08 Junho 2026
A Autoridade Palestina condenou no domingo o assassinato de um bebê de sete meses em Hebron, na Cisjordânia ocupada, pelo exército israelense em um ataque no qual soldados também feriram os pais do bebê após abrirem fogo contra o carro em que viajavam.
A reportagem é publicada por El Diario, 07-06-2026.
O Ministério da Educação, com sede em Ramallah, expressou suas condolências e desejou uma rápida recuperação aos pais do menino, ambos professores da Universidade Palestina Ahliya, em Belém.
O Ministério destacou que o crime contra essa família faz parte de um “padrão contínuo de violações cometidas pela ocupação israelense contra o povo palestino, incluindo a comunidade educacional e acadêmica, em meio ao silêncio internacional e à falta de medidas eficazes para proteger civis e garantir a responsabilização”.
“O ataque a uma família civil, a morte de um bebê e os ferimentos graves sofridos por seus pais constituem mais uma prova da magnitude da tragédia diária sofrida pelo povo palestino”, acrescentou o comunicado.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores condenou o ataque realizado por dezenas de colonos israelenses que feriram pelo menos nove pessoas no sábado em Huwara, ao sul de Nablus, também na Cisjordânia, vandalizaram casas e o prédio da prefeitura, danificaram vários veículos e roubaram um carro, uma bicicleta e cerca de 35 ovelhas.
“Este ataque reflete uma política sistemática de facilitação do terrorismo e da intimidação dos colonos contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-los à força de suas terras e consolidar a expansão dos assentamentos”, diz um comunicado divulgado neste domingo.
Ambas as declarações responsabilizam a comunidade internacional pelas contínuas violações do direito internacional humanitário e do direito internacional, tanto por parte do Estado de Israel como por indivíduos e grupos de colonos que operam de forma autônoma.
Fahd Abu Heikal carrega o corpo de seu filho bebê Sam, que foi executado por Israel por ser palestino pic.twitter.com/hqAdBQafQE
— Stefani Costa (@sttefanicosta) June 6, 2026
Nove mortos em Gaza
Nove pessoas morreram neste domingo em Gaza, em um dia marcado por diversos bombardeios israelenses, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025.
No primeiro ataque, cinco pessoas foram mortas e outras 17 ficaram feridas em um ataque do exército israelense a um posto policial no campo de deslocados internos de Mawasi, no sul da Faixa de Gaza, uma área densamente povoada, informou o necrotério do Hospital Nasser.
Durante a maior parte da ofensiva, Israel designou Mawasi como uma “zona humanitária”, para a qual ordenou sistematicamente que a população se mudasse. Essas ordens transformaram a área costeira em um acampamento de tendas que acabou abrigando cerca de 400 mil pessoas, onde a população vivia em condições de superlotação, marcadas pelo acúmulo de lixo, falta de água potável e ausência de eletricidade.
Algumas horas depois, mais quatro pessoas, duas delas mulheres, foram mortas na zona oeste da Cidade de Gaza em outro ataque israelense contra um veículo estacionado perto de uma escola que abrigava pessoas deslocadas.
Os ataques de domingo ocorrem após um sábado em que Israel matou outros 13 habitantes de Gaza em ataques separados.
Apesar do cessar-fogo, o exército israelense continuou a bombardear a Faixa de Gaza ocasionalmente e, nas últimas semanas, intensificou seus ataques, alegando ter como alvo altos funcionários do Hamas.
Paralelamente a essas ofensivas, Gaza e Israel estão tentando avançar para a segunda fase da trégua atual com uma nova rodada de negociações realizada no Egito entre uma delegação do movimento islâmico Hamas — que governa a Faixa de Gaza —, autoridades egípcias e representantes dos mediadores catariano e americano.
Mais de 960 habitantes de Gaza foram mortos em ataques do exército israelense desde o início do cessar-fogo em 10 de outubro de 2025, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave, e o número total de mortes ultrapassa 72.900 desde que Israel lançou sua ofensiva em outubro de 2023, em retaliação ao ataque liderado pelo Hamas em seu território.
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