Irmãs compartilham a esperança do Advento encontrada em seus ministérios e experiências

Foto: Robert Thiemann | Unsplash

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29 Novembro 2025

Bem-vindas ao nono ano de The Life. Este ano, nosso novo painel inclui irmãs de diversos países — Índia, Zimbábue, Estados Unidos, Irlanda, Nigéria e muitos outros — trazendo uma ampla gama de experiências e ministérios.

A reportagem é publicada por Global Sister Report, 27-11-2025.

Nossos palestrantes atuaram como professores, conselheiros, profissionais da saúde, assistentes sociais, escritores e defensores de direitos. Alguns trabalham diretamente com comunidades vulneráveis, incluindo pessoas LGBTQIA+, migrantes e sobreviventes do tráfico humano. Conheça todos os novos palestrantes aqui.

Juntos, eles compartilharão reflexões pessoais sobre espiritualidade, fé e os desafios do nosso mundo atual. Suas respostas enriquecerão nossa compreensão da "vida" para a qual Deus os chamou.

Leia as respostas dos participantes deste mês à pergunta:

Com base em suas experiências e no mundo ao seu redor, compartilhe uma reflexão ou meditação sobre o tema do Advento.

A Irmã Agnes Rungsung, membro das Irmãs da Adoração do Santíssimo Sacramento, vem de uma aldeia remota em Manipur, no nordeste da Índia, onde os católicos são minoria. Apesar de ter sofrido humilhações de colegas e professores por causa de sua fé, essas provações aprofundaram seu amor pela Igreja Católica e a levaram a buscar a sua verdade com mais fervor. Agora, licenciada em teologia bíblica, ela leciona em casas de formação e ministra retiros para leigos, clérigos e religiosos. Escritora e teóloga em ascensão, ela está se preparando para seus estudos de doutorado no exterior, continuando sua missão de evangelizar por meio do intelecto e da fé.

O tempo do Advento é universalmente um chamado à vigilância silenciosa, uma pausa sagrada para preparar o caminho para a vinda de Cristo. No entanto, para as Irmãs da Adoração do Santíssimo Sacramento que trabalham entre os aldeões simples e trabalhadores do nordeste da Índia, o Advento transcende a mera reflexão; torna-se uma expressão ativa e vivida de serviço esperançoso.

No espírito do chamado pastoral de nosso fundador (o Venerável Bispo Thomas Kurialacherry), reconhecemos que a espera do Advento é mais poderosa nos lugares de maior necessidade. Para muitas famílias nas aldeias remotas desta parte da Índia, a vida é marcada pela "longa noite" — a escuridão do analfabetismo, da marginalização econômica e do desespero silencioso que advém da falta de acesso e de oportunidades. As irmãs, imersas em seu carisma, compreendem essa longa noite não apenas como uma realidade sociológica, mas como o próprio cenário onde Cristo anseia mais por renascer. Elas personificam as palavras que nos impelem a iluminar a vida daqueles que habitam nas sombras.

Nossa preparação, portanto, é dupla, unindo oração e ação. O núcleo espiritual permanece sendo a hora de silêncio diante do Santíssimo Sacramento — a adoração que alimenta a missão. Essa vigilância silenciosa é a fonte da qual as irmãs extraem forças para enfrentar as árduas tarefas do dia. É aqui que elas percebem que não estão apenas levando Deus às pessoas, mas ajudando-as a reconhecer o divino que já reside em suas lutas e resiliência.

A expressão visível dessa espera se encontra nas estradas de terra que percorrem diariamente. Enquanto as coroas do Advento são acesas em todo o mundo, aqui, as irmãs acendem as lâmpadas da educação nas escolas rurais, a chama da dignidade em grupos de empoderamento feminino e a centelha da saúde em postos de saúde remotos. Cada lição ensinada, cada ferida tratada e cada ato de defesa dos direitos à terra ou da justiça é um passo prático de preparação — um esforço concreto para endireitar os caminhos e suavizar as trilhas acidentadas para a chegada do Senhor aos corações dos marginalizados.

O Advento no nordeste da Índia, portanto, não se resume a decorações suntuosas; trata-se de uma dedicação profunda. É um sacrifício contínuo e vivo que busca elevar a pessoa humana, tornando os aldeões verdadeiros beneficiários da luz de Cristo. Lembra-nos que a promessa do Natal se cumpre não no nosso conforto, mas no nosso compromisso de sermos o sinal visível do amor de Deus, ecoando a fé inabalável do fundador no poder do serviço para transformar a sociedade. Aguardamos com esperança jubilosa, mas as nossas mãos estão ocupadas a construir o seu reino aqui na Terra.

