24 Abril 2026
No voo de regresso da África, o Papa reiterou, em coletiva de imprensa, a importância de respeitar o direito internacional e de trabalhar para promover a paz. Os casais homossexuais na Alemanha: oposição às bênçãos formais, mas a Igreja está aberta a "todos, todos, todos", como disse Francisco.
A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 23-04-2026.
Precisamos promover uma "cultura de paz", porque a resposta não pode ser "entrar com violência, com guerra, atacando. O que vimos: tantas pessoas inocentes morreram". Leão XIV disse isso ao falar sobre o Irã durante a coletiva de imprensa que concedeu a jornalistas no voo de Malabo para Roma, após sua viagem à África. O Papa, que foi atacado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no início de sua viagem, reiterou a importância do direito internacional e lembrou as crianças vítimas da guerra no Irã e no Líbano. Robert Francis Prevost também denunciou o fato de que os imigrantes que chegam à Europa vindos da África não devem ser tratados como "animais".
NEW: Pope Leo XIV says he carries this photo of a young boy who he says was killed during the Israeli-Lebanon War.
— Christopher Hale (@ChristopherHale) April 23, 2026
The boy was photographed last November welcoming the U.S-born pontiff to Lebanon. pic.twitter.com/TAXJbYDLS2
Onze dias na África
Em onze dias, de 13 de abril até hoje, o Pontífice, natural de Chicago, visitou a Argélia, os Camarões, Angola e a Guiné Equatorial.
Irã, "proteja os inocentes"
"Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos e filhas que morreram naquele ataque", disse o Papa. Não se trata de "se um regime vai ou não mudar", respondeu o Papa, referindo-se ao Irã, porque "é muito importante que as pessoas inocentes sejam protegidas". "Como pastor", reiterou ele na coletiva de imprensa a bordo do avião, "não posso ser a favor da guerra".
Negociações e direito internacional
A questão da reabertura do Estreito de Ormuz é confusa. "Nas negociações, um dia os Estados Unidos dizem não e o Irã diz sim, e depois o contrário", "não sabemos quem criou essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas há toda uma população inocente no Irã sofrendo com essa guerra". O Papa expressou sua esperança "de que o direito internacional seja respeitado".
"Comigo a foto da criança morta em Beirute"
"É muito importante que pessoas inocentes sejam protegidas, como não aconteceu em muitos lugares", disse Leão. "Eu carrego comigo a foto de uma criança muçulmana que, durante a visita ao Líbano, estava esperando com uma placa dizendo 'Bem-vindo, Papa Leão', e então, nesta fase final da guerra, foi morta. Há tantas situações humanas, e acho que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. E gostaria de encorajar a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão."
Pope Leo XIV has revealed he carries a photo with him of a Muslim boy who was killed during Israel's invasion of Lebanon.
— Al Jazeera English (@AJEnglish) April 24, 2026
Speaking on the plane back from his Africa trip, the pontiff said the US-Israeli war on Iran has caused an entire population of innocent people to suffer. pic.twitter.com/eHCYxYFUW9
Migrantes, o que está fazendo o Norte?
Os migrantes "são seres humanos e devemos tratá-los de forma humanitária, não pior do que animais", disse o Papa. "A questão da migração é muito complexa e afeta muitos países, não apenas a Espanha, a Europa e os Estados Unidos. É um fenômeno global", enfatizou o Pontífice. Ele continuou, conforme relatado pelo Vatican News: "A questão da imigração é muito complexa e afeta muitos países, não apenas a Espanha, a Europa e os Estados Unidos. É um fenômeno global! Portanto, minha resposta começa com uma pergunta: o que o Norte global está fazendo para ajudar o Sul global, ou seja, aqueles países onde os jovens de hoje não conseguem encontrar um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte?"
O Papa prosseguiu: "Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem qualquer ordem, criando, por vezes, situações mais injustas nos lugares para onde vão do que naqueles de onde partiram. No entanto, dito isso, pergunto-me: o que estamos fazendo nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, tanto com ajuda estatal quanto com investimentos de grandes corporações e multinacionais ricas, mudar a situação em países como os que visitamos nesta viagem?"
Para Leão, "talvez em nível global devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e desenvolvimento nesses países africanos, para que não precisem emigrar para outros países." Em todo caso, "são seres humanos e devemos tratar os seres humanos com humanidade, não tratá-los, muitas vezes, pior do que animais. Há um grande desafio: um país pode dizer que não pode receber mais do que isso, mas quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que todo ser humano merece por sua dignidade."
A Santa Sé "deixou claro", disse o Papa aos bispos alemães, "que não concordamos com a bênção formal de casais homossexuais". Mas Leão XIV também citou a frase de seu antecessor, Francisco: "Todas as pessoas recebem bênçãos". "A conhecida expressão 'todos, todos, todos' é uma expressão da crença de que na Igreja todos são bem-vindos, todos são convidados a seguir Jesus e buscar a conversão em suas vidas."
Pope Leo faces his first bullet, the question of same-sex blessings, by hewing precisely to Pope Francis’s responses: 1. No to German-style formal church blessings; 2. yes to Fiducia Supplicans-type pastoral blessings available to all; 3. No to reducing Gospel to sexual morality. pic.twitter.com/Sf7C0qV9G8
— Austen Ivereigh (@austeni) April 23, 2026
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