Relatório final do sínodo sobre liderança feminina não aborda diaconato feminino

Foto: jcomp | FreePik

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12 Março 2026

O Vaticano publicou o relatório final do grupo de estudo do sínodo que examina a participação das mulheres na Igreja, o qual pede a ampliação dos papéis femininos na governança e liderança eclesial em funções que não incluam o ministério ordenado.

A informação é de Courtney Mares, publicada por America, 10-03-2026.

O documento de 75 páginas, publicado em inglês e italiano em 10 de março, discute a liderança das mulheres na Igreja, mas não a questão específica de um possível diaconato feminino.

Este é o terceiro de 15 relatórios finais esperados dos grupos de estudo do Sínodo sobre a Sinodalidade para as próximas semanas. O Cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, caracterizou esses relatórios como "documentos de trabalho" que serão usados para formular propostas submetidas à consideração do Papa.

Um "caminho carismático" para as mulheres

No documento, o grupo de estudo pede "novos espaços" para que as mulheres exerçam liderança na evangelização e administração em colaboração com os ministros ordenados.

"Ao lado do caminho sacramental e distinto dele, há também um caminho carismático que pode ser percorrido frutuosamente para abrir novos espaços de participação para os fiéis leigos, particularmente para as mulheres", afirma o texto. "Segue-se que, mesmo no exercício da governança dentro de uma Diocese, oportunidades deste tipo podem surgir e devem ser aproveitadas."

O relatório argumenta que as mulheres leigas possuem carismas distintos do Espírito Santo que exigem reconhecimento.

"Hoje, as mulheres leigas têm o direito de afirmar sua participação na missão da Igreja não apenas com base em sua igual dignidade humana e cristã, mas também com base nos carismas dados por Deus", diz o documento.

"Uma nova evangelização tornou-se urgente", acrescenta, "uma que dependa menos exclusivamente dos recursos sacerdotais e seja enriquecida pela presença e contribuições das mulheres."

"Novas formas de exercer a autoridade"

O grupo de estudo do sínodo pede que a teologia e o direito canônico "explorem novas formas de exercer a autoridade fundamentadas no Sacramento do Batismo e distintas daquelas derivadas da Ordem Sagrada, para que se encontrem formas canônicas adequadas para tornar eficaz a participação das mulheres em papéis de liderança dentro da Igreja."

"Não há razão ou impedimento que deva impedir as mulheres de desempenhar papéis de liderança na Igreja", afirma o relatório.

O documento também recomenda uma "reformulação das áreas de competência do ministério ordenado", sugerindo que redefinir essas fronteiras "poderia abrir caminho para reconhecer novos espaços de responsabilidade para as mulheres na Igreja."

Diaconato feminino não abordado

Notavelmente, o relatório não aborda a questão específica de um possível diaconato feminino, um tema controverso de debate dentro do Sínodo sobre a Sinodalidade. Durante a segunda sessão do sínodo, o Papa Francisco reativou uma comissão que estuda o acesso das mulheres ao diaconato sob a coordenação do Cardeal Giuseppe Petrocchi. As conclusões dessa comissão, publicadas em dezembro de 2025, não chegaram a recomendar o diaconato feminino, mas aprovaram por ampla margem uma proposta para ampliar o acesso das mulheres a ministérios instituídos, como o de catequista.

A Virgem Maria como modelo

Baseando-se nas Escrituras e na tradição da Igreja, o relatório invoca tanto a Virgem Maria quanto Santa Maria Madalena como paradigmas para a autoridade feminina na Igreja.

"Maria é o modelo supremo da dimensão carismática. Embora não pertença à estrutura hierárquica, ela possui dentro da Igreja uma autoridade e fecundidade espiritual únicas", afirma.

O documento também observa que Cristo escolheu uma mulher, Maria Madalena, para anunciar primeiro a Ressurreição: "Os próprios Apóstolos receberam esta proclamação dela."

Nomeações do Papa Leão para a Cúria Romana

O relatório descreve as nomeações feitas tanto pelo Papa Francisco quanto pelo Papa Leão XIV como evidência de que as mulheres podem e já lideram nos níveis mais altos da Igreja.

Cita a Constituição Apostólica “Praedicate Evangelium, que permite a possibilidade de uma leiga chefiar um dicastério vaticano, "dependendo do poder de governança e da competência e função específica do Dicastério ou Escritório em questão."

Ao mesmo tempo, o relatório afirma que mulheres que trabalham na Cúria Romana indicaram "que persistem certas atitudes marcadas pelo clericalismo" nas quais "as mulheres, mesmo em posições de responsabilidade, às vezes lutam para serem envolvidas e ouvidas em pé de igualdade com os colegas homens, particularmente nas interações com ministros ordenados."

O grupo de estudo destacou as nomeações feitas pelo Papa Leão XIV da madre trapista Martha Elizabeth Driscoll e da irmã Iuliana Sarosi, membro da Congregação da Mãe de Deus, como consultoras do Dicastério para o Clero, e de Cristiana Perrella como presidente da Pontifícia Insigne Academia de Belas Artes e Letras dos Virtuosi no Panteão.

O relatório também citou os comentários do Papa Leão em uma entrevista em 30 de julho, na qual ele disse que "o papel das mulheres na Igreja tem que continuar a se desenvolver" e expressou sua intenção de continuar "nos passos de Francisco, inclusive na nomeação de mulheres para alguns papéis de liderança em diferentes níveis da vida da Igreja."

Mulheres na Bíblia e na história da Igreja

O relatório final do sínodo está organizado em três partes. A primeira relata a história do grupo de estudo e a segunda oferece uma "síntese dos temas" que emergem do processo sinodal.

A terceira parte é um extenso apêndice contendo seis seções: figuras femininas no Antigo e Novo Testamentos; mulheres significativas na história da Igreja; testemunhos contemporâneos de mulheres na liderança da Igreja; os princípios Mariano e Petrino; autoridade eclesial; e as contribuições do Papa Francisco e do Papa Leão XIV.

Entre os exemplos de mulheres destacados pelo documento estão Santa Catarina de Sena, Santa Joana d'Arc, Santa Elizabeth Ann Seton, Maria Montessori e a Serva de Deus Dorothy Day.

Acesse o documento disponível aqui.

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