A Irmã Deirdre McKenna é membro da Congregação das Irmãs da Misericórdia, uma congregação internacional, e reside no norte da Irlanda. Formou-se como assistente social licenciada em 1990 e especializou-se na área de cuidados paliativos e de fim de vida nos últimos 17 anos. É autora do livro recém-publicado "When There Are Few Words: Exploring some of the questions that might arise for you, or someone close to you, at end of life" (Quando Há Poucas Palavras: Explorando algumas das questões que podem surgir para você ou alguém próximo a você no fim da vida). Paralelamente ao seu ministério formal, está atualmente escrevendo seu segundo livro.

O Advento sempre me parece uma pausa sagrada — uma oportunidade para respirar mais profundamente, para observar, para esperar; um tempo de expectativa e um convite para confiar na promessa de Emanuel, Deus conosco.

Aqui na Irlanda, o Advento se desenrola em meio a longas e úmidas noites, quando o vento assobia e range ao redor das nossas janelas e a terra permanece nua e em repouso. Os campos estão despidos, as sebes esparsas e o céu carregado pela luz invernal. Em nossa memória cultural, esta é a época do ano em que as pessoas se reuniam ao redor da lareira, compartilhando histórias e canções para afastar a escuridão. Esse mesmo instinto ainda persiste; nos reunimos, acendemos nossas velas e oramos. O Advento na Irlanda carrega o ritmo da estação natural: uma espera silenciosa, uma entrega à escuridão com a confiança de que a primavera retornará e, com ela, uma nova vida.

Viver o Advento me ensina a esperar, e esperar nunca foi fácil! Nosso mundo nos impele a ter pressa, a resolver problemas, a produzir respostas instantâneas por meio de nossas buscas apressadas no Google. No Advento, lembramos a beleza de algo menos instantâneo, algo mais suave — que algo de verdadeiro valor merece um tempo de espera, um tempo de observação, um tempo de confiança.

Num mundo inundado de informação, cresce a pobreza de conhecimento, que luta por significado. O convite à espera no Advento oferece-nos a oportunidade de abrandar o fluxo e permitirmo-nos criar e manter um espaço para a construção de significado. Para "ruminar" e ponderar em nossos corações, como fez Maria, que esperança pode residir na confiança.

Em nossa congregação, costumamos orar seguindo um ritual simples e comum do Advento, com leituras, reflexões e partilhas. Nossas mulheres se reúnem em pequenos grupos comunitários ou individualmente, unindo-se a outras em espírito.

Às vezes, como resultado de nossos encontros, praticamos pequenos atos de generosidade ou bondade. Muitas vezes, não são gestos grandiosos, mas acreditamos que é assim que a luz de Cristo nasce em nós dia após dia. Percebemos, mais uma vez, como até a menor chama afasta a escuridão. Confiamos que Deus está sempre vindo ao nosso encontro, aqui e agora, de maneiras que talvez não esperemos.

A Irmã Erin Zubal, Irmã Ursulina de Cleveland, é chefe de gabinete da Network Lobby for Catholic Social Justice. Nessa função, ela lidera a coordenação interna e a integração de equipes e operações para promover a missão da Network. Zubal é a primeira pessoa a ocupar esse cargo e traz consigo um profundo conhecimento e experiência em educação, serviço social e políticas públicas. Ela atuou por 15 anos como assistente social e educadora em escolas católicas de ensino fundamental e médio na Diocese de Cleveland. Possui mestrado em administração de serviço social pela Case Western Reserve University e mestrado em administração educacional pelo Ursuline College.

Não importa quantas velas acendamos, quantos presentes embrulhemos, nem o quanto ansiemos pela chegada do menino Jesus, não podemos negar que o pano de fundo desta alegre época de preparativos é o frio iminente do inverno. Deus se manifesta para transformar um mundo cada vez mais frio e sombrio.

Na minha comunidade, as Irmãs Ursulinas de Cleveland, isso também nos lembra que somos menos do que éramos nesta época do ano passado e que a santa espera do Advento assume um significado ainda mais profundo. Isso é especialmente verdadeiro para as comunidades que enfrentam o desafio de alcançar a plenitude nas próximas décadas. Mas sabemos que isso é apenas parte da história.

