“Bons católicos”, poucos familiarizados com a história

Donald Trump e J.D. Vance (Foto: Wikimedia Commons)

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28 Fevereiro 2025

O amor cristão não é uma expansão concêntrica de interesses que se estendem pouco a pouco a outras pessoas e grupos”. Isso é o que diz o Evangelho, e não um daqueles “messias” avulsos (faltou a Cientologia...) reunidos dias atrás na Casa Branca.

Muito “trumpiano”, diríamos hoje.... E nem é preciso dizer que entre os piores para os persas, tanto naquela época quanto agora, distantes como são, estariam os estadunidenses. Que brincalhona é a história...

O artigo é de Gian Antonio Stella, jornalista, publicado por Corriere della Sera, 27-02-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Determinado a mostrar que é um bom católico, o vice de Donald Trump, James David Vance, aquele que anos atrás escreveu no Twitter que estava indeciso ”entre pensar se Trump é um cínico idiota como Nixon, o que não seria tão ruim (. ...) ou se ele é o Hitler dos EUA”, disse a Sean Hannity, da Fox News: ”Existe essa velha escola (acho que é um conceito muito cristão, a propósito) de que você ama sua família e depois ama seu vizinho e depois ama sua comunidade e depois ama seus concidadãos em seu próprio país. E então, depois disso, você pode se concentrar e dar prioridade ao resto do mundo”.

Depois disso, criticado por várias partes sobre os valores evangélicos, ele apelou para Santo Agostinho no X: “Basta pesquisar no Google ‘ordo amoris’...”. Até que foi cortado, sem um aceno à pessoa, diretamente pelo Papa Francisco: “Os cristãos sabem muito bem que só afirmando a dignidade infinita de todos é que a nossa própria identidade como pessoas e como comunidade atinge a sua maturidade. O amor cristão não é uma expansão concêntrica de interesses que se estendem pouco a pouco a outras pessoas e grupos”. Isso é o que diz o Evangelho, e não um daqueles “messias” avulsos (faltou a Cientologia...) reunidos dias atrás na Casa Branca.

O amor em círculos concêntricos, se realmente quiser, J.D. Vance pode encontrá-lo. Não nos Evangelhos e muito menos em Agostinho ou no Google, mas no primeiro livro das Histórias de Heródoto: “Quando dois persas se encontram na rua, é possível determinar se eles são da mesma posição: nesse caso, em vez de se cumprimentarem, eles se beijam na boca; mas se um deles for de posição ligeiramente inferior, eles se beijam nas bochechas; se a diferença de posição for considerável, o inferior se joga aos pés do outro e se prostra. Depois deles mesmos, os persas, de todas as pessoas, em primeiro lugar têm estima pelos que estão mais próximos, depois os que estão imediatamente mais distantes, e assim por diante, proporcionalizando a estima à distância: eles se consideram, sob todos os pontos de vista, os melhores homens, enquanto os outros, segundo eles, se atêm à virtude em proporção inversa: e, portanto, aqueles que habitam lugares mais distantes seriam os piores”.

Muito “trumpiano”, diríamos hoje.... E nem é preciso dizer que entre os piores para os persas, tanto naquela época quanto agora, distantes como são, estariam os estadunidenses. Que brincalhona é a história...

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