09 Agosto 2025
Os Anos Santos estão entre os eventos mais bem-sucedidos da Igreja Católica. Eles atraem milhões de pessoas a Roma como peregrinos. Cinquenta anos atrás, essa antiga tradição estava à beira do abismo, como agora se sabe.
A reportagem é publicada por Katholisch.de, 08-08-2025.
A tradição dos Anos Santos em Roma corria o risco de extinção há 50 anos. Isso fica evidente em notas inéditas do Papa Paulo VI (1963-1978), agora documentadas em um livro no Vaticano.
Segundo o texto, o Papa, na época, tinha consideráveis dúvidas sobre a pertinência da tradição dos Anos Santos, ligada à ideia de indulgências. Ele expressou essas dúvidas em notas manuscritas publicadas no livro "L'anno santo con Paolo VI" (O Ano Santo com Paulo VI), publicado recentemente pela editora vaticana LEV. O editor é o clérigo italiano Leonardo Sapienza, regente da Prefeitura da Casa Pontifícia desde 2012 e, portanto, responsável pelo bom funcionamento da Casa Pontifícia.
L'anno santo con Paolo VI, livro de Leonardo Sapienza
Confronto consciente com a modernidade
Após cuidadosa reflexão, Paulo VI decidiu dar continuidade à tradição dos Anos Santos e, assim, engajar-se conscientemente com o mundo moderno, afirma o texto. O Papa registrou isso em suas notas da época com as seguintes palavras: "Confronto entre a fé e o mundo – o mundo está evoluindo e tende a absorver, devorar e relativizar".
Ele responde: "Renovação pela adesão a princípios frutíferos – redescoberta do Reino de Deus – energia e esperança (...) Retorno à 'graça'. Conversão, penitência e perdão sacramental. (...) Chamado à responsabilidade social". Em resumo, ele identifica três ideias para o Ano Santo: "1. Reavivamento. 2. Confronto. 3. Reforma".
Indicações públicas de dúvida
O próprio Papa Paulo VI já havia insinuado suas dúvidas iniciais sobre o Ano Santo em 1974, em um discurso anunciando o Ano Santo. Na ocasião, ele disse: "Após oração e reflexão, decidimos celebrar o próximo ano de 1975 como um Ano Santo — de acordo com o ciclo de 25 anos".
O primeiro Ano Santo desde as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965) foi um evento surpreendentemente bem-sucedido. Mais de nove milhões de peregrinos passaram pelas Portas Santas das igrejas papais em Roma em 1975. No atual Ano Santo de 2025, o Vaticano espera cerca de 30 milhões de peregrinos. O Ano Santo mais bem-sucedido até hoje foi o de 2000, quando, segundo dados do censo do Vaticano, cerca de 25 milhões de peregrinos visitaram Roma. O primeiro Ano Santo ocorreu em 1300, sob o Papa Bonifácio VIII.
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