Indígenas Kayapó, Panará e Munduruku se unem a protesto contra dragagem do Tapajós

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20 Fevereiro 2026

Perto de completar um mês, manifestação já concentra cerca de 1,2 mil pessoas e também exige extinção do decreto que privatiza rios amazônicos.

A informação é publicada por ClimaInfo, 19-02-2026. 

Representantes dos Povos Kayapó e Panará, vindos do Alto Xingu, uniram-se à ocupação do porto da trading agrícola Cargill, em Santarém (PA), que pede a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que autoriza a privatização de rios amazônicos. Segundo o g1, indígenas Munduruku do Alto Tapajós também já haviam aderido à mobilização, que também tenta evitar a dragagem do rio Tapajós – obra temporariamente suspensa pelo governo federal.

Ontem (19/2), cerca de 400 indígenas interceptaram uma balsa de grãos no Tapajós, informa a Folha. A ação foi realizada com quatro embarcações e teve caráter pacífico. O objetivo foi chamar a atenção do governo federal e da sociedade para os impactos da transformação de rios amazônicos em corredores de exportação.

A mobilização, que começou em 22 de janeiro, é liderada por indígenas de etnias do Baixo e Médio Tapajós e concentra cerca de 1,2 mil pessoas. Os manifestantes afirmam que o decreto foi publicado sem consulta livre, prévia e informada (CLPI) aos Povos Indígenas, ferindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

Os indígenas ressaltam que a medida vai transformar os rios da Amazônia em hidrovias voltadas ao escoamento de commodities, trazendo impacto socioambiental às comunidades. “A morte do nosso rio vai afetar o nosso corpo, a nossa cultura, nossa língua, nosso bem-estar, nosso bem-viver”, disse Alessandra Korap, liderança Munduruku.

Quanto à dragagem do Tapajós, a ação pode atingir o leito do rio, comunidades e bioma das principais cidades do oeste do Pará, como Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba, Trairão e Jacareacanga. O edital prevê um contrato de três anos, com orçamento duas vezes maior que o serviço realizado em 2025.

Além disso, o edital temporariamente suspenso pelo governo também amplia os trechos a serem dragados. O que impactará diretamente regiões com registro de urnas funerárias e sítios arqueológicos considerados importantes para os indígenas.

Outro questionamento é a ausência de licença ambiental no edital. Segundo engenheiras e pesquisadoras do Grupo de Trabalho Infraestrutura (GT Infra), organização que integra a Aliança Chega de Soja, no plano de dragagem consta apenas que o processo de licenciamento foi iniciado junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), que teria emitido um termo de referência.

A Cargill e a Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (AMPORT) pediram a desocupação forçada de seu terminal à Justiça Federal em Santarém. Mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília (DF), suspendeu a ordem, informa a Alma Preta, atendendo a recurso do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU).

Segundo os órgãos judiciais, a decisão de remoção desconsidera as tentativas de solução consensual, além de ampliar os riscos de violências contra os Povos Indígenas. A defesa também reforça que a decisão ocorreu sem a participação obrigatória da FUNAI, explicam Brasil de Fato e Tapajós de Fato.

Em tempo

O movimento indígena de Roraima iniciou uma mobilização para pedir justiça e esclarecimentos a respeito do jovem indígena Gabriel Ferreira, encontrado morto no último dia 10. Liderança do Povo Wapichana, Gabriel ficou desaparecido por dez dias antes de seu corpo ser encontrado, na região do Amajari, noroeste do estado. Cerca de 500 lideranças indígenas das regiões do Surumu, Alto Cauamé, Baixo Cotingo, Raposa, Serras, Amajari, Serra da Lua, Tabaio e Murupu percorreram um trecho da rodovia RR-203 até onde o corpo do jovem foi achado, conta a Revista Cenarium.

A assessoria jurídica do Conselho Indígena de Roraima (CIR) denunciou o caso à Polícia Civil e segue acompanhando as investigações. Também foram oficialmente acionados o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério Público Federal (MPF), para acompanhar o caso e as causas da morte.

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