Indígenas iniciam desocupação da Cargill após derrubada do Decreto nº 12.600

Foto: Coletivo Apoena/Brasil de Fato

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25 Fevereiro 2026

Após mais de um mês de mobilização indígena em Santarém, governo publica decreto revogando decisão anterior de privatizar rios amazônicos.

A informação é publicada por ClimaInfo, 24-02-2026.

Com a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que privatizava os rios Tapajós, Madeira e Tocantins, publicada no Diário Oficial da União de 3ª feira (24/2), foi iniciada a desocupação do porto da trading agrícola Cargill em Santarém (PA). Os mais de 1.000 indígenas, de quase 20 etnias, que participam da mobilização deixarão as instalações da empresa até amanhã (26/2).

“Existem muitas coisas a serem desmontadas, e precisamos deixar o local como nós encontramos, deixar o local limpo. Combinamos entre as lideranças que o prazo para isso seria 48 horas. Podemos sair antes”, disse no Instagram o cacique Rogério Arapiun, uma das lideranças indígenas da mobilização.

A desocupação também precisa ser feita considerando a logística de deslocamento dos indígenas, lembrou Alessandra Korap Munduruku, outra liderança do movimento, no Terra. “Tem muita criança, tem muita gente que não estava preparada para ir embora. A maioria usa barco para voltar para suas aldeias. Essas 48 horas são o suficiente para a gente ‌sair”, reforçou.

Alessandra deu ao Tapajós de fato um dos depoimentos mais emocionantes após a revogação do decreto. “A gente tem que proteger esse rio, a gente tem que proteger essa floresta. Esse arrepio que a gente sente nesse lugar, esse lugar é Sagrado, é cemitério de nossos antepassados que foram massacrados nesse lugar. E agora eles viram a nossa vitória, os grandões, porque eles é que estão destruindo os nossos rios. Só eles”, disse, aos prantos.

A revogação foi anunciada após uma reunião entre uma comitiva de lideranças com o ministro da Secretaria da Presidência, Guilherme Boulos, e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, na 2ª feira (23/2), em Brasília, 31 dias após o início da mobilização, em 22 de janeiro. “No início foi ouvir as partes, principalmente nós, sociedade civil; o ministro pediu 30 minutos, e logo em seguida ele voltou e deu a notícia da revogação”, contou ao InfoAmazonia Lucas Tupinambá, presidente do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA).

Os indígenas estavam indignados com a falta de diálogo com o governo. E denunciavam os riscos ambientais e sociais do decreto, bem como a ausência de consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas potencialmente impactadas pela hidrovia do Tapajós, direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

Capital Reset, Carta Capital, Jornal de Brasília, InfoMoney, Um só planeta, Tapajós de Fato, Estado do Pará Online e Reuters também repercutiram a revogação do Decreto nº 12.600.

Em tempo

Cerca de 300 manifestantes, incluindo moradores de comunidades tradicionais ribeirinhas às margens do Rio Tocantins, ocuparam na 3ª feira (24/2) o prédio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), em Marabá (PA), em protesto contra a explosão do Pedral do Lourenço. Os manifestantes cobram explicações sobre os impactos da obra de dragagem e detonação, que ameaça o sustento de pescadores e famílias locais, informam g1 e MAB Amazônia.

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