Ídolos privados. Comentário de José Antonio Pagola

Foto: ilo Frey/Pexels

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05 Setembro 2025

  • "Todos nós sentimos o anseio por liberdade profundamente dentro de nós. No entanto, há uma experiência que continua a prevalecer geração após geração: os seres humanos parecem condenados a ser 'escravos de ídolos'."
  • "O convite de Jesus é provocativo. Só existe um caminho para o crescimento na liberdade, e só o conhece quem ousa seguir Jesus incondicionalmente, colaborando com Ele no projeto do Pai: construir um mundo justo e digno para todos."

O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, referente ao Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 14,25-33, que corresponde ao 23° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 03-09-2025.

Eis o comentário.

Há algo de escandaloso e insuportável para aqueles que se aproximam de Jesus a partir do clima de autossuficiência que prevalece na sociedade moderna. Jesus é radical ao exigir adesão à sua pessoa. Seu discípulo deve subordinar tudo ao seguimento incondicional.

Este não é um "conselho evangélico" para um grupo seleto de cristãos ou uma elite de seguidores dedicados. É a condição indispensável de todo discípulo. As palavras de Jesus são claras e enfáticas: "Quem não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo."

Todos nós sentimos, profundamente, o anseio pela liberdade. E, no entanto, há uma experiência que continua a prevalecer geração após geração: os seres humanos parecem condenados a ser "escravos de ídolos ". Incapazes de ser autossuficientes, passamos a vida buscando algo que satisfaça nossas aspirações e desejos mais fundamentais.

Cada um de nós busca um "deus" pelo qual viver, algo que inconscientemente tornamos a essência de nossas vidas: algo que nos domina e assume o controle. Buscamos ser livres e autônomos, mas parece que não conseguimos viver sem nos render a algum "ídolo" que determina toda a nossa vida.

Esses ídolos são muito diversos: dinheiro, sucesso, poder, prestígio, sexo, paz de espírito, felicidade a todo custo... Cada um de nós conhece o nome do seu "deus particular", a quem secretamente entregamos o nosso ser. Portanto, quando, num gesto de "liberdade ingênua", fazemos algo "porque temos vontade", devemos nos perguntar o que nos domina naquele momento e a quem estamos realmente obedecendo.

O convite de Jesus é provocativo. Só existe um caminho para o crescimento na liberdade, e só o conhece quem ousa seguir Jesus incondicionalmente, colaborando com Ele no projeto do Pai: construir um mundo justo e digno para todos.

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