09 Outubro 2024
O papel das mulheres na Igreja é algo que está cada vez mais presente no pensamento do Papa Francisco. De fato, em seu encontro com os jesuítas na recente viagem à Bélgica, quando perguntado por um jesuíta sobre "a dificuldade de dar às mulheres um lugar mais justo e adequado na Igreja", ele não hesitou em responder que "a Igreja é uma mulher". Nesta perspectiva, ele mostrou seu desejo de "colocar cada vez mais no Vaticano mulheres com papéis de crescente responsabilidade. E as coisas estão mudando: você pode ver e sentir isso", enfatizando que "as mulheres, em suma, entram no Vaticano com papéis de alta responsabilidade: continuaremos neste caminho. As coisas estão funcionando melhor do que antes".
A reportagem é de Luis Miguel Modino.
Mulheres membros da Assembleia Sinodal
Na Assembleia Geral do Sínodo sobre a Sinodalidade, que realiza sua Segunda Sessão de 2 a 17 de outubro, essa presença feminina é algo que parece ter vindo para ficar. Cada vez menos pessoas questionam sua presença e muitas valorizam suas contribuições. De fato, entre os membros do Sínodo há um bom número de mulheres, com voz e voto, que trazem para a sala do Sínodo o desejo de serem cada vez mais ouvidas e reconhecidas na vida cotidiana da Igreja, abrindo espaço para elas nos espaços de tomada de decisão, que além das questões ministeriais, é o desejo da grande maioria das mulheres.
O encontro do dia 19, uma iniciativa particular das mulheres participantes da Assembleia Sinodal, é mais uma prova do desejo do Papa Francisco de ouvir a todos. Alguns participantes do Sínodo para a Amazônia dizem que, quando as mulheres falaram, a atenção de Francisco foi redobrada.
Um momento de partilha e escuta
Mais do que qualquer demanda que será levada, o encontro deve ser um momento para as mulheres se apresentarem e dizerem ao Papa as angústias, as esperanças e alegrias, apresentando muito do trabalho que as mulheres já fazem na vida das comunidades, paróquias, pastorais, movimentos, dioceses, inclusive na Cúria Romana.
Uma oportunidade para reafirmar os passos dados desde a Primeira Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, realizada em outubro de 2023: dar visibilidade para as mulheres, o reconhecimento das mulheres na Igreja e que a Igreja possa ter esse olhar feminino. Um encontro que segundo uma das mulheres que participa da Assembleia Sinodal, “será um encontro de partilha, e ele como pastor para escutar”.
Leia mais
- “A Igreja é uma mulher” – ao contrário do esclarecimento das imagens teológicas. Artigo de Regina Heyder
- “Não ter medo de nada”: Papa Francisco se reúne com jesuítas na Bélgica
- Papa Francisco se reúne com defensoras do ministério feminino antes da abertura do sínodo
- Debate sobre a questão feminina no Sínodo Mundial – Apelo de grupos reformistas
- O Papa abre o Sínodo: “Não às agendas impostas ou às posições arrogantes”. Freio nas diáconas
- Um Sínodo de maioria masculina e seus nós não resolvidos
- O papel das mulheres deve ser abordado ‘urgentemente’ na Igreja Católica
- Papa Francisco: a Igreja é “mulher”, devemos “desmasculinizá-la”
- “As mulheres devem assumir seu papel na Igreja”. Entrevista com Lidia Maggi
- Francisco: "A presença de mulheres na Igreja não é uma moda feminista, é um ato de justiça"
- Francisco pede que ninguém queira “impor agendas” durante o Sínodo e promete total liberdade de expressão
- O Sínodo começa. O testemunho de uma vítima de abuso abre a vigília penitencial com o Papa
- A profecia de uma Igreja corajosa em um Sínodo que busca novos caminhos
- Papa Francisco: “Somente curando as relações doentias podemos nos tornar uma Igreja sinodal”
- Secretária-geral Kaschner: expectativa de temas delicados no Sínodo Mundial
- Espero um início dinâmico no Sínodo Mundial. Artigo de Helena Jeppesen-Spuhler
- Bätzing: O Sínodo Mundial deve encontrar passos concretos para a participação das mulheres
- A agenda do Sínodo sobre a Sinodalidade se concentra em participação e inclusão, e não em questões candentes
- Papa Francisco desloca o Sínodo para questões de processo, longe das polêmicas