Alessandro Barbero: “Francisco de Assis, um santo inimitável”

Foto: Blog Carisma Franciscano

Mais Lidos

  • Zohran Mamdani está reescrevendo as regras políticas em torno do apoio a Israel. Artigo de Kenneth Roth

    LER MAIS
  • “Os discursos dos feminismos ecoterritoriais questionam uma estrutura de poder na qual não se quer tocar”. Entrevista com Yayo Herrero

    LER MAIS
  • Os algoritmos ampliam a desigualdade: as redes sociais determinam a polarização política

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

06 Junho 2024

Ele amava os animais e pregava aos pássaros, mas era antes de tudo um mercador do século XIII transformado em mendigo revolucionário e imperfeito. Este é o São Francisco de Assis contado por Alessandro Barbero ontem no Teatro Carignano, de Turim, para o Festival da Economia.

A reportagem é de Francesco Rigatelli, jornalista, publicada por La Stampa, 01-06-2024.

A reconstrução das fontes franciscanas, do primeiro biógrafo oficial Tomás de Celano até mais respeitado Boaventura de Bagnoregio, é enriquecido pelo historiador com anedotas e testemunhos menos conhecidos dos frades que o conheceram e que retrataram o seu aspecto mais franco. "Começando pelo famoso encontro com o lobo de Gubbio, que nunca teria acontecido. Assim como a história do leproso seria muito diferente: primeiro o expulsou da mesa, depois se arrependeu e compartilhou o mesmo prato com ele. E a sua ideia de pobreza extrema foi seguida com dificuldade pelos franciscanos que o consideravam inimitável. Segundo ele, não se poderia nem sequer possuir livros ou aceitar doações".

Além disso, Francisco “nunca sonhou em convidar toda a Igreja à pobreza. Ele a perseguia pessoalmente e encorajava seus seguidores a fazê-lo. Dizia que quando um frade tem apenas uma batina, uma corda como cinto e uma roupa de baixo é suficiente". E quando ele descobriu que seus padres "estavam construindo uma casa mais bonita para a ordem ficou muito bravo, pois era capaz de grandes acessos de fúria. Ele também não queria que os franciscanos tivessem uma carreira na Igreja, mas existiram, e bastante, prelados de sua ordem na história".

Por que existem tantas diferenças entre o homem e o santo que chegou até nós? “Foram justamente os seus que o exaltaram quase como Cristo e o tornaram inimitável para não ter que replicar o seu exemplo. No início, segui-lo significava mendigar ou trabalhar sem receber, pedindo apenas comida em troca. Depois surgiram tantos problemas entre seus companheiros que ele desistiu da liderança da ordem”. Após a sua morte, os franciscanos se dividiram em menores (que seguiam os seus passos) e conventuais (que interpretavam seus ensinamentos de forma mais suave). Uma distinção que perdura até hoje e à qual se somaram os ainda mais rígidos capuchinhos.

Leia mais