Para futuros “papas eméritos”, são necessárias normas mais precisas, completas e transparentes

Bento XVI e Papa Francisco. (Foto: Vatican Media)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Julho 2022

 

Felizmente, a confusão em torno de uma suposta oposição entre “bispo emérito de Roma” e “papa emérito”, que sempre foi clara, foi mais bem explicada por especialistas nas últimas horas e, portanto, é algo que não existe e sobre o qual é insensato perder tempo ou alimentar as polêmicas. Há séculos, sabe-se que o bispo de Roma, sucessor em linha direta do apóstolo Pedro, é também o papa, aquele que preside na caridade a Igreja fundada por Cristo. Quem quer que tenha sido eleito para exercer esse ministério petrino, no momento em que renuncia, torna-se “ex” ou “emérito” (não exerce mais o seu ofício).

 

A nota é publicada por Il Sismografo, 13-07-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

O Papa Francisco, na sua entrevista dessa terça-feira, 13, a terceira em pouquíssimos dias (depois da Télam e da Reuters) à plataforma mexicana de streaming ViX, da Noticias Univision 24/7, “respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de haver normas sobre a figura do papa emérito, observou que ‘a própria história ajudará a regulamentar melhor’, ‘a primeira experiência foi muito bem’, porque Bento XVI ‘é um homem santo e discreto’. Para o futuro, porém, ‘convém delimitar melhor as coisas ou explicá-las melhor’” (fonte: Vatican News).

 

O Santo Padre disse coisas sábias e verdadeiras que devem ser resumidas de forma simples, pois estamos falando de uma questão muito delicada que, infelizmente, dividiu setores da Igreja Católica durante vários anos, semeando confusão, desorientação e polêmicas artificiais:

 

1) A história do Papa Emérito J. Ratzinger e a eleição do novo pontífice, Francisco, os fatos concretos, de 13 de março de 2013 até hoje, ensinam muitas coisas úteis para o futuro.

 

2) Os termos enganosos “coabitação” e “história dos dois papas” demonstram que, em tais circunstâncias, não ocorre nenhuma catástrofe devastadora e irreparável. A sucessão legítima e correta do bispo de Roma garante a existência e a estabilidade da assembleia fundada por Cristo.

 

3) No caso específico do Papa Emérito Bento XVI, evidencia-se que ele soube demonstrar com humildade, inteligência e estilo, por amor à Igreja, sem ingerências indevidas, que não existe nenhum conflito ou tensão entre o “papa reinante” e seu antecessor, que renunciou ao ministério petrino que lhe foi confiado pelo conclave.

 

4) Olhando para o futuro da Igreja, é oportuno e necessário proceder a uma melhor codificação da presença de um ex-bispo de Roma no caso da eleição de um novo.

 

O papa fez muito bem em abordar a questão e em fazê-lo nos termos que relatamos.

 

Agora, é preciso, como ele mesmo antecipa, avançar nessa direção, mantendo firme o fato de que um “ex” não tem mais nenhuma responsabilidade na liderança da Igreja por parte do seu Pastor universal, e, portanto, é bom que a sua figura não seja usada de forma alguma para alimentar ou fomentar confusões como, por exemplo, a de ser, após a sua renúncia, uma espécie de conselheiro privilegiado do novo papa.

 

Nos últimos anos, Joseph Ratzinger deu à Igreja neste complexo e delicado caso um exemplo único que pode ser a base das codificações jurídicas a serem elaboradas, além daquelas – submetidas à prova por mais de nove anos – que, em certo modo, foram improvisadas entre os dias 11 e 28 de fevereiro de 2013.

 

O Papa Emérito, nos primeiros anos, foi usado por diversas partes, sobretudo dentro da Igreja, para outras causas e com motivações nem sempre transparentes. Isso ainda ocorre de vez em quando.

 

Mas foi ele, Joseph Ratzinger, quem rejeitou com firmeza inequívoca – com o silêncio e às vezes também com as palavras – as tentativas de usar essa situação em favor de corjas, grupos e comportamentos divisivos.

 

Uma boa codificação da chamada figura do “papa emérito” deve ter o horizonte indicado por J. Ratzinger com as suas palavras, atos e gestos: o ex-bispo de Roma, velho ou jovem, doente ou saudável, capaz ou inválido, se retira para viver em oração e em silêncio.

 

Serão as disposições da Sé vacante que entregarão legítima e integralmente o ministério petrino a um novo papa bispo de Roma.

 

Leia mais