Presidente da COP30: legitimidade das negociações poderá ser questionada sem a presença de todos os países

Foto: Xavier Lejeune / European Union, 2025 / EC - Audiovisual Service | Wikimedia Commons

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06 Agosto 2025

A carestia das tarifas de hospedagem em Belém (PA), que dificulta a ida de representantes dos países mais pobres e da sociedade civil, pode prejudicar a legitimidade das negociações da COP30 em novembro, alertou o presidente-designado da Conferência, o embaixador André Corrêa do Lago. O diplomata reconheceu o risco desta crise afetar diretamente os resultados da COP.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 06-08-2025.

“Se não tivermos todas as delegações em Belém, pode ter um questionamento sobre a legitimidade do que nós negociamos, porque alguns países não terão podido ir por causa de preço de hotel”, disse Corrêa do Lago durante evento nesta 3ª feira (5/8), citado pela Folha. Segundo o embaixador, o governo segue trabalhando para garantir reservas para todos os negociadores.

“O meu interesse, obviamente, é impedir que os preços dos hotéis interfiram na presença de todas as delegações. Se a questão de hospedagem afetar a negociação, evidentemente o presidente da COP tem que estar preocupado com isso”, reconheceu.

Um dia antes, durante evento na Semana do Clima de São Paulo, Corrêa do Lago defendeu a união do Brasil pela realização da COP30 em Belém. “Uma coisa é a gente debater as nossas diferenças dentro do Brasil para encontrar soluções nossas. Outra coisa é usar as divergências nacionais como elemento que enfraqueça o país, isso não pode acontecer”, observou, também citado pela Folha.

No entanto, a demanda por uma mudança na sede da COP30 não vem de dentro do Brasil, mas de fora. Na semana passada, representantes de países africanos e latino-americanos solicitaram providências ou a mudança da sede para outra cidade brasileira. A carestia também ameaça a presença de organizações da sociedade civil, especialmente as do Sul Global.

“Em um contexto marcado por instabilidade econômica global, inflação e redução do financiamento para ações climáticas, o aumento exorbitante nos preços de hospedagem não é apenas um inconveniente logístico, ele representa uma ameaça direta à capacidade de participação efetiva da sociedade civil”, alertou Karla Maass, assessora da seção latino-americana da Climate Action Network (CAN), a maior rede de organizações climáticas do mundo, ao jornal O Globo.

Como Maass reforçou, a presença da sociedade civil nas negociações climáticas é crucial para viabilizar resultados efetivos da COP30. “Não estamos indo a Belém para fazer turismo ou lazer. ONGs e organizações da sociedade civil são atores fundamentais no mais importante processo multilateral do nosso tempo. Nosso papel é garantir que as vozes e demandas das comunidades da linha de frente e dos grupos mais vulneráveis sejam realmente representadas e efetivamente incorporadas às negociações e aos resultados”, argumentou.

Até agora os apelos da presidência da COP30, dos negociadores de outros países e de organizações do Sul Global parecem não ter sensibilizado o setor hoteleiro e a prefeitura de Belém. Como a Folha noticiou, os hotéis da capital paraense se recusam, há dois meses, a prestar informações ao Ministério da Justiça sobre os preços exorbitantes praticados para a COP30. O pedido acontece no âmbito da ação da Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) que apura irregularidades nas diárias.

Ao mesmo tempo, o secretário-executivo da Prefeitura de Belém, André Godinho, preferiu ironizar os questionamentos sobre os altos preços de hospedagem. “Estão falando mais sobre o problema dos hotéis do que o problema do mundo. A COP é um evento de arquitetura? De padrão de imóveis? Ou é um evento climático para falar dos problemas e impactos que estamos sofrendo”, disse Godinho, citado pela Folha.

Em tempo

A Agência Pública noticiou a iniciativa da Rádio Nacional dos Povos (RNP), um projeto de comunicação popular que visa discutir a COP30 pela perspectiva dos Povos Tradicionais e Ancestrais e contra o racismo estrutural na mídia tradicional. "Nosso objetivo é ocupar esses espaços [midiáticos] com uma narrativa coletiva, viva, e feita por quem está na linha de frente da defesa dos territórios", explicou Letícia Leite, coordenadora da RNP.

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