05 Agosto 2026
O ministro do Interior, Grande-Marlaska, estima que 72 mil pessoas entraram em Ceuta na última quinta-feira. A ministra da Infância, Sira Rego, anunciou que duas escolas serão utilizadas para acolher meninas desacompanhadas.
A reportagem é de Tomás Muñoz, publicada por El Salto, 04-08-2026.
A reunião informal por videoconferência dos ministros do Interior da União Europeia pôs fim à crise migratória em Ceuta. O encontro, solicitado pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, contou também com a presença de representantes dos países do Espaço Schengen, do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), da Frontex, da Agência Europeia para o Asilo e da Europol. O objetivo oficial era trocar informações sobre a evolução da crise, reforçar a coordenação na proteção das fronteiras externas e rever as relações com países terceiros, em particular Marrocos.
Após a reunião, o Ministro Grande-Marslaka concedeu uma conferência de imprensa, onde afirmou que "todos reconheceram a resposta da Espanha à crise". Ele também afirmou que a reunião concluiu que "o Espaço Schengen nunca esteve sob ameaça".
Conforme explicou, a reunião "deixou claro que Ceuta tem um estatuto especial no âmbito do Espaço Schengen", o acordo de livre circulação, e que "ninguém pode sair" da cidade autônoma "sem um controlo documental efetivo". Além disso, o ministro afirmou que 72.000 pessoas entraram em Ceuta na quinta-feira passada, das quais 70.000 já regressaram.
Na segunda-feira, em uma declaração conjunta após a reunião do Comitê de Representantes Permanentes da UE em Bruxelas, descreveram a crise como "sob controle" e expressaram sua solidariedade à Espanha. Essa declaração veio após informações fornecidas pelas autoridades espanholas e agências da UE, que confirmaram que a maioria das pessoas que entraram em Ceuta na semana passada já havia retornado e que não foram registrados deslocamentos em direção à Espanha continental ou a outros países europeus.
25 milhões de euros e duas escolas para o acolhimento de menores não acompanhados em Ceuta
A Ministra das Migrações, Elma Saiz, anunciou uma verba extraordinária de 25 milhões de euros para o acolhimento de crianças não acompanhadas em Ceuta. Saiz explicou que este montante se soma aos 5,5 milhões de euros distribuídos em julho passado e mobilizados pelo Ministério da Infância, totalizando 35 milhões de euros para esses menores. “Apelo ao bom senso de todas as comunidades autônomas, incluindo as governadas pelo PP, para que lhes prestem assistência”, declarou a Ministra das Migrações, Elma Saiz.
Por sua vez, a Ministra da Infância, Sira Rego, anunciou que duas escolas em Ceuta estão sendo preparadas para acolher com urgência mais de 100 meninas migrantes que chegaram durante esta crise. Ela revelou que, até 1º de julho, cerca de 180 menores já estavam cadastradas e sob a guarda de instituições existentes em Ceuta. Embora o número total de crianças que chegaram na última quinta-feira ainda não tenha sido determinado, algumas estimativas apontam para cerca de 1.000. A ministra afirmou que 763 crianças já estavam cadastradas na cidade africana. Além dos galpões previamente preparados para abrigar menores, as escolas CEIP Príncipe Felipe e CEIP Reina Sofía, ambas localizadas no bairro Príncipe, serão utilizadas, principalmente para meninas desacompanhadas, anunciou Rego.
Demissão do responsável pela comunicação que divulgou o número de pessoas que atravessaram a fronteira
Ontem, veio à tona que o governo demitiu uma funcionária do Departamento de Segurança Nacional após ela ter publicado, na última sexta-feira, em seu site, o número aproximado de 49 mil pessoas que entraram em Ceuta vindas de Marrocos. Segundo a agência de notícias EFE, citando fontes do governo, a decisão foi tomada devido à perda de confiança na funcionária e implica sua demissão do cargo atual, mas não a perda de seu vínculo com o serviço público.
Após a chegada de pessoas do país vizinho, este funcionário, responsável pela comunicação no departamento de Segurança Nacional, que responde ao Gabinete do Primeiro-Ministro, publicou um relatório no site da agência indicando que o número estimado de entradas naquele momento era de 49.000.
O relatório foi retirado do site pouco depois, e fontes governamentais confirmaram que não se tratava de um número oficial. O Ministério do Interior informou, ainda naquele mesmo dia, que cerca de 50.000 pessoas haviam cruzado a fronteira, número que foi posteriormente revisado para cima.
Nota do IHU
O Espaço Schengen é uma zona de livre circulação que reúne 29 países europeus sem controle sistemático de fronteiras internas. O acordo funciona como um território único para viagens internacionais e políticas comuns de vistos, permitindo que cidadãos e turistas circulem livremente entre os membros.
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