Educamos milhares de pessoas, cuidamos dos doentes e moribundos, acompanhamos pessoas que lutam contra o vício e ajudamos a abrigar os sem-teto. Servimos com distinção desde El Salvador até Cleveland. E em cada parada ao longo do caminho, nossas irmãs deram suas vidas, sacrificaram tudo pelo povo de Deus.

À medida que as religiosas se esforçam para unir suas vidas a Jesus, as comunidades que buscam a plenitude devem, com a graça de Deus, viver o futuro com serenidade, sabendo que foram fiéis à sua missão, buscando transformar o mundo por meio de seus carismas, missão e testemunho de vida.

Quando as pessoas sentiram falta do calor do sol no auge do inverno, nossos ministérios trouxeram uma chama ao mundo. E mesmo quando parece que as chamas estão se apagando, em meio a uma democracia em ruínas, uma igreja fragmentada e a perda de tantas irmãs, a Irmã Beneditina Joan Chittister nos convida a olhar mais profundamente: "Há um grande fogo nessas cinzas. Tudo o que precisamos fazer para reacender a chama é abraçar o momento."

Assim como o Advento não se limita a marcar eventos relegados ao passado, nossos ministérios — guiados pelo Espírito — transcendem o momento presente e nossa presença terrena. Temos fé de que outros reacenderão a chama após nossa partida. Olhamos para um horizonte onde nossos colegas e colaboradores, que nos conhecem e nos amam, levarão adiante nossos carismas por muito tempo no futuro.

Cada estação traz seus próprios dons, sejam eles fruto do trabalho de irmãs fiéis ou de leigos dedicados. À medida que diminuímos, eles devem aumentar. Este é o sinal visível da Encarnação que antecipamos nesta época: o poder transformador de Deus vivo em todo o Corpo de Cristo.

A Irmã Kum Shallotte Bi é membro das Irmãs da Sagrada União, uma congregação religiosa internacional. Ela iniciou seu ministério como professora de matemática e estudos religiosos no ensino médio, antes de seguir carreira na enfermagem, movida por uma profunda paixão pela cura e pelo cuidado compassivo. Ao longo dos anos, adquiriu experiência em liderança e prática clínica em unidades de maternidade, cirurgia, clínica médica e emergência. Atualmente, trabalha como enfermeira anestesista e chefe de uma unidade de saúde em Baba I, uma área rural afetada por conflitos em Camarões. Sua missão concentra-se na melhoria da saúde materno-infantil por meio do empoderamento da comunidade, da defesa de direitos e da melhoria da prestação de serviços.

O Advento é um tempo de espera, anseio e preparação para a vinda de Cristo, que é a nossa paz e segurança. Para mim, servindo como Irmã da Sagrada União em uma área rural de Camarões afetada por conflitos, o Advento é profundamente real. Ele ressoa com a realidade diária de uma comunidade que aguarda paz, segurança ou cura. A certeza de que a vida pode florescer novamente.

Todos os anos, ao acendermos as velas do Advento em minha comunidade, lembro-me de que uma única vela é suficiente para dissipar a escuridão. A chama de esperança que ela representa fala poderosamente em um lugar onde muitos vivem com medo e com acesso limitado a cuidados de saúde, educação e água potável. Quando mães aguardam para dar à luz em maternidades com poucos recursos, vejo em seus rostos o mesmo anseio que Maria carregava enquanto esperava o nascimento de Cristo; uma esperança expectante misturada com incerteza.

O Advento se desdobra para mim através de atos simples, porém profundos, de solidariedade na comunidade. Vizinhos compartilham a pouca comida que têm, mulheres se reúnem para se apoiar mutuamente durante o parto e jovens cantam hinos de esperança nas igrejas, apesar da instabilidade ao seu redor. Esses são sinais do Advento, vislumbres pequenos, porém radiantes, da presença de Deus irrompendo em realidades frágeis.

Minha experiência como enfermeira anestesista e líder em uma unidade de saúde me mostrou que o Advento não se trata apenas de esperar, mas também de preparar o caminho. Cada intervenção para reduzir a mortalidade materna e neonatal, cada esforço para garantir água potável e cada iniciativa para empoderar mulheres são maneiras modernas de endireitar os caminhos para a vinda de Cristo. Em cada ato de cuidado e defesa, vivencio o Advento como uma promessa e uma responsabilidade.

