Elon Musk queria silenciar sua ex por US$ 40 milhões

Elon Musk (Foto: Wikimedia Commons)

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09 Setembro 2026

A influenciadora falou sobre política e criticou a total falta de empatia do empresário para com as pessoas em geral, bem como a forma como seu grupo se vangloriava de definir o resultado das eleições através da rede X.

A informação é publicada por Página/12, 08-09-2026.

A influenciadora e ex-namorada de Elon Musk, Ashley St. Clair, revelou que recusou uma oferta de US$ 40 milhões para manter silêncio sobre seu relacionamento com o bilionário no novo documentário "Musk", dirigido por Alex Gibney. St. Clair já havia rejeitado um acordo de confidencialidade de US$ 15 milhões. O cineasta expressou surpresa com o "medo" em torno do assunto entre as pessoas que contatou sobre a participação no filme.

Em entrevista, St. Clair falou sobre a relação de Musk com a política: “Não podemos ignorar o que ele está fazendo com o algoritmo do X. É um confronto deliberado que não corresponde à realidade, embora se espalhe, e pode ser catastrófico se não for regulamentado ou contido.” Ela acrescentou que Musk está “alimentando as chamas” e “semeando a divisão deliberadamente”.

A mulher aprofundou-se na psicologia do empresário: “Ele tem relacionamentos complicados, mas o mais complicado é com a realidade. Ele escolhe conscientemente não se colocar no lugar dos outros. É uma rejeição deliberada da empatia. Ele sempre fala sobre sua infância difícil, e talvez outros aqui também tenham sofrido infâncias difíceis, mas não vejo nenhum de vocês tentando dominar o mundo.”

A influenciadora disse que, no círculo íntimo de Musk, havia conversas casuais sobre a capacidade técnica e financeira de "manipular" ou influenciar as eleições presidenciais a favor de Donald Trump por meio das operações de campanha da empresa X. Ela acrescentou: "Sinto remorso. Promovi essas crenças por causa da minha juventude e das pessoas com quem convivia na época."

No Festival Internacional de Cinema de Veneza, St. Clair, mãe de um dos 14 filhos do magnata, revelou as condições que Musk tentou impor a ela: "Eles me ofereceram a oportunidade de ficar em silêncio por US$ 40 milhões", disse a jovem de 28 anos. "Quando você recebe uma proposta dessas, isso realmente levanta uma questão sobre o que significa sua liberdade de expressão, qual o seu valor e por que eles querem te oferecer essa quantia para ficar calada." A influenciadora também enfatizou que não aceitou a oferta para dar um bom exemplo aos filhos: "Acima de tudo, quero dar um exemplo aos meus filhos de que nunca se deve priorizar o conforto material em detrimento da verdade".

Anteriormente, no programa do YouTube The Don Lemon, St. Clair relatou ter recebido um acordo de confidencialidade que incluía US$ 15 milhões para a compra de uma casa, mais US$ 100.000 por mês durante 21 anos. Segundo seu relato, o acordo foi apresentado por Jared Birchall, gestor financeiro de Elon Musk, por meio de mensagens que desapareciam no aplicativo Signal.

A influenciadora e comentarista política explicou na época que, se assinasse a proposta, "não deveria menosprezar Elon, pois jamais poderia falar sobre nada, incluindo seus funcionários ou parceiros, jamais poderia falar sobre nada por toda a eternidade".

O documentário

Quatro horas não são suficientes para condensar a complexidade da figura do magnata Elon Musk em um documentário, mas o cineasta americano Alex Gibney se dedica a esse exercício em 'Musk', que estreou em Veneza e reconhece suas conquistas empresariais sem esconder seus lados obscuros.

O documentário analisa como o empresário e investidor sul-africano acumulou tanto poder e construiu seu império, desde a criação da empresa de software Zip2 em 1998 até a aquisição de suas três empresas mais importantes: SpaceX, Tesla e X. Inclui imagens de arquivo e entrevistas com pessoas de seu círculo íntimo para tentar oferecer um retrato completo de alguém que angariou uma legião de apoiadores e detratores. Entre eles está o escritor e astrofísico Adam Becker, que afirma no documentário que a maioria das ideias do magnata sobre o futuro "vem da ficção científica".

Becker é um dos poucos que concordaram em falar publicamente. Duas das mães dos quatro filhos de Musk também falaram: sua primeira esposa, Justine Wilson, com quem teve seis filhos, um dos quais já faleceu, e Ashley St. Clair, mãe de um filho.

O documentário destaca o elemento-chave na construção do império de Musk: dinheiro público. O sul-africano, como narra o cineasta no filme, possui dois "superpoderes": a vontade e a capacidade de receber enormes quantias de fundos públicos.

Lori Garver, ex-administradora adjunta da NASA, acrescenta que "existe uma grande lacuna entre o que Musk fez, que é magnífico, e o que ele diz que vai fazer", como enviar humanos a Marte.

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O magnata é elogiado por sua capacidade de tirar projetos do papel e cultivar relacionamentos com a elite política, mas é criticado por suas ilusões de grandeza. Ashley St. Clair relembrou quando Musk lhe enviou a mensagem: "Precisamos ter uma legião de filhos antes da Guerra Civil".

Gibney lembra como Musk enfatizou no passado que tem a missão de salvar a humanidade e não ignora os problemas legais que enfrentou, como a segurança do sistema Autopilot da Tesla, que foi responsabilizado judicialmente por uma morte.

O cineasta documentarista contatou Musk para uma entrevista, mas ele recusou. "Enfrentamos o problema de como abordar o tema central, e isso se tornou uma jornada complexa, porque muito do que Musk diz tem um ar de irrealidade." Para lidar com isso, o diretor usou inteligência artificial, criando um Musk virtual cujas respostas são compiladas a partir de declarações anteriores.

Seu documentário, concluiu ele, tem a intenção de ser “um alerta” sobre a quantidade de poder que foi permitida: “Espero que tenhamos forças para sair da confusão em que nos encontramos”, concluiu Gibney.

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