25 Abril 2026
Vilas entre palmeiras à beira-mar, arranha-céus refletindo o pôr-do-sol, complexos de condomínios para a classe alta local e estrangeira protegidos por altos muros e, fora do centro, o território dos miseráveis que vivem entre aterros sanitários e valas de drenagem transbordando de lixo.
A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada pelo Corriere della Sera, 19-04-2026.
O Papa Leão XIV chega a Angola, exemplo de "um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende se impor como o único possível", e fica claro que ele tem outras coisas em que pensar, além dos ataques de Trump: "Não é do meu interesse debater com o presidente dos Estados Unidos", explicou, sorrindo aos jornalistas no avião que o levou de Camarões a Luanda na tarde de ontem.
O Papa está tentando amenizar, pelo menos da sua parte, a tensão dos últimos dias: "Espalhou-se uma certa narrativa, não totalmente precisa, devido à situação política que se criou quando, no primeiro dia da viagem, o presidente dos Estados Unidos proferiu algumas declarações a meu respeito. Muito do que foi escrito desde então nada mais é do que um comentário sobre outro comentário, numa tentativa de interpretar o que foi dito."
Prevost se apresentou para uma saudação a todos, "boa tarde a todos", e já sabia o que dizer, sem precisar de perguntas: em particular, "apenas um pequeno exemplo", referindo-se ao seu discurso de quinta-feira em Bamenda, região anglófona de Camarões em guerra civil, quando disse que "o mundo está sendo destruído por um punhado de tiranos" e denunciou os "senhores da guerra" — palavras que ganharam repercussão em todo o mundo. Agora ele explica: "O discurso no encontro de oração pela paz havia sido preparado duas semanas antes, muito antes daquele presidente fazer qualquer comentário sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou promovendo. No entanto, foi interpretado como se eu estivesse tentando debater novamente com o presidente, o que de forma alguma é de meu interesse".
Leão XIV chegou à metade de sua viagem, que começou na segunda-feira na Argélia; depois em Angola, e depois visitará a Guiné Equatorial. Esclarece: "Venho à África principalmente como pastor, como chefe da Igreja Católica, para estar com, celebrar com, encorajar e acompanhar todos os católicos africanos. Continuemos, portanto, nossa jornada, continuemos a proclamar a mensagem do Evangelho, a buscar maneiras de promover a fraternidade, a justiça e a paz em nosso mundo."
Em sua última missa em Camarões, celebrada de manhã no aeroporto militar de Yaoundé, o Papa observou que "a fé não separa o espiritual do social" e, ao contrário, "dá força" para enfrentar "os desafios da pobreza e da justiça". Diante de duzentos mil fiéis, comentou a passagem do Evangelho sobre a tempestade que se acalmou: "Em cada tempestade, Jesus estende a mão para nós e repete: 'Estou aqui com você; não tenha medo'. É por isso que nos levantamos após cada queda e não nos deixamos deter por nenhuma tempestade, mas seguimos em frente, com coragem e confiança, sempre."
Dessa forma, ao chegar a Angola, falou das "riquezas materiais sobre as quais prepotentes interesses querem colocar as mãos, também no seu país", dirigindo-se às autoridades: "Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais essa lógica extrativista traz consigo!" E exortou os jovens africanos a "discordarem", se necessário: "Déspotas e tiranos do corpo e do espírito querem tornar as almas passivas e as paixões tristes, propensas à inércia, dóceis e subservientes ao poder."
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