Netanyahu critica duramente "Naza": "Incitar o antissemitismo internamente é intolerável"

Foto: Documentário NAZA/ Divulgação

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15 Setembro 2026

Políticos israelenses estão pedindo a revogação da cidadania. A resposta de Abraham e Szor: "É hora de analisarmos o que fizemos em Gaza." O documentário que emocionou Veneza revela as técnicas usadas pelas Forças de Defesa de Israel contra civis em Gaza. O exército israelense ordena uma investigação sobre a divulgação não autorizada de material confidencial usado na produção do filme.

A informação é de Francesca Caferri, publicada por La Repubblica, 14-09-2026.

Não se trata apenas de Itamar Ben-Gvir e da extrema-direita: uma tempestade mais ampla surgiu contra Naza e seus diretores, Yuval Abraham e Rachel Szor, vencedores do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza com o filme Naza. A maioria da classe política israelense, tanto no governo quanto (parcialmente) na oposição, está se voltando contra eles. Os diretores — que já ganharam o Festival de Cinema de Berlim e um Oscar por No Other Land — são acusados ​​de trair seu país e as duas forças armadas. Tanto que o ministro da Cultura, Miki Zohar (do Likud, partido do primeiro-ministro Netanyahu), ameaçou cassar a cidadania deles.

O fato de isso ser praticamente impossível, tanto tecnicamente quanto porque causaria enormes danos à reputação de Israel, não diminui a gravidade desta história. Ela demonstra o clima predominante entre aqueles que se opõem não apenas às políticas governamentais, mas também à narrativa dominante sobre o país e suas ações militares em geral: nas últimas semanas, intelectuais, escritores e cantores que se manifestaram contra o governo foram agredidos fisicamente ou ameaçados por ativistas ligados à extrema-direita. Para os dois diretores, essas não são as primeiras críticas: há dois anos, após Berlim, eles já estavam no centro de uma retórica inflamatória que os obrigou a ficar fora do país por semanas.

“Peço àqueles que nos criticam que assistam ao filme primeiro”, disse Abraham em uma mensagem. “Ganhamos o prêmio, mas o que importa, do meu ponto de vista, são os depoimentos dos soldados e oficiais que falam no filme. Eles falaram em hebraico porque queriam alcançar o público israelense. Queriam que as pessoas em Israel ouvissem o que fizeram em Gaza. Porque é importante para a nossa sociedade observar as ações realizadas em Gaza e ouvir os soldados que aparecem no filme.”

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou duramente o documentário em um vídeo de um minuto nas redes sociais: "Ouvi falar sobre isso e é chocante. Estamos combatendo a incitação ao antissemitismo em todo o mundo, mas, quando ela vem de dentro de nós, é intolerável."

Já no sábado, porta-vozes das Forças de Defesa de Israel negaram, em comunicado, a veracidade dos depoimentos dos soldados: aqueles que falaram em Naza (que em hebraico significa "efeitos colaterais") são principalmente oficiais de inteligência que identificaram e atacaram alvos apesar da presença de dezenas de civis, familiares, mulheres, crianças e idosos ao redor. E hoje, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, o tenente-general Eyal Zamir, ordenou uma revisão jurídica e uma investigação sobre a divulgação não autorizada de material classificado usado na produção do filme.

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Abraham acrescentou que ele e seus colaboradores pretendem trabalhar para garantir que o filme seja amplamente distribuído em Israel. "Faremos tudo o que pudermos para distribuir este filme o mais amplamente possível em Israel", afirmou. A distribuição é uma questão crucial: No Other Land (que posteriormente foi distribuído online pelas revistas Local Call e +972, publicações irmãs para as quais Abraham trabalha e que publicaram suas investigações) foi proibido em Israel. Além disso, o governo acusou Eliran Elia (ex-presidente da Comissão de Cinema do país, agora candidato ao lado de Gadi Eisenkot, rival de Netanyahu) de apoiar a Naza como forma de atacar o governo. Isso, mesmo que o filme não tenha recebido financiamento público.

As únicas vozes contrárias às críticas foram as do deputado Ayman Odeh, nascido na Palestina ("As coisas não mudam a menos que as enfrentemos") e as do Partido Democrata, de esquerda, liderado por Yair Golan: "O mais fácil é justificar as violações dos direitos humanos em tempos de guerra, e é por isso que temos o dever de questionar e impor limites. Essa é a essência da democracia", afirmou a candidata Gabby Lasky.

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