Arcebispo proíbe deepfakes de inteligência artificial com imagens do clero

Foto: Vibe Images/Fotolia.com | Katholisch

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03 Setembro 2026

O arcebispo de Aracaju, no Brasil, proibiu o uso de deepfakes de inteligência artificial (IA) com membros do clero em comunicações da Igreja. As comunicações da Igreja devem aderir a um "princípio de autenticidade visual", de acordo com as diretrizes de IA emitidas por Dom Josafá Menezes da Silva para sua arquidiocese no fim de agosto. A crescente importância das aplicações de IA no cotidiano da Igreja levanta questões que eram impensáveis ​​até recentemente. "Uma delas diz respeito à forma como as imagens de bispos, padres e diáconos são distorcidas em gráficos de redes sociais criados com ferramentas de inteligência artificial", afirmou o arcebispo. "Tudo o que a Igreja comunica deve ser verdadeiro em conteúdo e responsável em sua apresentação."

A informação é publicada por Katholisch, 02-09-2026.

A política de IA da Arquidiocese estipula, portanto, que todo o conteúdo gerado por IA deve ser revisado por humanos antes da publicação. Toda publicação deve ser claramente identificada como gerada por IA "se o uso de IA puder influenciar a percepção da realidade retratada". Regras específicas se aplicam a deepfakes, ou seja, representações realistas de pessoas. A inteligência artificial generativa "não pode ser usada para reconstruir ou simular a aparência de um bispo, padre ou diácono se o resultado substituir sua fotografia real ou puder ser interpretado como uma representação autêntica de sua aparência ou de uma situação que vivenciaram". O mesmo se aplica a representações de vozes humanas geradas por IA. Nenhuma imagem pode ser gerada "que coloque um membro do clero em situações que não ocorreram". Em geral, "nenhuma aparência, fala, ação ou situação pode ser atribuída a pessoas reais que não corresponda à realidade".

Avaliar o uso da IA ​​em relação à dignidade humana e ao bem comum

Dom Josafá baseia sua política sobre IA em pronunciamentos do Magistério, particularmente na primeira mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, publicada em janeiro. Nela, o Papa enfatiza que o rosto e a voz são características únicas e distintivas de cada ser humano, revelando sua "própria identidade singular" e essenciais para os encontros com os outros. Segundo o arcebispo, imagens de pessoas reais geradas por IA violam "a verdade que deve caracterizar toda comunicação". Ele se refere ainda à declaração Antiqua et Nova, na qual o Dicastério para a Doutrina da Fé e da Cultura abordou a inteligência artificial em detalhes pela primeira vez em 2025. Esta declaração ressalta que o uso da IA ​​deve respeitar a dignidade humana e servir ao bem comum.

Nos últimos meses, diversas dioceses alemãs também emitiram diretrizes para o uso de IA, a começar pela Arquidiocese de Colônia. Outras regulamentações existem em Rottenburg-Stuttgart, Freiburg, Paderborn e no Vicariato Geral de Vechta. Embora o Brasil ainda não possua uma regulamentação estatal abrangente sobre IA, a Alemanha adere ao Regulamento de IA da UE, que exige a rotulagem de deepfakes. No fim de 2024, uma lei de IA foi promulgada para o Estado da Cidade do Vaticano, inspirada no Regulamento de IA.

As falsificações geradas por IA estão se tornando um problema crescente na Igreja. Entre as vítimas estão os cardeais Grzegorz Ryś (Cracóvia), Carlos Aguiar Retes (Cidade do México) e Juan José Omella (Barcelona). Em março, uma foto adulterada do padre tcheco Tomáš Halík viralizou. Após a eleição papal, supostos sermões do Papa Leão XIV, gerados por IA, inundaram a internet. 

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