Palestina. O ecocídio dentro do genocídio

Fonte: Wikimedia Commons

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16 Outubro 2024

Um relatório da rede de organizações ambientais palestinas PENGON, juntamente com a universidade inglesa de Newcastle, denuncia um “ecocídio na Palestina” devido ao impacto dos ataques de Israel e de seu genocídio em Gaza. Segundo a pesquisa divulgada esta semana, uma das consequências do conflito é o aumento, em pelo menos o dobro, da salinidade na água de irrigação das terras agrícolas, o que prejudica o crescimento das oliveiras e das hortaliças.

A reportagem é publicada por La Marea-Climática, 11-10-2024. A tradução é do Cepat.

Em seu estudo, os autores associaram o aumento da salinidade ao bombeamento excessivo de águas subterrâneas da área de Al-Mawasi para abastecer as pessoas deslocadas.

Os pesquisadores também detectaram alterações na textura e estrutura dos solos agrícolas devido aos bombardeios, que provocaram a perda de fertilidade, bem como a contaminação com metais pesados tóxicos, como cromo, níquel, cobalto e chumbo.

Os ataques provocaram a queima do solo, “acabando com os organismos benéficos da terra”, o que “mata árvores e deforma seus frutos, e a matéria orgânica desaparece completamente com a sucessiva perda de fertilidade”, destacaram.

As ONGs apontaram que os cultivos também foram deteriorados “devido ao impacto da maquinaria pesada, como escavadeiras e outros veículos”.

PENGON - Amigos da Terra Palestina verificou ainda que “o setor pecuário está completamente destruído pela falta de disponibilidade de alimentos para o gado”.

Outro dos grandes impactos da ofensiva israelense é o surgimento de pelo menos 63 aterros não regulamentados ao lado dos acampamentos de pessoas deslocadas, devido à impossibilidade de acesso aos oficiais. Estes aterros acumulam cerca de 1,2 milhão de toneladas de resíduos sólidos, o que representa “um desastre iminente para a saúde pública”, alertaram.

Segundo os especialistas, os resíduos não tratados são “uma fonte de transmissão de doenças, seja por contato direto com crianças e adultos ou através de insetos”. As ONGs manifestaram preocupação com o surgimento de mais de 72 tanques com esgoto não tratado e recordaram que as instalações de tratamento foram inutilizadas pelo Exército israelense.

Os ambientalistas apontaram que mais de 50% das crianças em Gaza contraíram hepatite A e que há diversas doenças que são transmitidas à população através da água. Além da hepatite, há casos de vômitos, febre amarela, tracoma, malária e cólera, tendo o Ministério da Saúde detectado também a presença do poliovírus.

O relatório denuncia que atualmente as pessoas deslocadas não recebem mais de 3 litros de água potável por dia, ao passo que a água disponível para outros fins diminuiu de 80 litros para 15/20 litros por pessoa ao dia.

As ONGs alertaram que a contaminação chega também, agora, aos reservatórios subterrâneos, que são a principal fonte de água para consumo através de alguns poços municipais que ainda restam ou outros de propriedade privada.

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