Festival MEL-RS transforma Porto Alegre em centro da luta contra o ódio e os feminicídios

Foto: Festival MEL/Divulgação

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Dezembro 2025

O Festival Mulheres em Lutas Rio Grande do Sul (MEL-RS) transforma Porto Alegre no epicentro do debate feminista nesta sexta-feira (5) e sábado (6). O evento, que combina política, cultura e mobilização, coloca em pauta uma das questões mais urgentes do país: a escalada do ódio direcionado às mulheres nas redes sociais e seus desdobramentos trágicos na violência cotidiana e nos feminicídios.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 03-12-2025.

A escolha do Rio Grande do Sul para sediar a edição é simbólica. O estado figura entre os que apresentam os maiores índices de feminicídio no Brasil, o que reforça o caráter de denúncia e mobilização. Para as organizadoras, o festival é um grito coletivo por “nenhuma a menos, nas redes ou nas ruas”.

Até 28 de novembro, o Observatório Lupa Feminista registrava 78 feminicídios no RS, acima dos 72 ocorridos em todo o ano de 2024. Dados do Observatório Estadual de Segurança Pública reconhece 69 casos até outubro.

“O MEL-RS é um momento para afirmar que o ódio não é opinião e que a violência contra as mulheres começa no discurso, mas termina em morte. Estamos aqui para celebrar a vida e exigir políticas, proteção e responsabilidade coletiva”, afirma Manuela d’Ávila, presidenta do Instituto E Se Fosse Você? e uma das fundadoras do Movimento Mulheres em Lutas.

O debate “Do ódio digital aos feminicídios” é o ponto central da programação, na noite de sexta-feira (5), na Praça da Matriz ,a partir das 18h. A mesa reúne Manuela d’Ávila, a filósofa e escritora Marcia Tiburi, a vereadora do Rio de Janeiro Monica Benício e a deputada federal Fernanda Melchionna. O diálogo busca conectar discursos de ódio, desinformação e violência política de gênero ao ambiente que legitima agressões e assassinatos de mulheres.

“Não é possível assistir ao aumento da crueldade, dos feminicídios e da violência contra as mulheres sem conectar isso ao discurso de ódio que vem sendo pregado e impulsionado nas redes sociais. O ódio contra mulheres se transformou em negócio: é lucrativo financeiramente e eleitoralmente, e seus efeitos recaem diretamente sobre a nossa vida real”, destaca Ávila.

A programação do MEL-RS ocorre em diversos pontos da cidade, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o Centro Histórico, a Assembleia Legislativa, Cirandar e o Palco da Praça da Matriz. O festival atua como um chamado permanente à ação do poder público, das plataformas digitais e da sociedade.

Outro destaque é a inauguração da Casa MEL, um novo espaço permanente de articulação, cultura e resistência em Porto Alegre. A abertura oficial ocorre no sábado (6), na rua José do Patrocínio, 698, após o Bloco das Pretas, que fará um percurso da Praça da Matriz até a nova sede. A Casa MEL nasce como território de acolhimento, organização política e enfrentamento ao ódio e à violência contra as mulheres.

O Festival Mulheres em Lutas – RS reafirma a capital gaúcha como um território de resistência, construindo um espaço de denúncia e elaboração coletiva em defesa da vida das mulheres.

Destaques da Programação

O festival conta com atividades que integram a cidade e as experiências femininas:

Debate: Mulheres na Ciência (sexta-feira, 10h às 12h): discussão sobre desafios e potencialidades, com lançamento da Revista Mandaçaia, no Centro Cultural da Ufrgs.

Encontro das parlamentares (sexta-feira, 14h às 17h): o encontro discutirá a violência política de gênero, ataques em rede e cassação de mandatos, com a presença de deputadas estaduais e vereadoras, no espaço Cirandar, rua Duque de Caxias, 1297 – Centro Histórico.

Atividades autogestionadas (sábado, 9h às 11h e 15h às 17h): plenárias e oficinas construídas por coletivos e movimentos, abordando temas como justiça climática, saúde mental de mulheres negras e autonomia econômica.

Clubes de Leitura Territorial (Sábado, 11h às 12h30): Debate final do projeto do Instituto E Se Fosse Você?, reunindo autoras gaúchas.

Cultura e Empreendedorismo: O evento inclui o Espaço Abelhinhas (para cuidado infantil) e a Feira do Empreendedorismo Feminino com mais de 25 expositoras.

Programação Cultural

A agenda cultural inclui apresentações de artistas e intervenções. Na sexta-feira (5), haverá intervenções de poetas e MCs, além da apresentação teatral “Manifesto de uma Mulher de Teatro” com Tânia Farias. No sábado (6), a programação começa com a recepção com MC’s THS Drop e Afroblack, seguida de almoço com apresentação cultural de Ana Clara Matielo, Clarissa Ferreira e Maryane Francescon. O dia conta ainda com stand-up comedy de Carol Delgado e a performance artística contra o feminicídio, com Tânia Farias, a partir das 17h.

A programação completa pode ser conferida neste link.

Leia mais