Ceuta, o cemitério de migrantes sem nome que sonhavam com a Europa

Foto: Anadolu Agency

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18 Agosto 2026

A partir de amanhã, os primeiros 35 corpos das 83 vítimas da travessia a nado de 30 de julho, no lado espanhol do Mar Mediterrâneo, serão sepultados aqui (segundo ONGs, no total, incluindo o lado marroquino, seriam mais de 140). Ninguém os reclama — apenas três famílias pediram a repatriação dos corpos — e há um número para cada um em suas lápides.

A reportagem é de Benedetta Perilli, publicada por La Repubblica, 17-08-2026.

Trinta e cinco fendas voltadas para o mar, dispostas em fila, bem juntas. Na nova área do cemitério muçulmano de Sidi Embarek, em Ceuta, a partir de amanhã, serão sepultados os primeiros corpos dos 83 migrantes vindos de Marrocos que morreram em águas espanholas durante a travessia a nado de 30 de julho até o enclave. Eles sonhavam com a Europa, e agora permanecerão na Europa para a eternidade, a menos que alguém de seus países de origem os reclame e pague por sua expulsão.

Até o momento, apenas seis foram identificados e, destes, somente três famílias estão dispostas a repatriá-los para Castillejos; os demais permanecem sem nome. "Para conhecer suas histórias, alguém teria que procurá-los", explica Said Mohammed, responsável pelo cemitério muçulmano. Após dezessete dias, ninguém o fez, e assim essas pessoas sem nome — em sua maioria meninos muito jovens com aparência norte-africana, enquanto cerca de vinte são africanos subsaarianos que serão enviados ao cemitério católico — permanecem aqui.

Abaixados nas fendas, os "mkbara", de lado, com o ombro direito apoiado no chão para que se possa sempre estar voltado para Meca. "Mesmo que não haja ninguém no funeral, fazemos como faríamos para qualquer outra pessoa, com o mesmo cuidado com os preparativos e as orações", acrescenta Said. Aqui, é possível reconhecer imediatamente as sepulturas dos migrantes: estão cobertas com montes de terra sem mármore ou telhas, e não têm plantas aromáticas nem bacias de água, como é tradição no Islã para continuar dando vida a outros seres vivos mesmo após a morte; têm apenas um número.

"Alguém tem que pagar pelo que aconteceu, porque é uma tragédia, e se nada for feito, os mais fracos sempre acabam pagando", acrescenta Said, de 51 anos, que trabalha no cemitério há 26 anos, mas diz que ninguém se acostuma com a morte. O restante das obras de ampliação urgente do local continuará nos próximos dias, numa corrida contra o tempo para proporcionar a essas pessoas um enterro digno e resolver o grave problema de saúde relacionado ao avançado estado de decomposição dos corpos. "O projeto de ampliação já estava planejado, mas com essa catástrofe, tivemos que tornar a obra uma emergência." No total, segundo ONGs, mais de 140 migrantes morreram durante a travessia, a maioria esmagada e afogada, mas esses 83 foram encontrados no lado espanhol.

"Antes da avalanche, já havia sete migrantes mortos para serem removidos. Sempre sofremos com a imigração aqui: todos os meses, durante anos, enterramos de dois a três migrantes", diz Said, que lembra como, nos primeiros dias após a avalanche, muitos dormiram dentro do cemitério, mas, por respeito aos falecidos, foram obrigados a retirá-los posteriormente.

A segurança já está presente na parte antiga, enquanto as obras continuam a todo vapor na nova seção. "Queríamos manter tudo junto, na mesma área. Poderia se tornar uma espécie de monumento à tragédia da imigração", conclui Said.

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