Venezuela. O Papa: "Que prevaleça o interesse do povo". Mas crescem as dúvidas no Vaticano sobre o ataque

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Janeiro 2026

O Vaticano mobiliza-se para evitar a guerra civil. O Secretário de Estado Pietro Parolin foi núncio em Caracas, o Substituto Edgar Peña Parra vem da diocese de Maracaibo: diplomacia em campo.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por La Stampa, 05-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Estou acompanhando os acontecimentos na Venezuela com profunda preocupação", disse o Papa no Angelus. "O bem do povo venezuelano deve prevalecer sobre todas as outras considerações."

É necessário "superar a violência e trilhar caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país, assegurando o Estado de Direito consagrado na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis e trabalhando juntos para construir um futuro sereno de colaboração, estabilidade e harmonia." Atenção deve ser dada "aos mais pobres, que sofrem com a difícil situação econômica."

Estefano Jesús Soler Tamburrini, intelectual venezuelano e ex-funcionário da Cáritas, explica ao jornal La Stampa: "O episcopado venezuelano teme a explosão do ódio entre os extremos: de um lado, um chavismo sem Maduro; do outro, uma oposição excluída de tudo há anos, que busca justiça impulsionada pelos exilados. Os bispos não estão tomando posição porque a situação não está clara; toda a cúpula político-militar permanece intacta, com exceção da líder, Corina Machado, que foi destituída por Trump, e o governo de transição se apoia nos alicerces do antigo regime." E acrescenta: "Nem se sabe se as vítimas da operação estadunidense são mais do que as 40 estimadas. Em sintonia com Leão XIV, a Igreja venezuelana permanece cautelosa antes de anunciar o fim de uma era política e apoiar alguém. Em 2019, Francisco escreveu a Maduro após a violação de acordos."

Enquanto isso, redes e grupos católicos, repercutidos pela agência missionária do Vaticano, Fides, deploram a operação militar estadunidense. "Não à guerra. Vemos com profunda tristeza como a paz invocada pelo Papa está sendo violada pelos Estados Unidos." Declarações e intervenções de grupos ligados à Igreja Católica venezuelana estão se multiplicando, expressando críticas e repúdio à ofensiva de Trump. Para a comunidade eclesial, trata-se de uma "agressão que ataca não apenas um território, mas a dignidade de uma região". A Comissão Justitia et Pax define o golpe na Venezuela como "inadmissível" e chama em causa a autodeterminação dos povos como um "princípio fundamental do direito internacional".

Os venezuelanos, segundo os movimentos populares católicos, têm o "direito de escolher seu próprio caminho sem interferências externas". Portanto, "o sequestro do presidente Maduro e o ataque dos EUA ao território venezuelano são um desafio inaceitável à soberania nacional e um precedente perigoso para a estabilidade regional e a ordem internacional". Reafirma-se também a urgência de salvaguardar um "mundo multipolar" no qual a resolução de crises seja confiada ao "diálogo e à cooperação" e não à "violência e à opressão". Nos bastidores, a Santa Sé trabalha por uma transição sem derramamento de sangue, como ocorreu após a queda do Muro de Berlim, na Europa Oriental. "Mas, ao contrário da Polônia, desta vez não há um Solidarnosc em que se possa confiar", afirmam na Cúria, e a agressão revela "zonas opacas" e uma "geopolítica da prepotência".

Leia mais