O Centro para a Proteção dos Menores agora é Instituto de Antropologia. Estudos Interdisciplinares sobre a dignidade humana e o cuidado das pessoas vulneráveis

Foto: PxHere | CC

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28 Abril 2021

 

Em 1º de setembro de 2021, o Centro para a Proteção dos Menores (CCP) da Pontifícia Universidade Gregoriana passará a ser o Instituto de Antropologia. Estudos Interdisciplinares sobre a dignidade humana e o cuidado das pessoas vulneráveis (IADC). A Congregação para a Educação Católica aprovou a dita transformação que permitirá ao Centro ampliar seu alcance, oferecer titulações acadêmicas e estabelecer seu próprio corpo docente.

A informação é da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, 27-04-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O IADC prosseguirá e desenvolverá a contribuição que realiza atualmente o CCP à comunidade acadêmica, centrando-se especificamente nos Estudos interdisciplinares sobre a dignidade humana e o cuidado das pessoas vulneráveis. Como seu nome indica, o IADC oferecerá um enfoque proativo e positivo a questões tão delicadas como são a prevenção do abuso sexual, a intervenção e a salvaguarda.

Desde sua criação em 2012, como parte do Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, o CCP centrou seu trabalho no cuidado das vítimas e sobreviventes de abuso infantil. Seu objetivo inicial era oferecer formação e recursos para a pesquisa sobre a prevenção do abuso sexual infantil, partindo de uma proposta teórica coletiva, filosófica, teológica e psicológica para integrar as perspectivas antropológicas. Isso se pôs em prática pela primeira vez entre 2012 e 2014 através de um programa de aprendizagem combinado. Posteriormente, levou-se à criação de um programa de aprendizagem combinado mais amplo e dois programas presenciais: o Diplomado em Proteção de Menores e o “Licenciado em Salvaguarda”. Ainda que o trabalho do CCP siga centrando-se em grande parte no abuso infantil, começou a se incluir paulatinamente a questão do abuso de pessoas vulneráveis. Seu foco sendo ampliado gradualmente para confrontá-lo e desenvolvê-lo dentro do conceito mais amplo de dignidade humana. A demanda dos programas e da participação do CCP em eventos acadêmicos e formativos, tanto locais como internacionais é cada vez maior, o que confirma que chegou a ser uma instituição de referência na matéria. Este reconhecimento requer um foco acadêmico e institucional diverso, que vai além da capacidade de um centro.

A disciplina acadêmica de “Antropologia”, com a variedade de disciplinas que inclui, permitirá ao IADC estender seu compromisso com a pesquisa e o diálogo científico. Portanto, o trabalho do CCP será ampliado, identificando e analisando os fatores antropológicos, sociais e sistêmicos que colocam em risco a dignidade humana. Desta forma, podem ser promovidos cuidados e proteção eficazes para todas as pessoas, especialmente as crianças, que são as mais vulneráveis. O IADC espera responder aos clamores por justiça e reparação, desenvolver estratégias para ajudar as pessoas feridas pelo abuso a lidar de forma eficaz e construtiva e promover a criação de ambientes seguros e saudáveis para o crescimento e bem-estar humanos holísticos.

A pesquisa antropológica contemporânea requer uma abordagem interdisciplinar e intercultural. Uma das consequências da interdisciplinaridade é a soma exponencial de conhecimentos derivados das diferentes disciplinas e sua consequente especialização, o que favorece uma exploração científica multidimensional da dignidade humana. Nas diferentes disciplinas que são abordadas, estudadas e lecionadas nas unidades acadêmicas da Gregoriana, existem pontos coincidentes que só podem ser combinados através deste trabalho interdisciplinar. Por fim, a abordagem intercultural incorpora a contribuição da globalização e do intercâmbio constante entre culturas, cruzando fronteiras e contextos. Essas são considerações indispensáveis em qualquer pesquisa antropológica hoje, e ainda mais no que diz respeito à proteção da vida e da dignidade humana.

 

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