A concentração de CO2 na atmosfera continua crescendo em ritmo acelerado. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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13 Janeiro 2025

"Se as emissões de carbono continuarem em sua trajetória atual, a atmosfera poderia atingir um estado não visto em 50 milhões de anos", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia, em artigo publicado por EcoDebate, 13-01-2025.

Eis o artigo.

O mundo continua emitindo gases de efeito estufa e, consequentemente, a concentração de CO2 na atmosfera continua aumentando e acelerando o ritmo de avanço do aquecimento global, agravando as consequências desastrosas sobre o bem-estar da civilização e da vida na Terra.

A concentração de CO2 na atmosfera atingiu 421,9 partes por milhão (ppm) em dezembro de 2023 e deu um salto para 425,4 ppm em dezembro de 2024, de acordo com dados da National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA). É importante destacar que existem variações sazonais, com um pico geralmente em maio e um vale em setembro.

O gráfico abaixo ilustra o aumento ocorrido no último ano, revelando um ritmo impressionante de escalada. Essa tendência é preocupante, uma vez que o mundo precisa reduzir a concentração de CO2, e não vê-la aumentar em 3,5 ppm ao longo de apenas 12 meses. Tudo indica que a concentração de CO2 na atmosfera ultrapassará 430 ppm em maio de 2025.

Reprodução: EcoDebate

O aumento do efeito estufa é preocupante. As emissões globais de CO2 que estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram cerca de 50 bilhões de toneladas em 2024.

Em consequência, a concentração de CO2 que manteve uma média entre 200 e 300 ppm durante mais de 800 mil anos, começou a subir no século XIX, atingiu 300 ppm em 1920, chegou a 310 ppm em 1950, alcançou 350 ppm em 1987, registrou 400 ppm no ano do Acordo de Paris, em 2015, e marcou o recorde de cerca de 427 ppm em maio de 2023. Portanto, a concentração continuou subindo mesmo após a assinatura do Acordo de Paris.

O aumento da concentração de CO2 na atmosfera contribuiu para o fato de os últimos 10 anos (2015 a 2024) terem sido os mais quentes já registrados no Holoceno. E os anos de 2023 e 2024 foram os mais quentes dos últimos 125 mil anos, desde o último período interglacial. Espera-se um certo recuo no ano de 2025 em relação aos últimos 2 anos, mas com temperaturas acima de todos os anos entre 2015 e 2022.

Portanto, o dramático é que o efeito estufa está se acelerando. Artigo de Gavin L. Foster e colegas, publicado na Nature Communications (04/04/2016) mostra que o mundo caminha para um aquecimento potencial sem precedentes em milhões de anos. Os atuais níveis de dióxido de carbono são inéditos na história humana e estão no caminho inexorável para subir às alturas.

Se as emissões de carbono continuarem em sua trajetória atual, a atmosfera poderia atingir um estado não visto em 50 milhões de anos. Naquela época, as temperaturas globais eram até 10° C mais quentes e os oceanos eram dramaticamente mais altos do que hoje. A pesquisa que originou o artigo compilou 1.500 estimativas de dióxido de carbono para criar uma visão que se estende por 420 milhões de anos.

A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém (PA), em novembro de 2025, será um momento definidor para a mitigação da emergência climática. O aumento das emissões de gases de efeito estufa leva ao aquecimento global que torna amplas áreas da Terra inóspitas e inabitáveis. A crise climática e a destruição da biodiversidade são os dois principais vetores que representam uma ameaça existencial ao futuro da civilização humana.

Surpreendentemente, o início de 2025 começa com novos recordes de temperatura e extremos climáticos. Enquanto as nevascas paralisaram vários países do Norte, os incêndios ocorridos no início de janeiro de 2025 na região de Los Angeles, na Califórnia, mostra que a catástrofe climática não distingue ricos e pobres e já está afetando o conjunto da humanidade. O momento exige determinação e uma verdadeira mitigação do aquecimento global.

A COP30 de Belém precisa ser bem-sucedida para garantir um mínimo de esperança para a sobrevivência das espécies no Planeta, incluindo os seres humanos que estarão sujeitos à extinção em massa caso as tendências atuais do clima confirmarem o processo de aceleração do aquecimento global.

Referências:

ALVES, JED. 2024 teve a temperatura mais alta do Holoceno e recorde de degelo no Ártico, Ecodebate, 06/01/2025 

ALVES, JED. Aula 11 AM088: Decrescimento demoeconômico e capacidade de carga do Planeta, IFGW, 11/04/21 

ALVES, JED. Crescimento demoeconômico no Antropoceno e negacionismo demográfico, Liinc em Revista, RJ, v. 18, n. 1, maio 2022 

Gavin L. Foster, Dana L. Royer & Daniel J. Lunt. Future climate forcing potentially without precedent in the last 420 million years, Nature Communications 8, Article number, 04/04/2016

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