“Os direitos individuais e coletivos dos povos indígenas são inegociáveis”, diz António Guterres no Fórum Permanente da ONU

Foto: Mayke Toscanos | Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

23 Abril 2025

O secretário-geral da ONU participou da abertura da 24ª Sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas

A informação é da assessoria de comunicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 22-04-2025.

O secretário-geral da ONU António Guterres declarou nesta segunda-feira (21), durante a abertura da 24ª Sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas (UNPFII), que “os direitos individuais e coletivos dos povos indígenas são inegociáveis. Nem hoje, nem nunca”.

A fala de Guterres, no contexto do Estado brasileiro, se soma a cinco relatorias da ONU que no ano passado e neste ano se posicionaram de forma contrária ao marco temporal e com ressalvas à Câmara de Conciliação aberta pelo ministro Gilmar Mendes.

Nela se negocia adequações à Lei 14701/23, a Lei do Marco Temporal, inconvenientes aos povos indígenas, obliterando o que o STF definiu em 2023: o marco temporal é inconstitucional.

Em agosto do ano passado, a Articulação dos Povos Indígenas (Apib) se retirou da conciliação. A entidade entendeu que os direitos dos indígenas são inegociáveis e não há paridade no debate. Ao mesmo tempo, a Lei do Marco Temporal sequer foi suspensa pelo ministro e sua vigência tem promovido violações de direitos humanos e territoriais.

A vigência da Lei do Marco Temporal e a negociação de direitos indígenas no âmbito do STF, somada à insuficiente regularização de terras indígenas pelo governo federal, têm colocado o Estado brasileiro em uma posição delicada diante de suas obrigações com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Declaração das Nações Unidas: um chamado urgente

O tema desta sessão é a “Implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP, na sigla em inglês) nos Estados-Membros das Nações Unidas e no sistema das Nações Unidas, incluindo a identificação de boas práticas e a abordagem de desafios”.

Guterres lembrou ainda que a Declaração das Nações Unidas é resultado do multilateralismo, que, em termos de relações internacionais, refere-se à cooperação entre países para alcançar objetivos comuns, geralmente através de organizações internacionais ou acordos.

No entendimento do secretário-geral da ONU, houve avanços com relação à implementação da UNDRIP entre os Estados-membros. Ocorre que para Guterres é preciso “mais participação dos povos indígenas nas Nações Unidas. Este período se centra na aplicação da Declaração Universal. É um chamamento urgente à ação”.

No pronunciamento, o secretário-geral da ONU reforçou o protagonismo das mulheres indígenas na defesa dos direitos dos povos: “as mulheres indígenas precisam ter a participação política garantida (…) temos de garantir o acesso a direitos e meios de vida”.

Financiar a defesa do meio ambiente

Para Guterres, os povos indígenas estão à frente do combate às mudanças climáticas. “São os principais defensores do meio ambiente em compromisso com a harmonia entre os seres humanos e a terra. O mundo precisa aprender com a sabedoria dos povos originários para fazer frente aos desafios que existem”, disse.

“Os povos indígenas estão na linha de frente da mudança climática, da poluição e da perda de biodiversidade”, frisou Guterres, “apesar de não terem feito nada para criar essas crises e tudo para tentar impedi-las”.

Para ele, em vista do papel desempenhado pelos povos originários, é necessário ampliar as fontes de financiamento de projetos relacionados a essa defesa realizada nas aldeias. Sobretudo diante das demandas de cadeias produtivas em novo contexto de exploração econômica.

O secretário-geral reforçou que o assédio às terras e aos territórios indígenas ganhou novos contornos com a transição energética e a corrida aos minerais críticos. “Instamos os países e empresas a colaborar conosco sobre as recomendações do Painel sobre Minerais Críticos (…) A participação dos indígenas é essencial”, declarou.

Guterres afirmou que é preciso reforçar o Fórum Permanente “em um alto nível de participação (…) governos precisam estar atentos ao que afeta os indígenas e em cumprir suas obrigações de implementação da Declaração das Nações Unidas”.

Leia mais