25 Fevereiro 2025
O capelão: “É a hora da esperança contra toda esperança”. E Parolin convoca os fiéis para rezar na praça. Mas boletim mostra evolução: "Insuficiência renal não é preocupação, assistência de oxigênio reduzida".
A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 25-02-2025.
A montanha-russa dos pressentimentos negativos para às 18h39, quando, alguns minutos antes do horário habitual, a sala de imprensa vaticana divulga um boletim médico que representa uma melhora após dois dias de más notícias. Francisco está melhor. A prudência ainda é máxima, o Papa não está fora de perigo, a pneumonia bilateral continua presente, assim como os riscos de um efeito em cadeia em um organismo debilitado, mas quase todos os parâmetros registram uma "leve melhora", e Jorge Mario Bergoglio também retomou duas atividades: um pouco de trabalho e a habitual ligação para a paróquia de Gaza.
Jorge Mario Bergoglio está internado há 12 dias, a hospitalização mais longa de seu pontificado, um dia a mais que a cirurgia no cólon em 2021. O caso logo parece sério, embora não dramático, mas em poucos dias se agrava. A bronquite inicial evolui para uma grave pneumonia bilateral. Na sexta-feira, os médicos responsáveis por seu tratamento dizem em coletiva de imprensa que o Papa apresentou uma leve melhora, mas "não está fora de perigo". No sábado, o pior dia: crise respiratória prolongada, queda das plaquetas, anemia, oxigenação artificial e transfusão. No domingo, a situação não se agrava, mas surge também uma insuficiência renal, ainda que "leve". Tudo fica em suspenso, Francisco está no limiar: pode se recuperar ou não, responder ao tratamento ou piorar novamente.
Nesse contexto, a notícia divulgada pelo Vaticano no início do dia, de que a noite "transcorreu bem", mas que o Papa, às oito da manhã, ainda "descansa", diferentemente dos dias anteriores, causa uma primeira inquietação. A Santa Sé anuncia então que, à noite, será realizado um terço na Praça São Pedro com todos os cardeais residentes em Roma para rezar pelo Papa. Quem o preside, ontem, não é outro senão o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, e o encontro se repetirá todas as noites. Também nesse caso, pode ser apenas a mais óbvia manifestação de proximidade com o Papa, especialmente depois que, no dia anterior, os cardeais Baldo Reina e Matteo Zuppi já haviam convocado encontros de oração por Francisco, respectivamente em São João de Latrão e na igreja de São Domingos, em Bolonha. Mas, inevitavelmente, esse encontro solene evoca as vigílias realizadas na Praça São Pedro nos três dias que antecederam a morte de João Paulo II em 2005. Ainda mais porque a oração não foi convocada dentro da basílica vaticana, apesar de um dia chuvoso, mas ao ar livre, sob o colunato berniniano, que pode acomodar um grande fluxo de pessoas.
À tarde, um jornal francês chega a levantar a hipótese de que Francisco poderia ser transferido — mas por quê? — para o hospital da Ilha Tiberina. Como último presságio, o capelão do hospital Gemelli, padre Nunzio Corrao, pronuncia palavras carregadas de melancolia: "Neste momento, eu gostaria que pedíssemos a mesma fé de Abraão, a 'spes contra spem', a esperança contra toda esperança".
A esperança, por sua vez, reacende-se, embora temperada por grande prudência, com o boletim médico da noite: "As condições clínicas do Santo Padre, apesar da gravidade, demonstram uma leve melhora". Em relação a sábado, pelo segundo dia consecutivo, "não ocorreram episódios de crise respiratória". Alguns exames "apresentaram melhora". Além disso, o monitoramento da leve insuficiência renal detectada no domingo "não causa preocupação". A oxigenoterapia continua, "ainda que com fluxo e percentual de oxigênio ligeiramente reduzidos". Os médicos, informa o Vaticano, "por precaução, ainda não liberam o prognóstico". E mesmo esse "ainda não" já representa um sinal de esperança.
Bergoglio, por fim, "à tarde retomou suas atividades de trabalho" e, à noite, também telefonou para o pároco de Gaza, como tem feito todas as noites desde o início da guerra, mas não nos últimos dois dias. A história sobre uma possível transferência para o hospital da Ilha Tiberina é uma farsa, rapidamente desmentida pelo Vaticano.
À noite, muitos cardeais chegam um por um à Praça de São Pedro, molhada e mal iluminada — há também o americano Raymond Leo Burke, líder da oposição curial a Francisco, e Angelo Becciu — e centenas e centenas de fiéis comuns. "Que Maria Santíssima", diz o Cardeal Parolin, "apoie o Papa neste momento de doença e provação e o ajude a recuperar logo a saúde". Esta noite, uma possibilidade menos absurda do que nos dias anteriores.