26 Fevereiro 2026
O governo cubano afirma que “a lancha neutralizada transportava 10 indivíduos armados que pretendiam realizar uma infiltração com fins terroristas”.
A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 26-02-2026.
“Fuzis de assalto, pistolas, dispositivos explosivos caseiros (coquetéis Molotov), coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes camuflados.” Este era o equipamento dos dez tripulantes da embarcação interceptada pela guarda costeira cubana em águas territoriais da ilha, segundo o Ministério do Interior de Cuba, após o tiroteio com a embarcação que resultou em quatro mortes.
“São todos cubanos residentes nos Estados Unidos”, explica o governo cubano: “A maioria deles possui um histórico conhecido de atividades criminosas e violentas, incluindo Amijail Sánchez González e Leordan Enrique Cruz Gómez, que constam da lista nacional de pessoas e entidades que, em virtude da Resolução 1373 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do direito internacional e do sistema jurídico cubano, foram submetidas a investigações criminais e são procuradas pelas autoridades cubanas, com base em seu envolvimento na promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou execução de ações realizadas em território nacional ou em outros países, em conexão com atos de terrorismo.”
O governo cubano também informou que “Duniel Hernández Santos, um cidadão enviado dos Estados Unidos para facilitar a recepção da infiltração armada, foi preso em território cubano. Ele confessou seus atos. A investigação continua até que os fatos sejam totalmente esclarecidos.”
Rubio: “Os EUA responderão de acordo”
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam reunindo informações para determinar se as vítimas eram cidadãos americanos ou residentes permanentes. "Temos várias agências tentando identificar elementos da história que podem ainda não ter nos sido fornecidos", disse Rubio no Aeroporto de Basseterre, em São Cristóvão, onde participava de uma cúpula regional com líderes caribenhos.
“Basta dizer que é muito incomum ver tiroteios em alto-mar como esse. Não é algo que acontece todo dia. É algo que, francamente, não ocorre com Cuba há muito tempo”, disse Rubio, que afirmou que tanto o Departamento de Segurança Interna dos EUA quanto a Guarda Costeira dos EUA estão investigando o incidente e enfatizou que quer verificar os fatos: “A maioria dos fatos que foram divulgados são aqueles contidos nas informações fornecidas pelos cubanos. Vamos verificá-los de forma independente à medida que coletarmos mais informações e estaremos prontos para responder de acordo. Vamos obter nossas próprias informações sobre isso. Vamos descobrir exatamente o que aconteceu.”
Rubio afirmou que não se tratava de uma operação do governo dos EUA e que não iria “especular sobre quem era o dono da embarcação, o que estavam fazendo, por que estavam lá ou o que realmente aconteceu”. Rubio acrescentou: “Vamos descobrir, e quando soubermos, divulgaremos e tomaremos as medidas necessárias, dependendo do que for”.
Rubio afirmou ter tomado conhecimento do tiroteio antes que o governo cubano o divulgasse nas redes sociais e observou que os Estados Unidos mantêm "contato constante" com o país "na área da Guarda Costeira".
O Ministério do Interior de Cuba emitiu um comunicado inicial indicando que a embarcação estava localizada a aproximadamente 1,6 quilômetro a nordeste de Cayo Falcones, na costa norte de Cuba. No comunicado, o Ministério afirmou que o governo cubano estava “salvaguardando sua soberania e garantindo a estabilidade na região”.
O vice-presidente americano, JD Vance, disse na tarde de quarta-feira que Rubio o havia informado sobre o incidente, acrescentando que a Casa Branca estava monitorando de perto a situação: "Esperemos que não seja tão sério quanto tememos".
O tiroteio ocorre em meio ao aperto do controle do governo Trump sobre Cuba.
Rubio afirmou que o governo cubano deve implementar “reformas drásticas que abram espaço para a liberdade econômica e, em última instância, política para o povo cubano”.
Enquanto isso, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, ordenou que os promotores colaborem com seus colegas federais, estaduais e policiais para iniciar uma investigação: "O governo cubano não é confiável e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas."
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