“A água está contaminada e as crianças estão doentes”. Parem com este inferno

(Foto: UNI448902 | Ajjour | UNICEF)

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31 Outubro 2023

Vocês devem gritar, gritar bem alto, com a sua voz, serem nossos megafones. Digam aos governantes, a todos, que parem com esta guerra, que parem as violências. Chegamos a um ponto insustentável." Esse é o apelo da Irmã Nabila Saleh, diretora da Escola Católica das Irmãs do Rosário em Tel el-Hawa, um bairro no centro da Faixa de Gaza. Nabila é de origem egípcia, mas vive na Cisjordânia desde 2006. Nos últimos dias, como muitos outros, lota a pequena igreja da Sagrada Família, o único ponto de referência cultural para os católicos na Faixa. Aqui, segundo os últimos dados, vivem 1.077 cristãos, dos quais 127 são católicos.

A reportagem é de Nello Del Gatto, publicada por La Stampa, 30-10-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nestes dias, a Igreja Católica também acolhe refugiados da igreja ortodoxa de São Porfirio, a mais antiga de Gaza, danificada por um bombardeio há dez dias, que provocou a queda de uma estrutura vizinha, causando a morte de 18 pessoas. “Somos mais de setecentos – explica a Irmã Nabila – temos de tudo, mulheres, crianças, idosos, doentes. Tentamos fazer o nosso melhor, mas é difícil, não temos mais nada”. Hoje (dia da entrevista) foi o domingo de celebração da Beata Virgem Maria, Rainha da Palestina.

“Passámos o dia como sempre – continua a freira das Irmãs do Rosário – tentando dar uma aparência de normalidade. Missa de manhã e à noite, com rosário no meio. Devemos seguir em frente, o Senhor é o único que nos dá forças”. "Refugiados? A maioria quer dormir na igreja. Outros dormem em outras estruturas da paróquia. Temem que aconteça aqui como na paróquia ortodoxa de São Porfírio, acreditam que o único lugar seguro é a própria igreja. Mesmo que dormir seja uma palavra exagerada. Sentimos os bombardeios até dentro das nossas casas.

Durante o dia tentamos comprar alguma coisa para comer nos poucos mercados abertos, tentamos pegar o que é possível encontrar, realmente pouco. Com a graça e a misericórdia de Deus, conseguimos alimentar os nossos hóspedes. Mas não sei quanto tempo isso vai durar. Temos apenas dois dias de reserva de combustível. Depois não teremos mais eletricidade e os painéis solares estão danificados”. A Igreja da Sagrada Família recebeu uma ordem de evacuação. Mas as pessoas não sabem para onde ir e não querem sair de um local considerado seguro.

Ontem, o centro cultural e a escola ortodoxa, que acolhem mais de 2.000 refugiados, incluindo não-cristãos como a Sagrada Família, também receberam ordem de evacuação. “A nós não importa qual seja a sua religião – continua a Irmã Nabila – para nós são todos irmãos. Gostaríamos de ajudar mais, mas não temos nada a oferecer além de um pouco de conforto.

Procuramos estar próximos das pessoas pelo menos com o telefone, com mensagens, para que não se sintam sozinhos aqueles que nos procuraram, mas com as comunicações que não funcionam é difícil. Tememos que seja uma guerra longa e angustiante. Tentamos fazer com que especialmente as crianças, que estão com medo, se sintam bem. Organizamos jogos e atividades para mantê-las em movimento, para lhes dar uma aparência de normalidade. Levo algumas delas comigo ao mercado. Temos aulas, para quem é cristão continuamos o catecismo, as orações. Nos conectamos com nosso pároco em Belém. Também temos crianças órfãs, algumas tiveram um dos pais morto e o outro está no hospital. Temos pessoas doentes. Precisamos de tudo. Compramos um pouco de água para matar a sede e não era boa, todo mundo ficou doente. Eu – conclui a freira, estou aqui há anos, mas nunca vi uma situação como essa. Ajude-nos."

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