Bombardeios russos em Kiev deixam 22 mortos: "Uma nova dimensão da guerra"

Foto: Metin Aktaş/Anadolu Ajansi

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03 Junho 2026

"Donald Trump está focado em encontrar uma saída para o atoleiro do Oriente Médio e em chegar a um acordo com o Irã. Segundo o Washington Post, aliás, a escalada na Ucrânia pode servir para impulsionar a retomada das negociações de paz, visto que o conflito não está se desenrolando como Putin esperava."

A reportagem é de Fabio Tonacci, jornalista, publicada por La Repubblica, 03-06-2026.

Um enxame de 653 drones Shahed e 73 mísseis se espalhou pelo país. Na capital, 40 mil pessoas estão dormindo no metrô. Áreas de Kharkiv foram evacuadas. Zelensky: "Deem-nos os patriotas." 

Uma chuva de ferro devastadora, mortal e prevista. A onda de ataques que atingiu a Ucrânia na noite de segunda para terça-feira foi uma das mais violentas da história recente, tanto em termos do arsenal utilizado quanto dos danos causados. Deixou os ucranianos sem fôlego, questionando se esta seria a "nova dimensão do conflito" ameaçada por Putin poucas horas antes de ordenar o ataque. Contudo, a interpretação de analistas e especialistas militares sobre a atual fase da guerra não é inequívoca e, apesar de tudo, não pende necessariamente para o lado da Rússia.

Comecemos pelos fatos. Pouco depois da meia-noite, um enxame de 653 drones Shahed e 73 mísseis de vários tipos (balísticos, de cruzeiro e antinavio) atingiu o território ucraniano, concentrando-se principalmente em Kiev (6 mortos) e Dnipro (15 vítimas, incluindo duas crianças, no desabamento de um prédio residencial). No total, 21 pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas.

Para lançar mísseis, a Federação Russa utilizou cinco bombardeiros Tu-95 e Tu-160, navios no Mar Cáspio, a Frota do Mar Negro e lançadores autopropulsados para mísseis balísticos Iskander-M. Em Kiev, 40.000 pessoas dormiram no metrô, que foi usado como abrigo antiaéreo. Em Kharkiv, 15 pessoas ficaram feridas e 7.000 foram evacuadas de comunidades fronteiriças por medo de um avanço terrestre. Por fim, em Odessa, uma maternidade foi alvo de um ataque, com apenas um incidente resultando em ilesos.

Essa ofensiva em larga escala, anunciada pelo Kremlin há alguns dias, preocupa Zelensky, que mais uma vez pediu aos aliados, especialmente aos EUA, baterias Patriot. "Se não protegermos nossas cidades, esses ataques continuarão", disse o líder ucraniano, temendo que essa referência deliberada a "uma nova dimensão do conflito" possa significar muitas outras noites de pesadelo como a que acaba de passar.

Na segunda-feira, o presidente russo comentava o bombardeio de Starobilsk, cidade ucraniana ocupada onde drones de Kiev pousaram em 21 de maio — segundo a Rússia, atingindo um dormitório e matando 21 jovens entre 18 e 23 anos, e segundo o Estado-Maior ucraniano, destruindo uma unidade de drones e depósitos de munição — e, nessa ocasião, falou de uma nova fase na guerra, na qual se sente forçado, disse ele, devido à profundidade alcançada pelos ataques ucranianos.

Moscou reivindicou a autoria dos ataques de ontem, mas afirmou que eles visavam apenas infraestrutura militar. "Sempre dissemos que preferimos alcançar nossos objetivos pacificamente, mas se o outro lado continuar se recusando a participar de negociações de paz genuínas, a operação militar especial continuará", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

No entanto, mais de um analista militar vê a escalada da ofensiva como uma tentativa de Moscou de reafirmar sua superioridade, após a Rússia ter sofrido ataques recentes a suas refinarias de petróleo e visto seu avanço terrestre praticamente estagnar. "Embora os ataques com drones e os bombardeios permaneçam constantes, o desempenho militar em terra está em declínio", escreve Jack Watling, pesquisador sênior do Royal United Services Institute, um think tank com sede em Londres. Por fim, as negociações estão paralisadas: Donald Trump está focado em encontrar uma saída para o atoleiro do Oriente Médio e em chegar a um acordo com o Irã. Segundo o Washington Post, aliás, a escalada na Ucrânia pode servir para impulsionar a retomada das negociações de paz, visto que o conflito não está se desenrolando como Putin esperava.

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