Edgar Morin (104 anos), filósofo, sobre a felicidade: “A velhice é um terreno fértil para a criação e a rebeldia”

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14 Janeiro 2026

Edgar Morin alerta acerca do triunfo do pensamento simplista na Europa e convida a recuperar os valores da amizade e da solidariedade.

A reportagem é de J. Rodríguez, publicada por El Español, 11-01-2026. A tradução é do Cepat.

A voz de Edgar Morin vale a pena ser escutada. Este filósofo francês chegou aos 104 anos, uma longa vida dedicada ao pensamento sobre o ser humano. Mais ainda, em idade avançada, continua escrevendo e transmitindo sua sabedoria.

É que apesar de ter ultrapassado um século de vida, Morin afirma estar em uma fase vital emocionante. Contrariamente à ideia de que a idade traz fragilidade, isolamento e, inclusive, tédio, o filósofo afirma que, em sua idade, ainda sente curiosidade.

Para este francês, a velhice é “um terreno fértil para a criação e a rebeldia”. Percebe em si todas as idades que atravessou. Suas diferentes versões, nesse sentido, não morreram, mas permaneceram com ele.

“Conservo a curiosidade da infância, as aspirações da adolescência, as responsabilidades da vida adulta e, já ancião, busco me nutrir da experiência das idades que atravessei”, disse em uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera.

Essas palavras tão marcantes sobre sua idade atravessaram o mundo nas últimas semanas, gerando muita admiração pelo filósofo ancião. Em geral, os especialistas em longevidade apontam as atitudes das pessoas como um fator importante para viver mais tempo.

O que se conhece como projeto de vida, ou seja, a razão para levantar da cama todos os dias, a ação que queremos que dê sentido à nossa existência temporal, é frequentemente destacada como um fator indispensável não apenas para uma vida longa, mas também feliz.

Encontrar paixão ou manter a curiosidade sobre algo, como Morin parece encontrar na análise social, pode energizar uma pessoa em qualquer idade. E, além disso, o pensamento de Morin é muito vital, caracterizado por um convite a “despertar”.

Reivindicar a amizade

Morin nasceu em 1921, motivo pelo qual recorda os momentos mais sombrios da Europa dos anos 1930 e 1940. “Sinto que vivo uma época similar: como sonâmbulos, talvez estejamos vendo como o Titanic se desliza em direção ao iceberg?”, questiona.

“O desumano se espalha, o humano se desmorona, o comportamento simplista triunfa, a complexidade retrocede”, continua em uma entrevista ao mesmo jornal italiano. “A civilização ocidental, acima de tudo, está sendo corroída por uma crise profunda”.

Este filósofo francês é o promotor do pensamento complexo, que busca compreender os problemas como parte de um todo e não de maneira isolada. Por isso, enfatiza a necessidade de conhecer a história e de interpretar o presente como parte dela.

“A barbárie do pensamento reside na simplificação, na disjunção, na separação, na racionalização... em detrimento da complexidade, das conexões inseparáveis e, inclusive, dos sonhos e a poesia”, considera o filósofo.

“O pensamento foi reduzido a uma ajuda ao cálculo, que originalmente foi concebido como uma ajuda ao pensamento”. E arremata: “A chamada inteligência artificial pode ser aterradora, mas temo sobretudo a inteligência humana superficial”.

Nesse sentido, Morin alerta para a necessidade de reformar a educação na Europa: “O cérebro é ensinado na biologia, a mente na psicologia, e as humanidades descartam qualquer ideia de humanidade biológica”. Todas essas disciplinas deveriam colaborar entre si.

“Nunca houve tanto conhecimento sobre a humanidade, e nunca se soube tão pouco sobre o que significa ser humano: existe uma espécie de buraco negro em nosso conhecimento sobre nós mesmos e isto dificulta o entendimento mútuo”, explica.

Então, como começar a resgatar nossa sociedade? Este filósofo propõe fazer uso dos valores mais humanos, como o amor, a amizade, a solidariedade. Também o gosto pelas artes, como a literatura e a música.

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