O amor é o único laço. E a criança, o abraço! (Breve reflexão para cristãos ou não). Comentário de Chico Alencar

Foto: Mayur Gala | Unsplash

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07 Outubro 2024

"O desafio é recuperar a criança que nos habita: 'há um menino, há um moleque/ morando dentro do meu coração/ toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão' (Fernando Brant - 1946-2015 - e Milton Nascimento). José Saramago (1922-2010) propôs um lindo esforço: 'Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui' ".

O comentário é de Chico Alencar, professor de história, escritor e deputado federal pelo Psol-RJ.

"Exerçamos o direito de voto com consciência cidadã e espírito infantil, - escreve o deputado federal - aquele que não aceita "qualquer sacanagem ser coisa normal". Votar com alegria é acreditar que estamos contribuindo para eleger quem defenderá o bem comum, a dignidade humana, a ética pública, a justiça social e o cuidado ambiental".

Eis o texto.

Que bonito o relato de Marcos (10, 2-16) - lido nesse domingo em milhares de comunidades de fé do mundo - sobre palavra e gesto de Jesus.

Primeiro, provocado pelos fariseus sobre a "lei mosaica do divórcio", Ele coloca o elo não nas formalidades, na certidão, na doutrina, mas no querer do coração: "assim, eles já não são dois, mas uma só carne".

A maior e mesmo única lei é a do Amor. Sem ele, qualquer relação perde sentido. Depois, a atitude. Quando seus discípulos tentaram afastar as crianças, para que não o "incomodassem", o Mestre foi taxativo: "deixem vir a mim as criancinhas, porque o Reino de Deus é delas.

Quem não receber o Reino como criança, não entrará nele!". Numa época em que as crianças eram muito desconsideradas, essa afirmação - louvor dos pequeninos, dos mais frágeis - é revolucionária!

Os mais queridos por Deus não são os doutores, os sábios, os hierarcas, as "excelências" ou "meretíssimos", e sim... as crianças! Ser como elas é reconhecer nossa fragilidade e resgatar nossa simplicidade. É ter a humildade de reconhecer-se igual a todos, nem melhor nem pior.

O desafio é recuperar a criança que nos habita: "há um menino, há um moleque/ morando dentro do meu coração/ toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão" (Fernando Brant - 1946-2015 - e Milton Nascimento).

José Saramago (1922-2010) propôs um lindo esforço: "Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui".

Hoje é dia de eleições nos 1569 municípios do Brasil - somos mais de 155 milhões de eleitor@s escolhendo entre 463 mil candidat@s a prefeit@, vice e vereador(a). Todos filiados a 33 partidos, alguns mera legenda de aluguel, biombo para interesses escusos.

Exerçamos o direito de voto com consciência cidadã e espírito infantil, aquele que não aceita "qualquer sacanagem ser coisa normal".

Votar com alegria é acreditar que estamos contribuindo para eleger quem defenderá o bem comum, a dignidade humana, a ética pública, a justiça social e o cuidado ambiental. 

É não se deixar levar pelos falsos profetas da Internet, farsantes sem escrúpulos que usam o nome de Deus para "fidelizar" seus "rebanhos", prometendo "prosperidade" fácil e enganosa.

"A política é a mais alta forma da caridade, do amor ao próximo", repete o papa Francisco.

Que nossas escolhas ajudem a diminuir o "divórcio" entre o poder institucional e a sociedade, entre os ditos "representantes do povo" e a população. Pro dia nascer feliz e ajudarmos, com nosso voto, a renovar a face da Terra e de cada cidade brasileira. Assim seja!

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