28 Junho 2025
Enquanto o governo Trump mobilizava os republicanos do Senado para aprovar o amplo projeto de lei do presidente, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA condenou veementemente seus cortes propostos aos benefícios do Medicaid, ao Programa de Assistência Nutricional Suplementar e aos subsídios ao seguro saúde para financiar isenções fiscais que beneficiarão principalmente os americanos mais ricos.
A reportagem é de Debadrita Sur, publicada por National Catholic Reporter, 27-06-2025.
"Tira-se dos pobres para dar aos ricos", disse o arcebispo Timothy Broglio, presidente da conferência episcopal, em um comunicado à imprensa que acompanhou a carta da USCCB divulgada em 26 de junho.
O projeto de lei, que o Senado dos EUA deve votar antes do recesso do Congresso em 4 de julho, "oferece incentivos fiscais para alguns, enquanto prejudica a rede de segurança social para outros por meio de grandes cortes na assistência nutricional e no Medicaid", disse Broglio no comunicado.
A Câmara dos Representantes aprovou o chamado Projeto de Lei Único, Grande e Bonito, em 22 de maio por 215 votos a 214, majoritariamente partidários.
Analistas afirmam que as propostas do projeto de lei poderiam reduzir o financiamento do Medicaid em até US$ 880 bilhões ao longo de 10 anos. Isso poderia retirar a cobertura de saúde de até 16 milhões de americanos e levar a cerca de 50.000 mortes evitáveis a cada ano, de acordo com um relatório divulgado em 25 de junho.
O presidente Donald Trump afirmou que o projeto de lei reduzirá a carga tributária dos americanos, eliminará impostos sobre gorjetas e consolidará os cortes de impostos propostos por seu primeiro governo.
Em uma carta de 20 de maio endereçada aos senadores dos EUA e membros da Câmara, a conferência episcopal pediu aos legisladores que reconsiderassem "disposições que prejudicarão os pobres e desfavorecidos, bem como nossos irmãos e irmãs imigrantes".
A carta da USCCB aos senadores, de 26 de junho, abordou as preocupações dos bispos sobre como o projeto de lei proposto "impacta o bem comum". O comunicado dos bispos, de 26 de junho, pedia mudanças no projeto para "proteger os mais necessitados".
A carta foi assinada pelos presidentes dos comitês da USCCB.
Uma porta-voz da conferência episcopal não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A linguagem mais forte dos bispos ecoa críticas anteriores de religiosas, que no início desta semana se reuniram no Capitólio para expressar sua indignação.
" A 'grande e bela lei' não é bonita ", disse Karen Burke, Irmã de São José, no evento de 24 de junho. "É prejudicial. É injusto e vai contra tudo em que acreditamos como religiosas católicas."
Em um comentário recente, o padre jesuíta Tom Reese criticou os bispos dos EUA pela falta de críticas públicas unificadas aos cortes propostos.
A carta citou o apelo do Papa Leão XIV, em 21 de junho, aos legisladores para que trabalhassem em prol do bem comum, "trabalhando para superar a desproporção inaceitável entre a imensa riqueza concentrada nas mãos de poucos e os pobres do mundo".
O projeto de lei não protege famílias e crianças ao impor medidas repressivas abrangentes contra a imigração e eliminar proteções legais, escreveram eles. Eles também criticaram propostas para cortar programas de energia limpa e iniciativas ambientais.
Os bispos pediram aos legisladores "que pensem e ajam com coragem e criatividade para preservar a dignidade humana e defender o bem comum e mudar as disposições que minam esses valores fundamentais".
A carta citou a estimativa do Congressional Budget Office de que o projeto de lei causaria um déficit de US$ 3 trilhões na próxima década, enquanto cortes no Medicaid, cupons de alimentação e outros programas de previdência social resultarão em US$ 1 trilhão em redução de gastos do governo.
"Mesmo assumindo possíveis benefícios econômicos, os pobres não deveriam ser os financiadores dessas mudanças, agora ou no futuro", dizia a carta.
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