"As intimidações não nos deterão. Mobilizar as pessoas já é uma vitória"

Foto: Reprodução/Global Sumud Flotilla

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26 Setembro 2025

 Preocupados, cansados e certamente assustados. Mas com a mesma determinação de quando partiram. "O objetivo é Gaza." Repetem: "As intimidações não nos desanimam, queremos abrir uma brecha no bloqueio naval imposto por Israel e entregar as ajudas à população. Não pararemos." Os ecos dos ataques de terça-feira à noite ainda são sentidos nos barcos da Flotilha Global Sumud; algumas embarcações foram danificadas por drones que mantiveram as tripulações de toda a operação sob pressão por três horas, interrompendo as comunicações de rádio, lançando objetos, bombas sonoras e gás lacrimogêneo.

A reportagem é de Eleonora Camilli, publicada por La Stampa, 25-09-2025. A tradução é de Luisa Rabolini

A Zefiro, uma das mais atingidas, foi forçada a evacuar a tripulação para o navio Emergency. Mas os ativistas sentem que também conquistaram uma primeira tímida vitória: a decisão do Ministro da Defesa, Guido Crosetto, de enviar a fragata Fasan "para eventuais operações de socorro". "Ainda não a vimos e não sabemos quais são as regras de engajamento. Mas certamente é uma excelente notícia por enquanto, porque poderia desencorajar novos ataques", enfatiza Tony La Piccirella, um dos ativistas a bordo da Family, em sua segunda expedição para Gaza. "Essa é certamente uma enorme vitória política e se deve à mobilização da sociedade civil, em particular daquela italiana, que saiu às ruas na última segunda-feira por Gaza e para nos apoiar. E que reiterou sua posição diante da Câmara dos Deputados enquanto as forças políticas da oposição ocupavam o auditório."

Por enquanto, a frota continua sua viagem em águas internacionais ao largo de Creta, mas mantendo-se a 12 milhas das águas gregas para se proteger em caso de novas intimidações direcionadas. "Foi um ataque às tripulações de três países: Itália, Inglaterra e Polônia, gravíssimo e sem precedentes, que colocou em risco a vida das pessoas na mais completa ilegalidade", acrescenta a porta-voz italiana da missão, Maria Elena Delia, a bordo do Morgana, um dos onze veleiros que sofreram danos. Com ela também os deputados Marco Croatti, do Movimento 5 Estrelas, e Benedetta Scuderi, da Avs. "O que passamos é inaceitável porque somos embarcações civis. Navegávamos em águas internacionais e hasteamos bandeira italiana", enfatiza a europarlamentar. "É um ataque que deve ser condenado e respondido com seriedade: queremos saber de onde aqueles drones partiram e quem deu a ordem, mas também se houve cumplicidade com Israel de outros países." Scuderi também considera intoleráveis as palavras da primeira-ministra Giorgia Meloni: "Fala em 'entrar em um teatro de guerra' em relação à nossa missão humanitária em Gaza? Estávamos em águas internacionais. Talvez precisaria se dar conta que nosso único objetivo é ajudar Gaza, numa tentativa de preencher um vazio absoluto dos governos europeus, incluindo o seu."

Da mesma opinião a deputada do Partido Democrata Annalisa Corrado, a bordo do Karma, embarcação que faz parte do projeto TOM da Arci, juntamente com o colega Arturo Scotto. "Não podemos esconder a grande preocupação a bordo com o ataque criminoso que sofremos", explica. "Precisamos entender como manter as pessoas em segurança. A determinação em levar a termo a missão permanece, mas a proposta de entregar as ajudas a Israel é inaceitável e desrespeitosa. Nos chamam de emissários do Hamas, mas todos sabemos o que é a Fundação Humanitária de Gaza: uma armadilha devastadora que causou mortos e fome."

O que surpreendeu os ativistas também foi a escolha do momento para o ataque: os barcos estão a quatro dias de viagem da Faixa de Gaza. "Não esperávamos que fosse tão cedo", explica Barbara Schiavulli, jornalista da Radio Bullets a bordo do Morgana. "Nossa vela principal está danificada. No barco, porém, o espírito da missão não arrefeceu. Querem nos desgastar, sabemos bem do que Israel é capaz. Mas vamos seguir em frente." Enquanto isso, da Life Support da Emergency, o navio que acompanha a frota, denunciam a presença de um avião militar em baixa altitude. "Pelo número de identificação e pelos símbolos escritos na cauda, parece ser um avião militar israelense", afirma a líder da missão, Anabel Montes Mier.

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