma castração espiritual: a desconexão total de si mesmo e da ordem divina do cosmos”, escreve Leandro Pinkler, filósofo e professor de língua e cultura gregas na Universidade de Buenos Aires, em artigo publicado por Clarín-Revista Ñ, 03-03-2026. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A aceleração do colapso mundial no século XXI - a destruição dos recursos naturais e os genocídios - tem suas raízes na obsessão do egoísmo materialista, como destruição sistemática da dimensão sagrada da existência, e opera de forma assassina pela perversidade do poder político e econômico. Da perspectiva das tradições espirituais de todas as civilizações, não é possível uma vida humana autêntica sem a “recordação de Deus”, pois o sagrado emana dessa fonte.

Contudo, a sensibilidade para compreender o que isso significa se perdeu. Vive-se na ansiedade do “não sei o que quero, mas quero já”. Não obstante, o que Friedrich Nietzsche chamou de Morte de Deus é válido exclusivamente para a esfera da civilização ocidental, e as categorias próprias da época atual obrigam a pensar em termos de relações geopolíticas planetárias, da própria unidade da Terra.

A crescente presença do Islã, a força do cristianismo oriental, as influências budistas na busca por um caminho de vida e muitos outros fenômenos vitais devem ser levados em consideração para que não se perca o horizonte de projeção histórica.

Os efeitos da Terceira Revolução Industrial Tecnológica Digital impregnam a vida de bilhões de pessoas, marcadas pelo hipnotismo coletivo, a masturbação mental e a manipulação das decisões sob a mentira da liberdade individual. George Gurdjieff já fez esta indicação há mais de um século: a palavra corrompida enfeitiça uma humanidade adormecida, de modo que poucos conseguem sair da prisão da idiotice.

Etimologicamente, idiota significa “aprisionado em seu mundo individual”, incapaz de transitar do “eu” narcisista ao “nós” comunitário. A chamada Inteligência Artificial não apenas distorce a linguagem, como também usa a imagem como um meio de penetrar no sistema nervoso e produzir seres insensíveis a qualquer realidade mais elevada, eliminando a dimensão simbólica. Essa morte do coração implica uma castração espiritual: a desconexão total de si mesmo e da ordem divina do cosmos.

De fato, a visibilização de acontecimentos de crueldade feroz em nossos tempos está se tornando, para muitos, um chamado a despertar. E aí sempre estará presente o tesouro simbólico das Tradições espirituais.

Esse é o legado de Carl Jung em seus textos visionários, ao alertar que caso a humanidade não tome consciência de sua própria escuridão, estará condenada ao suicídio. Ao contrário, caso se encontre com sua profundidade, uma transmutação é possível, pois a presença de Deus na alma é permanente, mas nós, humanos, vivemos como ausentes.

Leia mais