21 Março 2025
A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 20-03-2025.
“Finalmente pegamos você”. Foi o que Jeanette Vizguerra, imigrante mexicana indocumentada de 53 anos, ouviu ao sair da loja onde trabalhava como caixa em Denver, nos Estados Unidos, e foi detida por agentes federais de imigração do ICE.
Esse "finalmente" fazia alusão ao desejo que tinham de pôr as mãos nela, já que, durante o primeiro mandato de Donald Trump na Casa Branca (2017-2021), essa ativista dos direitos humanos se tornou um símbolo da resistência migrante às políticas antimigratórias que haviam sido trazidas debaixo do braço pelo magnata que idealizou a construção de um muro na fronteira com o México naquela época. Ela conseguiu persuadir o homem mais poderoso do mundo e assim evitar a deportação.
A notícia de sua transferência para um centro de detenção para possível deportação para o México, em conformidade com a ordem executiva de Trump, que abriu caminho para deportações em massa sem as salvaguardas legais necessárias, gerou indignação entre sua família e grupos de direitos dos migrantes.
De acordo com a CNN, Vizguerra, que veio para os Estados Unidos em 1997 com o marido e a filha mais velha, em busca de uma vida melhor longe da violência no México, onde seu marido, um motorista de ônibus, foi sequestrado três vezes, conseguiu ligar para um de seus filhos (ela teve mais três nos Estados Unidos), mas eles não tiveram mais notícias dela desde então.
A figura de Vizguerra ganhou destaque nacional em 2017, logo após Donald Trump assumir o cargo, quando ela se refugiou em uma igreja de Denver com seus filhos para evitar a deportação. No mesmo ano, a prestigiosa revista Time a reconheceu como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, destacando seu papel como defensora dos direitos dos migrantes e seu impacto na comunidade.
Sua prisão atraiu duras críticas de líderes e ativistas locais, incluindo o prefeito democrata de Denver, Mike Johnston, que chamou a detenção de perseguição política. “Não se trata de fiscalização da imigração, mas sim de perseguição política sob o pretexto de aplicação da lei”, escreveu Johnston no Facebook, chamando a imigrante detida de trabalhadora comunitária e mãe de cidadãos americanos.
A família de Vizguerra e grupos de direitos humanos lançaram uma campanha para conscientizar sobre seu caso e buscar apoio, relata a mídia local. A página GoFundMe, criada por sua filha Luna Baez, busca arrecadar fundos para cobrir despesas legais e familiares decorrentes da prisão.
Uma prisão que aprofunda o medo criado entre a grande comunidade de imigrantes indocumentados que residem nos Estados Unidos — entre 11 e 14 milhões — desde que Trump assinou a ordem de deportação em massa que revogou a lei que proibia batidas do ICE em escolas, hospitais, igrejas e locais de culto.
Uma ordem executiva que motivou uma breve, mas contundente carta de condenação do Papa Francisco em 11 de fevereiro, na qual ele encorajou os bispos dos EUA a permanecerem atentos às necessidades dos mais vulneráveis.