Chile. Bertomeu anuncia que haverá “reparações econômicas” para as vítimas de abusos no Chile

Foto: Acidigital

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Junho 2018

A crise na Igreja chilena continua sangrando pela ferida, embora os enviados papais, Charles J. Scicluna e Jordi Bertomeu, continuem no país encontrando-se com vítimas e anunciando medidas. A mais notável, apontada pelo padre espanhol, é o anúncio de “reparações econômicas” para as vítimas.

A reportagem é publicada por Religião Digital, 19-06-2018. A tradução é de André Langer.

Bertomeu acrescentou que o problema eclesial que se vive na nação austral “é reflexo de um problema social mais profundo no Chile, de uma fratura social”. Na oportunidade, anunciou a criação de um escritório em Santiago para continuar a receber denúncias de abusos, que chegarão ao Vaticano, e que começará a funcionar assim que os enviados do Papa deixarem o Chile.

Antes de deixar o país, Scicluna encontrou-se os meios de comunicação chilenos, perante os quais agradeceu às vítimas que “nos abriram o seu coração e estão dispostos ao diálogo e a iniciar um caminho de reconciliação”.

“Elas nos pediram para que a Igreja avance em caminhos de verdade, justiça e reparação”, recalcou Scicluna, que reiterou o seu desejo, e do Papa, “para reconhecer e admitir a verdade completa, com todas as suas dolorosas repercussões e consequências”.

“Investigar é um dever de justiça. Precisamos fazer justiça às vítimas pelo bem do país e da Igreja”, acrescentou o prelado, que anunciou a criação de “um serviço de acolhida das pessoas que nos escreveram e desejam ter acesso a isso que, além de acolhê-los, possa orientá-los”.

Os dois enviados do Papa terminaram no domingo uma visita de quatro dias à cidade de Osorno, no sul do país, que se tornou o epicentro da crise da Igreja chilena pela presença, até a semana passada, do bispo Juan Barros, acusado de acobertar os abusos cometidos pelo influente padre Fernando Karadima.

Sua permanência em Osorno culminou com uma missa de reconciliação durante a qual Scicluna pediu perdão em nome do Sumo Pontífice aos fiéis “por tê-los ferido e ofendido profundamente” ao defender Barros.

Bertomeu disse que, de Osorno, compilou uma pasta com pelo menos 40 denúncias de pessoas provenientes de Villarrica até a cidade de Punta Arenas, no sul do país. Durante a segunda-feira, o arcebispo Charles Scicluna visitou o Santuário da Irmã Teresa de los Andes, enquanto Bertomeu continuou recebendo denúncias de abusos.

Enquanto isso, um novo caso de abusos sexuais fere a Igreja chilena. Na segunda-feira, a Congregação dos Sagrados Corações anunciou o recebimento de uma denúncia contra o padre Juan Andrés Peretiatkowicz, que o acusa de abusos sexuais e de poder no final dos anos 80.

“Como congregação religiosa expressamos a nossa vontade e empenho para investigar em profundidade e com rigor estes fatos, e a lutar resolutamente contra a cultura dos abusos e acobertamentos que o Papa Francisco recrimina em nós”, indicou o comunicado intitulado “A dolorosa verdade e a busca da justiça”.

Peretiatkowicz, 82 anos, está há cinco anos sem uma missão pastoral por motivos de saúde. A investigação está sendo realizada por uma advogada especialista em Direito Canônico e um religioso, que receberão novos depoimentos sobre o caso. “Acreditamos que este é o único caminho de reparação para aqueles que foram violados ou abusados”, acrescentou o comunicado.

Declaração de imprensa

Caros irmãos

Ao terminar a “Missão Pastoral” confiada pelo Santo Padre Francisco a mons. Jordi Bertomeu e a mim, agradeço mais uma vez ao Povo de Deus que peregrina no Chile e a todos os seus habitantes sua acolhida e testemunho.

Foi uma bela experiência compartilhar com diversas comunidades, cheias de homens e mulheres, que – mesmo com suas feridas nas costas – nos abriram seus corações e estão dispostos a dialogar e a iniciar um caminho de reconciliação.

Pediram-nos para que a Igreja avance em formas de verdade, justiça e reparação. É também o que o Santo Padre nos pede. Por isso, reitero que o convite para reconhecer e admitir a verdade completa, com todas as suas dolorosas repercussões e consequências, é o ponto de partida para uma autêntica cura, tanto da vítima como do autor dos abusos.

Investigar é um dever de justiça. Precisamos fazer justiça às vítimas pelo bem do país e também da Igreja. Junto com isso, assinalamos que a acolhida de vítimas denunciantes de abusos deve ser um princípio norteador nos processos eclesiásticos.

Tivemos uma missão pastoral com dias de Graça e escuta, onde nos encontramos com centenas de pessoas na Nunciatura Apostólica em Santiago e na querida diocese de Osorno.

Agradecemos pela confiança que depositaram em nós tantas pessoas que nos pediram audiências ou enviaram cartas. Lamentamos não ter podido atender pessoalmente a todas e nos comprometemos a responder por escrito a cada uma dessas comunicações o mais breve possível.

Conforme antecipamos, organizamos a criação de um serviço de escuta das pessoas que nos escreveram e desejam acessá-lo, que, além de acolhê-las, pode também orientá-las.

Depois de nos reunirmos em diversas ocasiões com os membros do Conselho Nacional para a Prevenção de Abusos da Conferência Episcopal do Chile, consideramos oportuno que alguns de seus especialistas assumam essa tarefa transitória – em nosso nome – no país. Tenho plena confiança de que estas pessoas, por sua preparação, competência e experiência, poderão prestar este serviço à comunidade eclesial. A partir de amanhã, peço a todos os interessados para que entrem em contato com o serviço de escuta através do correio eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. Também pelo telefone 9949-50-519.

Finalmente, nesta visita pudemos manifestar a particular proximidade do Papa com a diocese de Osorno e seu querido povo, no signo do serviço e da comunhão, num contexto de oração, da celebração litúrgica, da escuta mútua e de cordialidade.

Agradeço a todos por tanta boa vontade, por tanto amor pela Igreja de Jesus Cristo e pelo desejo de uma grande maioria de uma reconciliação verdadeira, o que não se consegue – como já disse – com uma missão de poucos dias, mas que é um dom de Deus que deve ser acompanhado por um longo processo, que exige paciência, generosidade, fortaleza e humildade.

Por último, queremos agradecer a todos aqueles que colaboraram na “Missão Pastoral Osorno”: ao Senhor Núncio Apostólico, dom Ivo Scapolo; ao coordenador de comunicações desta missão, o jornalista Sr. Cristián Amaya, junto com sua equipe de trabalho; aos serviços de segurança e logística e a todos aqueles que colaboraram na organização e no desenvolvimento deste serviço pastoral. Uma saudação especial aos jornalistas da imprensa chilena e internacional que informaram a comunidade com profissionalismo todos esses dias.

Antes de concluir, permitam-me repetir uma mensagem do venerável servo de Deus Francisco Valdés Subercaseaux, primeiro bispo de Osorno: “Que felicidade quando os povos sabem se encontrar para conversar e se conhecer...”.

“Dou-lhes a minha paz, deixo-lhes a minha paz”: estas palavras de Jesus Cristo inspiraram a viagem do Papa Francisco ao Chile. Paz e bem para o Chile, pedimos hoje ao Senhor, por intercessão de Nossa Senhora do Carmo, Mãe e Rainha do Chile.

Muito obrigado.

+ S.E. Dom Charles Scicluna

Arcebispo de Malta

Missão Pastoral Osorno

Leia mais