1989, as Igrejas do Leste na encruzilhada: a visão de Martini

Carlo Maria Martini (Foto: Reprodução YouTube)

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31 Agosto 2022

 

No dia 31, quarta-feira, será o 10º aniversário da morte de Carlo Maria Martini, cardeal e arcebispo de Milão de 1980 a 2002. A ocasião se presta para uma primeira avaliação historiográfica da figura e da obra, da qual o ensaio de Francesca Perugi - Storia di una sconfitta. Carlo Maria Martini e la Chiesa in Europa -1986-1993 (História de uma derrota. Carlo Maria Martini e a Igreja na Europa -1986-1993, em tradução livre) - trata de um aspecto talvez menos conhecido, mas de extremo interesse para compreender as dinâmicas da Igreja Católica, não só italiana, no decisivo período que compreendeu a queda do Muro de Berlim (novembro de 1989).

 

Capa do livro: História de uma derrota. Carlo Maria Martini e a Igreja na Europa -1986-1993. (Foto: Divulgação)

 

A reportagem é de Marco Rizzi, publicada por Corriere della Sera, 29-08-2022.

 

Entre 1986 e 1993, Martini foi presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, órgão de ligação entre os episcopados do continente, desprovido na época de um papel preciso e de um estatuto canônico claro. Sob a liderança do Arcebispo de Milão, desempenhou uma importante função no diálogo ecumênico com protestantes e ortodoxos, culminando com a participação na Assembleia Ecumênica sobre Paz, Justiça e Salvaguarda da Criação, celebrada em Basileia de 15 a 22 de maio de 1989, à qual a Santa Sé não participou oficialmente.

 

O conflito entre o Concílio liderado por Martini e a Cúria Romana aflorou definitivamente por ocasião do subsequente Sínodo sobre a Europa, convocado por João Paulo II para dezembro de 1991 e confiado à liderança do Cardeal Camillo Ruini. Duas visões do futuro imediato se confrontavam: de um lado, sob o efeito do entusiasmo pela queda do comunismo atribuída à ação do Pontífice e à força espiritual do cristianismo oriental, Ruini e seus colaboradores, entre os quais Rocco Buttiglione, acreditavam que seriam abertos espaços para uma renovada evangelização, capaz de deter e derrubar os processos de secularização em curso na Europa Ocidental; do outro lado, Martini pensava - na esteira do Concílio Vaticano II - que o confronto com a modernidade era agora irreversível e com ele as sociedades e Igrejas que saiam das ditaduras comunistas logo teriam que acertar as contas: nisso, a experiência do catolicismo ocidental os teria ajudado.

 

O embate ocorreu sem poupar golpes, como ilustra com detalhes inéditos o livro de Perugi que, desde o título, declara a derrota arrasadora de Martini e do Concílio. Trinta anos depois, no entanto, torna-se evidente que a visão vencedora da época acabou sendo pouco mais que um efeito visual, com pesadas consequências sobre o diálogo ecumênico e, de maneira mais geral, sobre as condições do catolicismo europeu.

 

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