Concentração de gases de efeito estufa na atmosfera bateu recorde em 2023

Foto: Piet Keitel | Unsplash

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29 Outubro 2024

“Mais um ano, mais um recorde. Isso deveria soar como um alarme para os tomadores de decisão. Estamos claramente fora do caminho para atingir a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C e almejar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.”

A informação é publicada por ClimaInfo, 29-10-2024.

A fala da secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, soa como um desabafo e resume o Boletim Anual de Gases de Efeito Estufa, lançado pela entidade na 2ª feira (28/10). O documento mostra que em 2023 o planeta bateu novo recorde de concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. E com os países evitando sequer falar da eliminação da exploração e da queima de combustíveis fósseis, a principal fonte dessas emissões, a tendência é de piora das mudanças climáticas, com eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.

A concentração média global de CO2 atingiu 420 partes por milhão (ppm) no ano passado; a de metano 1.934 partes por bilhão (ppb); e de óxido nitroso 336,9 ppb. Esses valores são respectivamente 51%, 165% e 25% acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial, quando a Humanidade começou a queimar grandes quantidades de petróleo, gás fóssil e carvão. Segundo a OMM, o acúmulo de CO2 tem sido mais rápido “do que em qualquer outra época da existência humana”, com um aumento de 11,4% em duas décadas, informa a Folha.

“No decorrer de 2023, grandes incêndios de vegetação, emissões de CO2 e uma possível redução na absorção de carbono pelas florestas, combinadas com emissões insistentemente altas de CO2 de combustíveis fósseis de atividades humanas e industriais impulsionaram o aumento” dos níveis, ressalta o boletim, em destaque feito pelo Um Só Planeta.

“Esses números são mais do que simples estatísticas. Cada parte por milhão e cada fração de aumento na temperatura tem um impacto real em nossas vidas e em nosso planeta”, destacou Celeste. Por isso a organização alerta que o aquecimento pode desencadear retroalimentações climáticas que são “preocupações críticas” para a sociedade, como incêndios florestais mais intensos, que liberam mais carbono – Pantanal e Amazônia são exemplos recentes disso, ainda que a maior parte do fogo tenha origem criminosa – e oceanos mais quentes, que absorvem menos CO2, detalha o Guardian.

O estudo serve como complemento para o relatório divulgado pelo PNUMA na semana passada, que mede as emissões anuais de GEE. No caso da OMM, o foco é quanto dessas emissões permanecem concentradas na atmosfera.

CBS, Business Green, SCMP, Terra, SBT e g1 também repercutiram o boletim da OMM.

Em tempo: Na presidência do G20, a proposta de taxar os bilionários como forma de financiar a transição energética não é aleatória. As altas emissões de carbono do 1% mais rico do mundo estão agravando a fome e a pobreza e aumentando as mortes, reforça um relatório da OXFAM detalhado pelo Guardian. Se todos na Terra emitissem gases de efeito estufa na mesma taxa que um bilionário “médio”, o orçamento de carbono restante para permanecer dentro do limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris acabaria em menos de dois dias, em vez das estimativas atuais de quatro anos se as emissões de carbono permanecerem como estão hoje. O consumo das pessoas mais ricas do mundo envolve iates de luxo, jatos particulares e investimentos em indústrias poluentes – como a dos combustíveis fósseis, por exemplo. É possível que as emissões do 1% mais rico da população global sejam ainda mais acentuadas. Pesquisas sugerem que esse grupo é responsável por cerca de 15% a 20% das emissões globais de carbono. Além disso, os 10% mais ricos respondem por metade das emissões.

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