Arcebispo insta Trump a repensar deportações do Haiti após sequestro em massa e massacre

Foto: Piotr Drabik/Wikimedia Commons

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27 Agosto 2026

Um ataque mortal de gangues perto da capital do Haiti, que deixou dezenas de mortos e sequestrados, deveria levar os EUA a "repensar" o fim das proteções contra deportação para centenas de milhares de haitianos, disse Dom Thomas G. Wenski, arcebispo de Miami, à OSV News.

A reportagem é de Gina Christian, publicada por OSV News e reproduzida por America, 26-08-2026.

O massacre de 23 de agosto, que ocorreu na vila de Kenscoff — localizada nos arredores da capital, Porto Príncipe — deixou mais de 47 mortos e pelo menos 50 sequestrados.

No ano passado, a missionária leiga irlandesa Gena Heraty foi sequestrada do orfanato em Kenscoff que supervisiona e mantida como refém por um mês antes de ser libertada.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou a mais recente onda de violência. Seu porta-voz observou, em um comunicado de 25 de agosto, que 22 vítimas "teriam sido executadas em um complexo religioso onde haviam encontrado abrigo".

“Isso demonstra que o país não é seguro, que o Haiti ainda é uma casa em chamas”, disse Wenski.

Ele acrescentou que "isso deveria levar nossa administração a repensar sua decisão de enviar de volta ao Haiti mais de 300 mil haitianos" que atualmente estão nos EUA sob o agora revogado Status de Proteção Temporária (TPS).

A proteção contra deportação, criada pelo Congresso como parte da Lei de Imigração de 1990, oferece proteção contra deportação para pessoas de países designados pelo Departamento de Segurança Interna que estejam enfrentando crises contínuas, como guerras e desastres ambientais. Mais de 330.000 haitianos nos EUA possuíam proteção do TPS em 2025.

Em 5 de agosto, a juíza do Tribunal Distrital dos EUA, Ana C. Reyes, confirmou a decisão da Suprema Corte de junho que permitiu ao governo Trump encerrar a designação de TPS para o Haiti.

Wenski mencionou um projeto de lei recente em tramitação no Senado que, se aprovado, estenderia o TPS para o Haiti até o início de 2029.

O projeto de lei "seria aprovado com muita facilidade" se o presidente Donald Trump "manifestasse seu apoio", disse o arcebispo.

Ele observou que o ataque mais recente ocorreu "em um dos bairros mais nobres do Haiti", indicando que "as gangues estão obviamente assumindo o controle da área e aterrorizando a população".

Ao mesmo tempo, o prelado americano afirmou que os EUA — que aconselham seus próprios cidadãos a não viajarem para o Haiti devido ao risco de crimes, sequestros, terrorismo e acesso limitado à saúde — estão deportando haitianos para um país onde eles “ficarão expostos à violência das gangues”.

“O Haiti é uma tragédia, e o que estamos fazendo é agravá-la ao tentar mandar essas pessoas de volta”, disse ele.

O próprio processo de deportação gera um sofrimento em cascata, acrescentou ele.

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Com mais de 300 mil haitianos nos EUA sem proteção contra deportação, “mesmo que enviemos alguns aviões por semana, levará vários anos até que consigamos deportar todas essas pessoas”, disse o arcebispo. “E o que acontece nesse meio tempo é que eles perdem suas permissões de trabalho e, na maioria dos casos, suas carteiras de motorista. Então, se não podem trabalhar, não podem pagar o aluguel, não podem comprar comida.”

Segundo ele, os familiares no Haiti que dependem de remessas — os rendimentos enviados por trabalhadores migrantes para sustentar suas famílias em seus países de origem — também ficarão privados de fundos essenciais para a educação de crianças no país caribenho.

“Essas crianças não poderão ir à escola, o que complica ainda mais a situação no Haiti”, falou Wenski.

Ele disse que a Arquidiocese de Miami teve que "dispensar cerca de 45 pessoas que estavam com o TPS, porque não podemos contratá-las legalmente quando sua permissão de trabalho é revogada".

“A ideia é tornar a vida deles um inferno para que voltem ao Haiti”, disse Wenski. “Mas, na verdade, não há nada para onde voltar lá agora, a não ser caos, mais dor e mais sofrimento.”

Wenski disse que, após o ataque de 23 de agosto, conversou com Dom Max Leroy Mésidor, um arcebispo de Porto Príncipe, presidente da Conferência Episcopal Haitiana.

A cidade de Porto Príncipe — da qual cerca de 90% é controlada por cerca de 26 gangues, segundo a ONU — é “o Velho Oeste”, disse o religioso.

Ele falou que Mésidor confirmou que “a maioria das gangues” está na Arquidiocese de Porto Príncipe — mas “a Igreja tem que continuar sua missão nos bons e nos maus momentos”.

“E neste momento, o Haiti está passando por tempos muito difíceis”, disse o arcebispo Wenski

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