Periferia, carisma e harmonia: magistério e opiniões do Papa Francisco

Papa Francisco no 2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Foto: Agencia Boliviana de Información

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Abril 2023

Algumas falas recentes do Papa Francisco ajudam a aprofundar os horizontes indicados pelo seu magistério.

A nota é de Il Sismografo, 06-04-2023. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Afinal, aqui dentro, todos roubam”

Relatando o conteúdo do documentário da Disney+ “Amén. Francisco responde”, produção assinada por Jordi Évole e Màrius Sánchez, o L’Osservatore Romano do dia 5 de abril escreve:

“Com uma certa dose de ironia, ele explica aos jovens que, quando vê que uma organização social precisa de ajuda econômica, ele mesmo a encoraja a pedir recursos, pois sabe muito bem onde encontrá-los e a quem se dirigir. ‘Peçam’, eu digo a eles, porque no fim, aqui dentro, todos roubam! Por isso, eu sei onde se pode roubar, e eu lhe mando o dinheiro. Com isso, quero dizer que, quando vejo que é preciso ajudar alguém, então, sim, eu vou e peço ao responsável pelas ajudas’, afirma o pontífice.

“Quando a conversa passa para a questão do abandono da comunidade eclesial por parte de muitos católicos, Francisco propõe um de seus temas mais recorrentes: as periferias.

“‘Quando não há testemunho, a Igreja se enferruja, porque se transforma em um clube de gente de bem, que faz seus próprios gestos religiosos, mas não tem a coragem de sair para as periferias. Para mim, isso é fundamental. Quando você olha a realidade a partir do centro, sem querer, você ergue barreiras de proteção, que lhe afastam da realidade, e você perde o senso da realidade. Se você quer ver qual é a realidade, vá para as periferias. Quer saber o que é a injustiça social? Vá para a periferia. E quando eu digo periferia, não estou falando só de pobreza, mas também de periferias culturais, existenciais’, ressalta.”

(L’Osservatore Romano, 05-04-2023)

* * *

“Um tapa no Espírito Santo”

“Um seminário de quatro, cinco, 10 não é um seminário, não se formam seminaristas; um seminário de 100 é anônimo, não forma os seminaristas... São necessárias pequenas comunidades, mesmo dentro de um grande seminário, ou um seminário à medida humana; que seja o reflexo do colégio presbiteral. É um discernimento que não é fácil de fazer, não é fácil. Mas deve ser feito e devem ser tomadas decisões sobre isso. Não será Roma que dirá o que vocês devem fazer, porque são vocês que têm o carisma. Nós damos as ideias, as orientações, os conselhos, mas são vocês que têm o carisma, são vocês que têm o Espírito Santo para isso. Se Roma começasse a tomar as decisões, seria um tapa no Espírito Santo, que trabalha nas Igrejas particulares.”

(Papa Francisco aos seminaristas da Diocese da Calábria, Sala do Consistório, 27-03-2023)

* * *

“Peca-se contra o Espírito quando nos tornamos um instrumento de divisão”

“Criar harmonia é o que ele deseja, sobretudo por meio daqueles nos quais derramou sua unção. Irmãos, construir a harmonia entre nós não é tanto um bom método para que a estrutura eclesial proceda melhor, não é dançar o minueto, não é uma questão de estratégia ou de cortesia: é uma exigência interna à vida do Espírito. Peca-se contra o Espírito que é comunhão quando nos tornamos, mesmo que por frivolidade, instrumentos de divisão, por exemplo – e voltamos ao mesmo tema – com a fofoca. Quando nos tornamos instrumentos de divisão, pecamos contra o Espírito. E se faz o jogo do inimigo, que não sai a descoberto e ama os boatos e as insinuações, fomenta partidos e corjas, alimenta a nostalgia do passado, a desconfiança, o pessimismo, o medo. Fiquemos atentos, por favor, para não sujar a unção do Espírito e a veste da Santa Madre Igreja com a desunião, com as polarizações, com toda falta de caridade e de comunhão. Lembremos que o Espírito, o ‘nós de Deus’, prefere a forma comunitária: isto é, a disponibilidade antes que as próprias exigências, a obediência antes que os próprios gostos, a humildade antes que as próprias reivindicações.”

(Santa Missa Crismal na Basílica Vaticana, homilia do Santo Padre, 06-04-2023)

Leia mais