Aquele cheiro de ovelhas que se sentirá no Conclave

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Mai 2022

 

"A Igreja de Dom Matteo é uma Igreja em saída que dialoga com todos em nome do amor cristão e do Evangelho."

 

O comentário é de Fabrizio D'Esposito, publicado por Il Fatto Quotidiano, 26-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o comentário.

 

Levou mais de nove anos - desde o início de seu pontificado, 13-03-2013 – para que Francisco fizesse a revolução na Igreja italiana com a escolha fortíssima de Dom Matteo Zuppi para liderar os bispos italianos. Um padre-cardeal com mochila e com o carisma das ruas, se assim quisermos dizer, bem como “um pastor com cheiro de ovelhas”, para citar o próprio Bergoglio.

 

Sem dúvida, um sinal claro para todos aqueles que gostariam de voltar para trás com uma Igreja encerrada no "farisaísmo veritativo" (conforme afirmado pelo próprio Zuppi em um livro de alguns anos atrás) que prefere a moral à misericórdia e que rejeita e odeia homossexuais e migrantes. A Igreja de Dom Matteo, por outro lado, é uma Igreja em saída que dialoga com todos em nome do amor cristão e do Evangelho. Longe de ser ONG de bom-mocismo, de acordo com as ferozes acusações dos clérigos não só da direita.

 

Mais moderado que seu "concorrente" Paolo Lojudice, o cardeal arcebispo de Siena que há tempo desejaria uma comissão sobre pedofilia e abusos sexuais na Igreja italiana, Dom Matteo pratica o método inclusivo (e sem injúrias) aprendido durante sua formação na Comunidade de Santo Egídio. Não por acaso, entre seus primeiros anúncios de ontem estava o de querer se encontrar com Ruini e Bagnasco, protagonistas na era wojtylian-ratzingeriana de uma Igreja italiana em que a primazia da política e das intrigas curiais dominava a mensagem evangélica em sentido social. Entre os principais significados da nomeação do cardeal arcebispo de Bolonha poderia estar, além disso, o fim do preconceito anti-italiano que nove anos atrás levou à eleição de um papa argentino (o derrotado foi Scola) após a clamorosa renúncia de Bento XVI (que também pagou pelos desastres e escândalos do "premier" Tarcisio Bertone). Pelo contrário, agora há justamente um italiano entre os favoritos do próximo Conclave. E é Dom Matteo.

 

 

Leia mais