Esta época me desafia a conciliar fé e ação, além de espera e trabalho. O Advento nos assegura que Deus é fiel e virá. Também nos pede que sejamos portadores da luz, que reacendamos a esperança onde o desespero ameaça nos consumir. Num mundo marcado por conflitos, divisões e sofrimento, a mensagem do Advento é profundamente contracultural. Declara que a alegria, a paz, o amor e a esperança ainda são possíveis.

Ao acompanhar minha comunidade nesta época do ano, estou convencido de que o Advento não é apenas o período de preparação para o Natal, mas também um chamado para vivermos diariamente com corações expectantes. Para nutrir a esperança em lugares frágeis e acreditar que Deus, que veio como uma criança, continua a nascer entre nós, trazendo luz que nenhuma escuridão pode vencer.

A Irmã Sherly Thomas, membro das Irmãs de São José de Lyon, nasceu em Kerala, na Índia. Profundamente comprometida com a missão de justiça, paz e cuidado com a criação, ela dedicou sua vida ao empoderamento de comunidades marginalizadas por meio da educação, iniciativas de geração de renda e programas de conscientização social. Seu trabalho inclui acompanhar pessoas vulneráveis ​​— migrantes, catadores (trabalhadores de saneamento sujeitos a discriminação por casta), pessoas LGBTQIA+ e sobreviventes do tráfico humano — em sua jornada rumo à dignidade e à autossuficiência. Fundamentada no Evangelho e inspirada pelo carisma de sua congregação, a Irmã Thomas se empenha em construir comunidades inclusivas onde o amor e a compaixão transformam vidas.

O Advento é um tempo que nos convida à espera, à preparação e à esperança. Não se trata de uma espera passiva, mas sim ativa — ansiando por um novo amanhecer enquanto trabalhamos para aproximá-lo. Em meu trabalho em prol da justiça, da paz e da integridade da criação, aprendi que esse espírito do Advento se manifesta de forma mais autêntica nas lutas e na resiliência das comunidades marginalizadas.

Entre as famílias de catadores que apoiamos (trabalhadores de saneamento baseados em castas), a espera se transforma em perseverança diante da rejeição e do estigma diários. Essas famílias, muitas vezes forçadas a trabalhos degradantes, ousam sonhar com melhores oportunidades. Por meio de programas de geração de renda e apoio educacional, acompanhamos sua esperança por uma vida digna. Cada pequeno passo — uma criança indo à escola, uma mulher abrindo um pequeno negócio — torna-se um sinal do Advento. É a luz da possibilidade que brilha em meio à escuridão, mostrando que a mudança é possível quando as pessoas são empoderadas.

Penso também na comunidade LGBTQ+, cujo clamor por aceitação e igualdade ressoa com o anseio do Advento pela justiça de Deus. Muitos deles enfrentaram a exclusão até mesmo de suas famílias, mas permanecem corajosos ao reivindicar seu direito de viver com dignidade. Caminhar ao lado deles é uma jornada do Advento de alargar nossos corações, de abrir espaço para Cristo que vem a nós por meio dos vulneráveis ​​e excluídos. Sua resiliência é um testemunho de que esperar não é desespero, mas esperança em ação.

A questão do tráfico de seres humanos aprofunda ainda mais esse chamado do Advento. As vítimas do tráfico anseiam por liberdade, restauração e uma comunidade que as veja não como mercadorias, mas como seres humanos criados à imagem de Deus. Nas campanhas de conscientização, na defesa de direitos e no apoio à subsistência de grupos em situação de risco, vejo ecos do chamado de João Batista para "preparar o caminho do Senhor". Abrir caminhos difíceis hoje significa desmantelar sistemas de exploração e construir comunidades de proteção, solidariedade e justiça.

O Advento, portanto, não se limita a rituais ou tradições litúrgicas — é um chamado social e espiritual. Ele nos impele a reconhecer a presença de Deus nos clamores dos pobres e a nos tornarmos portadores de esperança por meio de ações concretas. Ao acendermos as velas do Advento, somos lembrados de que o nosso mundo ainda anseia por justiça, inclusão e paz. Este tempo nos convida não apenas a esperar pela vinda de Cristo, mas também a preparar o mundo para que a sua presença seja reconhecida — na dignidade restaurada, nos excluídos acolhidos e nos oprimidos libertados.

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