A crise da autoridade docente. Entre autoridade, autoritarismo e responsabilidade educativa. Artigo é de Robson Ribeiro

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11 Setembro 2026

"Reconstruir a autoridade docente é, portanto, uma tarefa ética. Significa reconhecer que educar não é apenas transmitir conteúdos, mas introduzir os mais jovens em um mundo comparti sem medo e de estudantes que aprendam que liberdade e responsabilidade caminham juntas".

O artigo é de Robson Ribeiro, teólogo, filósofo e historiador.

Este artigo integra a série “A crise da docência no século XXI”, composta por sete textos que abordam temas como violência, adoecimento, sentido, autoridade e esperança na docência.

Eis o artigo.

Uma das raízes da crise contemporânea da docência está na dificuldade de distinguir autoridade de autoritarismo. Durante décadas, o debate educacional oscilou entre modelos rígidos e uma compreensão equivocada de que uma escola democrática deveria funcionar praticamente sem referências, limites ou assimetrias. Nenhuma dessas alternativas responde adequadamente à tarefa educativa.

Hannah Arendt compreende a educação como responsabilidade dos adultos pelo mundo e pelas novas gerações. O professor não é superior ao estudante, mas possui uma responsabilidade diferente. Ele conhece algo que o estudante ainda está aprendendo e assume a tarefa de apresentar esse conhecimento, orientar o percurso e estabelecer condições para a convivência. Autoridade, nesse sentido, é responsabilidade, não privilégio.

Quando toda intervenção docente é interpretada como autoritarismo, o professor perde legitimidade para estabelecer limites. O resultado não é necessariamente mais liberdade. Pode ser apenas ausência de referências. Uma criança ou adolescente precisa experimentar autonomia, mas também precisa encontrar adultos capazes de dizer não, explicar por quê, sustentar regras e assumir responsabilidades.

A crise da autoridade também se relaciona à transformação das relações escolares. Em uma cultura orientada pelo consumo, existe o risco de interpretar o estudante como cliente e a escola como prestadora de serviços. Mas educação não pode ser organizada apenas pela satisfação imediata. Aprender envolve esforço, frustração, espera, disciplina intelectual e capacidade de conviver com aquilo que contraria nossas expectativas.

Reconstruir a autoridade docente não significa voltar a modelos autoritários. Significa criar uma autoridade democrática, baseada em competência, coerência, diálogo e responsabilidade. O professor precisa poder corrigir sem humilhar, estabelecer limites sem violência e ser firme sem deixar de escutar.

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A família possui papel decisivo. Quando a escola estabelece um limite pedagógico e a família automaticamente desautoriza o professor, o estudante recebe uma mensagem perigosa: toda frustração pode ser transformada em reclamação e toda regra pode ser negociada em benefício próprio. A parceria entre família e escola não exige concordância em tudo; exige confiança suficiente para conversar antes de julgar.

A autoridade também precisa ser protegida institucionalmente. Não basta pedir ao professor que tenha domínio de turma se, diante de situações graves, ele não recebe respaldo. Não basta exigir equilíbrio emocional se a instituição não estabelece protocolos claros para violência e conflito. Autoridade pedagógica precisa de uma estrutura que a sustente.

Em uma sociedade plural, o professor não pode ser dono da verdade. Mas pluralidade não significa ausência de critérios. O pensamento crítico nasce justamente quando existem conhecimentos, argumentos e referências que podem ser examinados e questionados.

Reconstruir a autoridade docente é, portanto, uma tarefa ética. Significa reconhecer que educar não é apenas transmitir conteúdos, mas introduzir os mais jovens em um mundo comparti sem medo e de estudantes que aprendam que liberdade e responsabilidade caminham juntas.

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