Rússia-Ucrânia: as duas Nossas Senhoras. Artigo de Lorenzo Prezzi

Foto: Jr Korpa | Unsplash

Mais Lidos

  • Não é tragédia, é omissão de planejamento

    LER MAIS
  • Ao mesmo tempo que o Aceleracionismo funciona, em parte de suas vertentes, como um motor do que poderíamos chamar de internacional ultradireitista, mostra a exigência de uma esquerda que faça frente ao neorreacionarismo

    Nick Land: entre o neorreacionarismo e a construção de uma esquerda fora do cânone. Entrevista especial com Fabrício Silveira

    LER MAIS
  • Ciclo de estudos promovido pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração (CEEM), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU, debate a ecologia integral e o ecossocialismo em tempos de mudanças climáticas. Evento ocorre na próxima quarta-feira, 04-03-2026

    “A ecologia é a questão política, social e humana central no século XXI”, constata Michel Löwy

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Março 2022

 

"A insistência em uma nova consagração da Rússia a Maria é uma das insistentes demandas do tradicionalismo católicoRoberto de Mattei no Corrispondenza romana escreve relembrando a pandemia e a atual guerra: 'A mensagem de Fátima é a chave para interpretar os dramáticos eventos dos últimos dois anos e, em particular, o que está acontecendo na Ucrânia'", escreve Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, em artigo publicado por Settimana News, 17-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A agressão militar da Rússia contra a Ucrânia está repleta de ligações e referências religiosas. Não deve surpreender que as referências às devoções marianas tenham surgido quase simultaneamente de um lado e do outro.

 

Na frente russa

 

Do lado russo, em 14 de março, na igreja de São Salvador em Moscou, o Patriarca Kirill confiou ao comandante da Guarda Nacional Russa, Viktor Zolotov, uma imagem da virgem mãe Maria (Theotokos), desejando uma vitória rápida sobre os ucranianos.

 

Foto: Reprodução de Frame de Vídeo do Twitter.

 

O general justificou a demora da vitória pelo hábito dos "nazistas" ucranianos de "se esconderem atrás de civis, idosos e crianças". "É por isso que as coisas não estão indo tão rápido quanto gostaríamos." E acrescentou: "Acreditamos que esta imagem protegerá o exército russo e levará mais rapidamente à vitória".

 

Dois dias depois, Kirill enviou uma breve carta convidando pastores e fiéis a rezar para Nossa Senhora, lembrando o momento difícil devido em função do conflito na Ucrânia. “Mesmo nos momentos mais difíceis, nosso povo buscou ajuda na santíssima Mãe de Deus, que sempre intercede e protege a Santa Rus’”. E convida todos a rezar a tradicional oração a Maria e a oração especial pela paz, para que "por sua materna intercessão o Senhor tenha misericórdia de nossos povos e nos dê uma paz sólida e estável".

 

Na frente católica

 

O paralelo na frente anti-Rússia é imediato, mas impróprio e incorreto. A consagração ao coração de Maria prevista para o dia 25 de março na Basílica de São Pedro, em Roma, não é de fato contra a Rússia, mas pela proteção conjunta da Ucrânia e da Rússia. Atendendo ao pedido dos bispos católicos de rito latino da Ucrânia para retomar o gesto de consagração assim como solicitado por Maria em Fátima em 1917, o Papa Francisco decidiu fazê-lo pedindo ao card. Krajewski para oficiar a celebração da penitência na sexta-feira, 25 de março.

 

O pedido de Maria para consagrar a Rússia ao seu coração (ao qual voltaremos) teve uma primeira resposta com Pio XII (13 de outubro de 1942) na solene consagração do mundo ao coração de Maria. Dez anos depois, em 1952, o mesmo pontífice escreveu uma carta apostólica ao povo russo confiando-a ao coração de Maria. Um ano após o atentado, João Paulo II em março de 1982 estava em Fátima para agradecer a Nossa Senhora por tê-lo salvado e para lembrar a mensagem entregue à Irmã Lúcia, uma das videntes. Em 25 de março de 1984, o papa e os bispos renovam a consagração dos povos e das nações.

 

A insistência em uma nova consagração da Rússia a Maria é uma das insistentes demandas do tradicionalismo católico. Roberto de Mattei no Corrispondenza romana escreve relembrando a pandemia e a atual guerra: "A mensagem de Fátima é a chave para interpretar os dramáticos eventos dos últimos dois anos e, em particular, o que está acontecendo na Ucrânia".

 

Leia mais