'A Voz de Hind': Memória, Justiça e o Direito à Vida das Crianças em Gaza. Artigo de Irene Graíño Calaza

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29 Novembro 2025

O longa-metragem busca homenagear a memória de Hind, uma menina de Gaza que morreu nas mãos dos israelenses, mas também a de todas as crianças que foram mortas durante esses dois anos de genocídio.

A opinião é de Irene Graíño Calaza, jurista espanhola, em artigo publicado por El Salto, 27-11-2025.

Eis o artigo.

O filme "A Voz de Hind" estreia na próxima sexta-feira, 28 de novembro, nos cinemas de toda a Espanha. Dirigido pela tunisiana Kaother Ben Hania, o longa foi apresentado no Palácio da Imprensa, em Madri, no dia 18, em uma pré-estreia que contou com a presença dos dois atores principais — Motaz Malhees e Saja Kilan — que falaram brevemente antes da exibição.

Este filme essencial, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Veneza e do Prêmio do Público no Festival de Cinema de San Sebastián, conta a história de Hind Rajab, uma menina palestina de cinco anos que, em 29 de janeiro de 2024, ficou presa por horas em um carro em Gaza, cercada pelos corpos de sua tia, tio e primos. Ela manteve contato telefônico por horas com o Crescente Vermelho. A organização humanitária coordenou uma operação de resgate que, infelizmente, não conseguiu libertar Hind. As gravações de áudio dessas ligações presentes no filme são reais e foram divulgadas pelo Crescente Vermelho.

Este longa-metragem busca homenagear a memória de Hind e, ao mesmo tempo, a de milhares de crianças e adolescentes em Gaza que foram mortos durante esses mais de dois anos de genocídio perpetrado pelo Estado de Israel.

64 mil crianças mortas por Israel

O dia 20 de novembro foi o Dia Mundial da Criança. Durante dois anos e quase dois meses, crianças da Faixa de Gaza foram massacradas pelo genocídio perpetrado pelo exército sionista de Israel. De acordo com dados da UNICEF, o assassinato de 64.000 crianças em toda a Faixa de Gaza foi confirmado nos últimos dois anos, incluindo pelo menos 1.000 bebês. Esses números não incluem mortes por doenças evitáveis ​​que não foram tratadas ou corpos soterrados sob os escombros. Esses números horríveis demonstram, mais uma vez, o que todos nós testemunhamos durante esses dois anos de genocídio: a barbárie e a impunidade do sionismo, incluindo seus ataques contra crianças.

Além disso, não podemos esquecer a fome que Israel impôs ao povo de Gaza por meio de um bloqueio que impediu a entrada de alimentos e ajuda humanitária durante meses, além de restringir o acesso a suprimentos. Isso gerou uma alarmante crise de desnutrição, especialmente entre crianças menores de um ano, como relataram o UNICEF e outras organizações internacionais de monitoramento.

Um cessar-fogo que não é

Apesar do cessar-fogo declarado, até o momento, segundo os últimos relatórios da UNICEF, 67 crianças e adolescentes morreram desde outubro. “Ontem pela manhã, foi noticiado que uma menina foi morta em Khan Younis por um ataque aéreo, enquanto no dia anterior, sete crianças foram mortas na Cidade de Gaza e no sul da Faixa de Gaza”, afirmou Ricardo Pires, porta-voz da UNICEF, em um recente comunicado à imprensa.

Muitas crianças continuam a dormir ao relento. "A realidade enfrentada pelas crianças de Gaza permanece brutalmente simples: não há lugar seguro para elas, e o mundo não pode continuar a normalizar o seu sofrimento", afirmou Pires.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) também informou, há alguns dias, que uma menina de nove anos estava recebendo tratamento para ferimentos faciais após ser atingida por drones. A organização afirmou na sexta-feira passada, 21 de novembro, que suas equipes em Gaza trataram diversas mulheres e crianças palestinas “com fraturas expostas e ferimentos a bala nos membros e na cabeça”.

Como salienta a UNICEF, no que diz respeito à distribuição de ajuda, o Programa Mundial de Alimentos afirma que as entregas de suprimentos humanitários básicos ainda estão longe de atender às necessidades da população e correm o risco de piorar devido às chuvas de inverno.

Israel continua tentando silenciar a voz das crianças em Gaza por meio de assassinatos, massacres, violência e fome ; e não apenas nos últimos dois anos: há mais de 75 anos. Crianças palestinas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental também sofrem com limpeza étnica, apartheid e violência.

Histórias como a de Hind, que será exibida nas telas espanholas a partir de sexta-feira, 28 de novembro, viverão para sempre, sempre presentes, na memória que alimenta a resistência. Jamais as esqueceremos. No próximo sábado, 29 de novembro, Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, foi convocada uma manifestação nacional para exigir um embargo de armas e demonstrar nossa rejeição à campanha genocida de Israel no enclave. Agora, mais do que nunca, é importante continuarmos indo às ruas para apoiar o povo palestino. Memória, verdade, justiça e vida para as crianças de Gaza e de toda a Palestina, hoje e sempre.

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