Martin Scorsese lamenta a atual situação “brutal e inóspita para a arte”

Martin Scorsese na estréia do filme "Shutter Island" no 60º Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2010 (Fonte: Wikipédia)

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07 Novembro 2019

O cineasta Martin Scorsese defendeu, na segunda-feira, no jornal The New York Times, suas recentes críticas ao universo cinematográfico da Marvel e foi além, ao afirmar que tais filmes destinados ao “entretenimento” estão prejudicando o cinema, entendido como uma “arte”.

A reportagem é publicada por El Diario, 05-11-2019. A tradução é do Cepat.

“A situação, lamentavelmente, é que agora temos dois campos separados: existe entretenimento audiovisual mundial e há cinema. Ainda que de vez em quando (esses dois campos) se sobrepõem, mas isso está se tornando cada vez mais raro. E temo que o domínio financeiro de um esteja sendo utilizado para marginalizar e até menosprezar a existência do outro”, argumentou.

Em uma coluna publicada no jornal The New York Times, Scorsese defendeu os comentários que fez, em inícios de outubro, em uma entrevista à revista Empire.

“Fizeram-me uma pergunta sobre os filmes da Marvel. Eu respondi. Disse que tentei ver alguns deles e que não são para mim, que no meu parecer estão mais próximos dos parques temáticos que dos filmes, do modo como os conheci e amei durante toda a minha vida. E que, por fim, não acredito que sejam cinema”, insistiu hoje.

As declarações de Scorsese à revista Empire desencadearam uma agitação entre grandes diretores de Hollywood como Francis Ford Coppola, Joss Whedon e James Gunn, que expressaram suas diferenças pelo valor artístico e o significado dos filmes de super-heróis, que vivem uma era de ouro.

Desta vez, Scorsese explicou que se as produções de super-heróis não lhe interessam, é uma questão de “gosto pessoal” e porque, por razões geracionais, entende o cinema de outra maneira.

“Para mim, para os cineastas a quem cheguei a amar e respeitar, para meus amigos que começaram a fazer filmes quase ao mesmo tempo que eu, o cinema tratava de revelação: revelação estética, emocional e espiritual. Tratava de personagens: a complexidade das pessoas e sua natureza contraditória e, às vezes, paradoxal, a maneira como elas podem machucar umas as outras e, de repente, se deparar face a face com elas mesmas”, escreveu Scorsese.

“Tratava-se - acrescentou - de confrontar o inesperado na tela e na vida, que se dramatizava e interpretava, (buscava-se) ampliar o sentido do que era possível na forma de arte. E essa foi a chave para nós: era uma forma de arte”.

Scorsese reconheceu que o mundo do cinema mudou muito nos últimos 20 anos e apresentou como exemplo as franquias, como a Marvel, nas quais a natureza dos filmes obedece a “uma pesquisa de mercado, testes com a audiência, (filmes) examinados, modificados, revisados e remodelados até que estejam prontos para o consumo”.

O cineasta, que acaba de estrear “O Irlandês”, na Netflix, reconheceu ao final da coluna que suas próprias palavras sobre o estado atual do cinema o enchiam de “terrível tristeza”.

“Para qualquer um que sonhe em fazer filmes ou que esteja apenas começando, a situação neste momento é brutal e inóspita para a arte”, concluiu.

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