Pressão do governo por petróleo na foz do Amazonas ganha reforço

Foto: Ivars Utināns | Unsplash

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11 Abril 2025

Indicado para o Ministério das Comunicações, Pedro Lucas Fernandes preside frente parlamentar que defende exploração de petróleo na região.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 10-04-2025. 

A tropa de choque governamental que pressiona o Ibama pela licença para a Petrobras perfurar um poço no bloco FZA-M-59, na foz do Amazonas, vai ganhar mais um integrante. Confirmado pelo presidente Lula como ministro das Comunicações, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, do Maranhão, líder do União Brasil na Câmara, preside a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Exploração de Petróleo na Margem Equatorial, criada em abril de 2024.

Fernandes tem as bênçãos de outro defensor ferrenho da exploração: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com a agenda do governo amarrada ao Congresso, a “fome” do presidente Lula por explorar petróleo no litoral do Amapá se juntou à “vontade de comer” de Alcolumbre de capitalizar politicamente o fato em seu estado.

Fernandes também defendeu mudanças no Ibama, comandado por Rodrigo Agostinho, destacam Folha e Brasil 247. Segundo o deputado, o órgão ambiental tem um “pensamento ideológico” muito forte e que isso “é muito ruim para o governo”. Esqueceu que o Ibama é um órgão de Estado, que segue a legislação ambiental e toma decisões técnicas, que podem, inclusive, ser questionadas pelos empreendedores – como a Petrobras está fazendo na foz.

A petroleira espera para “breve” a licença para o poço que quer perfurar no bloco 59, informa o Metrópoles. Foi o que disse a diretora de Exploração e Produção (E&P) da petroleira, Sylvia dos Anjos, a mesma que, em outubro, num arroubo de negacionismo, disse que a presença de corais na região marítima da Amazônia onde a empresa quer perfurar era “fake news científica”.

A executiva voltou a repetir a falácia de que explorar combustíveis fósseis na foz do Amazonas e em outras bacias da Margem Equatorial é necessário para repor reservas e garantir que o Brasil não volte a importar petróleo, relata o Estadão. Só que dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o país tem petróleo até 2038 no atual ritmo de produção.

Como o país exporta óleo, pois produz muito mais do que consome, basta ajustar as vendas externas para expandir esse prazo-limite. Sem falar nas projeções de queda de demanda, tanto da Agência Internacional de Energia (IEA) como da própria Petrobras, e nas possibilidades no pré-sal, que ainda está sendo explorado. A mesma Petrobras anunciou duas descobertas na região recentemente.

Sylvia, porém, não parou aí na defesa da exploração da foz. Repetindo Pietro Mendes, presidente do conselho de administração da Petrobras e secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia (MME), disse que na região do bloco 59 “circulam mais de mil cargueiros, navios”, por isso não haveria problema em abrir um poço. Mas cargueiros e navios não perfuram o subsolo marinho. Nem correm o risco de despejar milhões de barris de petróleo no mar no caso de um acidente na perfuração.

É algo que a Petrobras sabe, já que tentou perfurar um poço perto do bloco 59 em 2011 e teve de abandonar a atividade por causa das fortes correntezas da região, sem falar no fluido de perfuração que despejou no mar. Sylvia, no entanto, disse que a petroleira pode atuar “de maneira segura”, segundo o Valor.

Em tempo: Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que 27 países programaram licitações de novas áreas exploratórias este ano. Os investimentos em exploração também se recuperaram da queda na pandemia e atingiram, em 2024, o mesmo nível de 2019. Como lembra Nicola Pamplona na Folha, a EPE é parte da ala governista que defende a exploração de combustíveis fósseis na foz do Amazonas.

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